Brasil

Richarlison sobre caso de racismo: “Enquanto ficarem de blá blá blá e não punirem, vai continuar assim”

Atacante do Brasil, Richarlison foi alvo de racismo com uma banana atirada no gramado na comemoração do seu gol; Fifa diz que investigará o caso

O último jogo da seleção brasileira antes da Copa do Mundo foi empolgante. A goleada por 5 a 1 sobre a Tunísia mostrou um time cheio de recursos, com direito até a gol de Pedro. Só que também foi marcado por um episódio triste: uma manifestação claramente racista durante as comemorações do segundo gol do Brasil, marcado por Richarlison. Foi atirada uma banana em campo na direção do atacante. O atacante se manifestou após o jogo e pediu punição, assim como a CBF, através do seu presidente. A Fifa já prometeu investigar.

Richarlison comentou sobre o caso. “Enquanto ficarem de ‘blá blá blá’ e não punirem, vai continuar assim, acontecendo todos os dias e por todos os cantos. Sem tempo, irmão! #racismonão”, escreveu Richarlison no Twitter.

O atacante também se posicionou em entrevista à própria CBF. “Espero que reconheçam esse torcedor e punam ele. É difícil. Teve o caso Vinicius Junior recentemente e agora acontece isso dentro do estádio. Espero que tenha punição e que sirva de lição para outras pessoas não fazerem isso”, comentou o jogador.

“A gente fica triste por esse momento. Espero que possam reconhecer esse cara e que ele seja punido para servir de exemplo para que não aconteça. Na hora eu não vi, graças a Deus, porque estava de cabeça quente e não sei o que poderia acontecer. Espero que esse cara seja punido”, continuou Richarlison.

O técnico da seleção brasileira, Tite, também comentou sobre o caso na coletiva após o jogo. “Futebol não vale tudo. Estádio não é para se fazer o que quer. O processo de punição e identificação tem de ser também dentro de estádio, da torcida. Não tem ninguém de aceitar a exposição pública tomando xingamento ou qualquer situação. Que os órgãos responsáveis tomem uma medida, uma devida providência. Isso é educação. É de punição a quem faz as coisas erradas”, disse o técnico.

Ednaldo Rodrigues: “As punições precisam ser mais severas”

O time do Brasil antes do jogo contra a Tunísia em Paris com mensagem antirracista (Lucas Figueiredo/CBF)

Antes do jogo, a seleção brasileira fez uma manifestação contra o racismo com uma mensagem: “Sem nossos jogadores negros, não teríamos estrelas na nossa camisa”. A CBF se manifestou depois do jogo em Paris condenado o racismo. “Após o segundo gol do Brasil, uma banana foi arremessada em direção a Richarlison. A CBF reforça seu posicionamento contra a discriminação e repudia veementemente mais um episódio de racismo no futebol”, diz o texto.

O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, também se manifestou. “Mais uma vez, venho publicamente manifestar o meu repúdio. Desta vez, vi com os meus olhos. Isso nos choca. É preciso lembrar sempre que somos todos iguais, não importa a cor, raça ou religião. O combate ao racismo não é uma causa, é uma mudança fundamental para varrer esse tipo de crime de todo o planeta. Eu insisto em dizer que as punições precisam ser mais severas”, declarou.

“Em primeiro lugar, a FIFA rejeita veementemente qualquer forma de racismo e violência e tem uma postura de tolerância zero muito clara contra tal comportamento no futebol. A Fifa irá investigar o incidente no jogo de ontem em Paris”, afirmou comunicado da FIFA.

Como o amistoso foi realizado em Paris e foi entre duas seleções de continentes diferentes, é difícil estabelecer um mandante. O que precisa ser feito é a identificação do torcedor que atirou a banana em campo para que ele seja responsabilizado. Porque é um ato claramente racista. É possível identificar, mas é preciso saber se as autoridades franceses querem agir em relação a isso ou só vão jogar mais esse caso para baixo do tapete.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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