Brasil

Mesmo na temporada em que mais errou, Abel se mostrou superior a seu pares e fez a diferença para o Palmeiras

Palmeiras teve em seu técnico Abel Ferreira, mais uma vez, seu grande alicerce em uma temporada histórica e vitoriosa

A temporada de 2023 foi a mais desafiadora para Abel Ferreira no Palmeiras. Mesmo sem reposição à altura para dois de seus melhores jogadores – Scarpa e Danilo, negociados com Nottingham Forest – o técnico não teve qualquer moleza em relação aos objetivos para o ano: conquistar o número máximo de títulos possível.

Por conta dessa necessidade de reconstrução, bem como devido a outros percalços que se interpuseram, como lesões importantes e eliminações traumáticas, 2023 foi um ano tenso e com mais dificuldades do que o comum para o treinador, em seus três anos de clube.

Mas Abel conseguiu. Assim como fizera em 2022, o português fechou o ano com três títulos, incluindo os bicampeonatos paulista e brasileiro. Ainda consolidou o jovem Endrick como grande nome do futebol nacional e mostrou capacidade de reinventar o time quando o baque pela eliminação na semi da Libertadores destruiu o emocional do grupo.

Abel cometeu erros como ainda não fizera desde novembro de 2020, quando chegou à Academia de Futebol, é verdade. Mas até isso corrobora o ano do técnico. Pois os acertos que ele implantou para fazer o time dar a volta por cima e corrigir a rota superaram em muito as suas falhas. Afinal, o Palmeiras, pelo segundo ano consecutivo, conquistou o Brasileirão.

O 4-3-3 funcionou enquanto o time teve Dudu, o 3-5-2 salvou o ano

Esquema de escolha do técnico no Palmeiras, o 4-3-3 teve um ótimo funcionamento, tanto nas conquistas do Paulista quanto da Supercopa do Brasil.

Na Libertadores e no Brasileiro, enquanto Dudu esteve no time, tudo também correu muito bem. Mas, no fim de agosto, Dudu teve uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, que colocou fim na sua temporada.

Sem um ponta-esquerda à altura do camisa 7 – até porque, qual outro time o tem? – Abel tentou uma improvisação, com Mayke na ponta direita e Artur deslocado para a esquerda. Foram oito jogos de futebol inconstante – incluindo a eliminação na semifinal da Libertadores.

E então, Abel achou o caminho: colocou Luan de terceiro zagueiro, subiu Zé e Rios, para encostarem em Veiga, e deixou os laterais apoiarem ao mesmo tempo. Mais do que isso ainda: formou um ataque sem pontas, com Endrick e Breno Lopes fazendo dupla. O resultado: oito vitórias e dois empates em 11 jogos, e a conquista do 12º Campeonato Brasileiro pelo Palmeiras.

O último ano de Abel?

Para Abel anunciar que permaneceria para cumprir seu último ano de contrato, na próxima temporada, já foi uma novela. Assim, imaginar que ele chegará ao fim da próxima com uma nova trama dramática e apelos de “Fica, Abel!” por parte da torcida nem é forçar muito a imaginação.

Porque, se tudo correr como se espera, a tendência é o Palmeiras fazer mais uma temporada brigando por títulos – em especial a Libertadores que, há duas temporadas, o time deixa escapar na semifinal.

E aí, como o Palmeiras já tem vaga no novo Mundial da Fifa, em 2025, o que não vai faltar é comoção para o português seguir no clube. Se depender da diretoria, Abel assina amanhã uma extensão até 2027. O que pode até vir a acontecer, mas não sem muito drama antes de a questão se decidir.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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