Brasil

Na teoria, Renato Augusto e Fluminense formam encaixe quase perfeito para 2024

Jogador precisava de novos ares após anos no Corinthians, e Fluminense dá mais um craque para Fernando Diniz

O Fluminense acertou a contratação de Renato Augusto, que deixa o Corinthians após três temporadas. O meia de 35 anos volta ao Rio de Janeiro, sua cidade natal, para respirar novos ares após um ano muito complicado no Parque São Jorge. A nova casa lhe receberá com pompas: o campeão da Libertadores presenteia Fernando Diniz com um novo craque.

Renato e Fluminense se acertaram em um contrato de dois anos, onde o primeiro tem metas que serão facilmente alcançadas pelo jogador. O pedido foi de Diniz e a conversa foi com o presidente Mário Bittencourt, mas vários fatores influenciaram no encaixe quase perfeito de clube e atleta.

A começar pela história. Renato Augusto é criado na Tijuca, um bairro clássico do Rio de Janeiro, onde cresceu e se desenvolveu. Antes de subir aos profissionais pelo arquirrival Flamengo, o meia, ainda ala, foi um excelente jogador de futsal. Passou pelo Flu, onde vestiu a camisa 10. Mas acabou saindo de lá e tomando outro rumo. Agora, se reencontram.

Renato Augusto é tudo o que Diniz gosta em um jogador, e o Fluminense lhe deu

A admiração entre treinador e jogador é mútua. Em vários momentos, Fernando Diniz definiu assim, como craque, o camisa 8 do Corinthians, agora jogador do Fluminense — o anúncio oficial ainda não foi feito.

Renato pensa em continuar no futebol após a carreira. Talvez como treinador. E é fã de Diniz. O histórico também volta à tona por aqui. O técnico é um crítico inverterado dos rótulos no futebol. Após um ano de lesões e já aos 35 anos, muitos tratam o meia, um jogador que já foi da Seleção Brasileira, como acabado.

O Fluminense tem feito movimentos contrários, mesmo antes da filosofia do treinador. Aposta em jogadores que podem não viver seu apogeu em fases recentes, mas que podem contribuir. Foi assim com Cano, Ganso, Marcelo, Felipe Melo e Fábio, alicerces do time campeão da América. Renato Augusto será mais um.

O meia talvez seja a epítome do que pensa Fernando Diniz. Um jogador que vai de área à área, cria, se desloca, arma e finaliza. Saberá se adequar ao “Dinizismo”, com toda certeza. Depois de alguns anos em que Renato esteve um pouco abaixo do seu alto nível, o Fluminense aposta que conseguirá tirar dele o futebol que sabe. O técnico que se vire para colocar todos para jogar.

Salário mais baixo no Fluminense e Filé são decisivos em acerto

O Fluminense só não conseguiria arcar com o alto salário que Renato Augusto recebia no Corinthians. Os R$ 800 mil mensais estão acima do que o Tricolor poderia pagar, e que acredita que deveria, também, neste momento. Aqui, entra também a cabeça diferenciada do jogador. O dinheiro não foi entrave em nenhuma hora, só foi discutido no fim. E sem problemas.

Renato Augusto com Gil e Paulinho no CT Carlos Castilho, em 2016 - Foto: Nelson Perez / Fluminense FC
Renato Augusto com Gil e Paulinho no CT Carlos Castilho, em 2016 – Foto: Nelson Perez / Fluminense FC

Renato ganhará menos que no Corinthians, mas ainda um bom salário. Voltará a morar no Rio de Janeiro, perto de sua família e dos seus amigos de infância. Jogará em um time que disputará títulos também em 2024 — e 2025, já classificado ao novo Mundial de Clubes daquele ano. E que pode lhe proporcionar, além de novos ares, renovação na parte física.

Nilton Petrone, conhecido como Filé, é para muita gente o papa da fisioterapia. Foi ele quem recuperou Ronaldo após as seguidas lesões no joelho, e que a partir disso se tornou um profissional requisitado pelo mundo. No Brasil, após andanças, realizou seu sonho de modernizar o clube de seu coração, o Fluminense. E no CT Carlos Castilho, ele agora terá a missão de dar mais anos de saúde e bom futebol para Renato Augusto, que já tratou no passado. Filé fez diferença no acerto.

Nilton Petrone, o Filé, foi decisivo para acerto de Renato Augusto com o Fluminense - Foto: Marcelo Gonçalves/FFC
Nilton Petrone, o Filé, foi decisivo para acerto de Renato Augusto com o Fluminense – Foto: Marcelo Gonçalves/FFC

Relação de Mario e agente ajuda por acerto com o Fluminense, que foi rápido

Renato Augusto priorizou o Corinthians até o fim. Identificado, aguardou uma posição após as eleições para saber os planos que o clube teria para ele. Sem muita atenção, se frustrou. O Fluminense já estava na espreita.

A boa relação do presidente Mário Bittencourt com o empresário Carlos Leite, que comanda a carreira de André e outros jogadores que pertencem ao Flu, também fez diferença. Os dois se falaram e o mandatário entrou em contato com o jogador de maneira direta. Não apresentou projetos mirabolantes, mas o desejo de ter o meia no Tricolor.

Renato Augusto marcou contra o Fluminense na Copa do Brasil em 2022 - (Foto: Divulgação/Copa do Brasil)
Renato Augusto marcou contra o Fluminense na Copa do Brasil em 2022 – (Foto: Divulgação/Copa do Brasil)

Todos os fatores se uniram para que o encaixe fosse perfeito entre Fluminense e Renato Augusto. O desejo e a vontade do jogador de atuar em alto nível encontraram um local que valoriza o lado humano e a história de carreira dos atletas. As ideias bateram, e agora, o Flu espera que o meia e o Dinizismo tenham na prática o casamento perfeito que a teoria apresenta.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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