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Punição a Corinthians e Vasco é só mais um erro em sucessão deles

As brigas entre torcedores do Corinthians e do Vasco, nas arquibancadas do Mané Garrincha, dificilmente passariam impunes, pelo menos em primeira instância. Não só pela violência, mas também pela intensa cobertura da mídia. As imagens mostradas pela televisão contrapunham os responsáveis pela confusão com famílias apavoradas. Porém, a pena imposta pelo STJD é apenas mais uma decisão questionável na sucessão de erros cometida mesmo desde antes do início da partida.

Afinal, qual a punição que será dada aos organizadores da partida? A opção por não separar corintianos e vascaínos foi uma falha sem tamanho. O fato de serem dos times de estados diferentes não significa a ausência de problemas, já que a rivalidade entre torcidas organizadas dos clubes é imensa. Prever  brigas fora do estádio era o óbvio, quanto mais em arquibancadas livres para circulação.

Outro erro grotesco vem na impunidade. Penalizar os clubes é o caminho mais fácil para demonstrar ação. Mas e os responsáveis pela briga? Esses, passarão ilesos. Exceção feita aos três corintianos envolvidos no caso da Bolívia, nenhum outro torcedor que participou da confusão foi identificado. Permanecerão assim, prontos para frequentar estádios o quanto quiserem e para protagonizar a violência quanto bem entenderem.

E a própria decisão do STJD, em si, é banal. Dos quatro jogos com portões fechados dados a Corinthians e a Vasco, dois poderão contar com torcida visitante. Porque, assim como confiaram que a falta de divisórias não atrapalharia, também acham que a proibição de torcedores do clube anfitrião irá barrá-los de se infiltrar entre aqueles que têm passe livre. Além do mais, Corinthians e Vasco podem muito bem aumentar o número de ingressos para os visitantes e, assim, facilitar a vida de quem quiser burlar a pena.

No fim das contas, a punição parece apenas uma questão de imagem. Diante da repercussão sobre o caso, o STJD quer parecer duro para agradar a opinião pública, passar a impressão de que está sendo efetivo contra a violência nos estádios. No entanto, não será nada surpreendente se a justiça desportiva amolecer na revisão da pena, algo que não é incomum em suas posições. Aliás, já há uma brecha imensa para o efeito suspensivo.

Segundo o blogueiro do UOL Rodrigo Mattos, somente a CBF tem o direito de aplicar a pena. E nem mesmo a determinação de jogar com os portões fechados pode imposta, já que foi abolida em 2009 – atualmente, o regulamento indica apenas a perda do mando de campo. Erro após erro, quem perde é o próprio futebol brasileiro, com a ausência de torcedores intimidados. E a maior culpa é das autoridades, pela incompetência na hora de combater a violência.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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