Brasil

Dez anos após rebaixamento polêmico, Portuguesa tenta se reconstruir na elite do Campeonato Paulista

Portuguesa correu sérios riscos de falir após descenso, mas aos poucos tenta retomar seu lugar no cenário nacional

No dia oito de dezembro de 2013, Portuguesa e Grêmio se enfrentaram no Estádio do Canindé pela última rodada do Brasileirão daquele ano. O empate por 0 x 0 manteve a Lusa longe de qualquer risco de rebaixamento, já que o time da capital paulista encerrou o campeonato na 12ª colocação, com 48 pontos. Mas a escalação irregular do meia Heverton, ex-Corinthians, julgado e suspenso dois dias antes do confronto, mudaria a história daquela competição – e da própria Portuguesa.

O jogador entrou aos 33 minutos do 2º tempo, quando o jogo já se encaminhava para um empate sem muitas emoções. O resultado não valeu de muita coisa para a Portuguesa, muito menos para o Grêmio, vice-campeão do Brasileirão em 2013. O que ninguém esperava era que a Lusa seria punida severamente com a perda de quatro pontos por conta da escalação irregular de Héverton, o que alterou a classificação da competição, fazendo o time paulista cair para a 17ª posição, sendo rebaixado, e tirando o Fluminense do Z4.

A confirmação da punição à Portuguesa veio no dia 16 de dezembro, uma semana após a conclusão do Brasileirão de 2013, e, apesar do presidente da Lusa, Manuel da Lupa, ter entrado com recurso contra a decisão e ter feito uma investigação interna pesada na época para tentar reverter o quadro, a tradicional equipe de São Paulo foi rebaixada e nunca mais voltou para a elite do futebol brasileiro, mais do que isso, ficou próxima de fechar suas portas por conta da crise financeira que assolou o clube.

Por que a Portuguesa foi rebaixada em 2013?

O meia Héverton foi suspenso em julgamento na sexta-feira que antecedeu o jogo diante do Grêmio, no dia seis de dezembro. Como entrou em campo diante do Tricolor no domingo, a Lusa foi denunciada por meio de uma nota de infração enviada pela CBF ao STJD. O clube paulista foi denunciado no artigo 214 (Incluir na equipe, ou fazer constar da súmula ou documento equivalente, atleta em situação irregular para participar de partida, prova ou equivalente), cuja pena é a previsão de perda de três pontos, mais o que foi conquistado na partida em questão, no caso, o ponto do empate, somando quatro pontos de punição.

Com isso, a Portuguesa ficou com 44 pontos, sendo ultrapassada pelo Fluminense, que saiu da 18ª posição para a 15ª. Em sua defesa, o departamento jurídico da Lusa, alegou que o clube não tinha intenção alguma de cometer alguma irregularidade, já que não tinha mais nenhuma ambição dentro do Brasileirão. Além disso, Héverton atuou poucos minutos diante do Grêmio e sua participação não teve impacto algum no resultado da partida.

O relator do caso na época, Felipe Bevilacqua, em seu voto, que foi contrário a Portuguesa, considerou a necessidade de cumprir as leis independentemente do impacto na tabela. Seu voto foi acompanhado por todos os integrantes da 1ª Comissão Disciplinar do STJD, presidida por Paulo Valed Perry. João Zanfrolin, conhecido advogado no meio esportivo por representar o Corinthians em outras oportunidades, foi o responsável por defender a Portuguesa neste caso.

Em seu depoimento, focou no fato da Lusa não ter nenhuma intenção em praticar algum ato irregular com a escalação de Héverton, citando que a partida diante do Grêmio já não tinha mais nenhuma importância, tendo em vista que a situação dos clubes estava resolvida. Além disso, o advogado ainda chamou a atenção para o fato da necessidade de manutenção do resultado obtido em campo. Zanfrolin ainda alegou que a lei deveria ser interpretada de outra forma, já que o rebaixamento da Portuguesa seria uma pena muito pesada para o tamanho da transgressão.

– A quatro meses da Copa do Mundo (de 2014), o resultado do campo de jogo pode ser modificado. E, se há uma coisa que me revolta, são os “hermanos” fazendo gracinha: “Será que, se ganharmos, pode ter alguma coisa fora do campo e perdermos o título?” – comparou João Zanforlim, com algumas notícias de jornais argentinos que repercurtiram o caso.

Os bastidores dos últimos momentos da Portuguesa na Série A de 2013

Héverton foi expulso diante do Bahia, na 36ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2013 após considerar injusta a quantidade de minutos de acréscimos dado pelo árbitro Ricardo Marques Ribeiro. A Lusa foi derrotada pelo placar de 1 x 0 e o jogador recebeu cartão vermelho direto por infringir o artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva que diz “assumir conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva”. A pena para este tipo de conduta é de uma a seis partidas.

Suspenso contra a Ponte Preta na rodada seguinte, ninguém da comissão técnica da Portuguesa tinha conhecimento que o gancho tomado pelo meia poderia chegar a mais de um jogo, o que foi confirmado no dia seis, após julgamento que puniu Héverton com mais uma partida de suspensão, o confronto diante do Grêmio. A falta de comunicação entre Valdir da Rocha Silva, responsável por informar sobre as suspensões dentro do clube e a comissão técnica do time foi a responsável direta por todo o imbróglio que resultou no descenso da Lusa.

Héverton não seria relacionado para o jogo pelo técnico Guto Ferreira, já que Wanderson seria titular, e Carlos Alberto, o reserva na última rodada do Brasileirão, porém, Souza acabou sentindo uma lesão no adutor da coxa, jogou no sacrifício contra a Ponte Preta e foi poupado na última rodada. Sem saber de nada, o treinador da Portuguesa relacionou o meia de forma irregular e ainda deu alguns minutos ao jogador no final da partida.

Como o rebaixamento afetou a Lusa pós 2013?

Apesar dos esforços do clube em investigar os reais motivos que levaram a queda do time em 2013, nada foi provado, a não ser uma incrível falta de comunicação assertiva, que prejudicou e muito a Portuguesa. O caso Héverton foi arquivado em 2016. Desde que foi rebaixada, a Lusa não parou mais de cair, chegou a disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, mas foi rebaixada para a 4ª divisão nacional e acabou ficando sem calendário nacional por conta das péssimas campanhas que fez em âmbito estadual.

A Portuguesa disputou por vários anos o Campeonato Paulista da Série A2, até conseguir o acesso em 2022, e por pouco não foi rebaixada novamente este ano. Com a permanência na elite do futebol estadual, a intenção da Lusa era chegar até a final da Copa Paulista para tentar angariar uma vaga na Copa do Brasil ou no Campeonato Brasileiro da Série D – mas nada feito. Eliminada na semifinal para o Grêmio Prudente, a tradicional equipe paulista terá mais uma chance de disputar a Copa Paulista em 2024 para tentar aumentar seu calendário de jogos em 2025.

A estreia da Portuguesa no Campeonato Paulista está prevista para acontecer no dia 21 de janeiro. A Lusa encara a Inter de Limeira no Estádio major José Levy Sobrinho. O horário do jogo ainda será confirmado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

 

 

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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