Brasil

A briga Nike-Adidas pela camisa amarela é bobagem

Esqueça a versão oficial. Ela diz que o Palmeiras lançou uma camisa verde-amarela com calção azul como homenagem ao jogo em que o clube paulista representou a Seleção em um amistoso contra o Uruguai como parte dos eventos da inauguração do Mineirão. Fica bonito falar dela, dá uma justificativa histórica para um motivo bem menos futebolístico e bem mais capitalista.

É óbvio que o objetivo da Adidas e do Palmeiras ao lançarem uma versão amarela do uniforme é fazer que palmeirenses torçam pelo Brasil na Copa do Mundo com uma camisa de seu clube, e não a da Seleção em si. A Nike não gostou, porque potencialmente deixará de vender algumas camisas da Seleção para que palmeirenses usem o amarelo de seu clube. É por isso que ela ameaça processar a Adidas.

Mas o fabricante norte-americano também não pode reclamar, pois ele próprio indicou que faria o mesmo quando saiu a informação que a camisa 3 do Corinthians em 2014 seria amarela (no caso, a tal versão oficial era “homenagear a Seleção, que jogaria no estádio alvinegro na abertura da Copa). Só que, no caso, os corintianos que deixariam de comprar camisas do Brasil gastariam seu dinheiro com a Nike do mesmo jeito.

Ou seja, essa briga entre as duas empresas é boba, porque ambos só queriam passar para os clubes uma parte do dinheiro que o torcedor pretende gastar para empurrar a Seleção na Copa. E, convenhamos, não há nada de original na ideia de fazer camisa misturando Brasil e clubes. Em época de Mundial, camelôs do centro de São Paulo vendem versões piratas da camisa da Seleçaõ com distintivos dos clubes há décadas.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo