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Perguntamos à fabricante como é produzida a bola que estará em 11 estaduais em 2017

A bola se tornou objeto de discussão apaixonada no futebol com ainda mais intensidade que antes depois de 2010, quando se reclamou demais da bola utilizada na Copa do Mundo. Já vieram muitos modelos depois daquele e, diante da apresentação da bola que será usada em 11 campeonatos estaduais em 2017, aproveitamos a chance de perguntar à fabricante algumas dúvidas que tínhamos sobre como as bolas são produzidas.

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A Penalty tem contrato para ser a bola oficial dos campeonatos estaduais de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco, Pará, Bahia, Rio Grande do Norte, Amazonas e Sergipe. Em novembro, a empresa apresentou o modelo S11, que será usada nos campos destes estados em seus respectivos campeonatos.

A pedido da Trivela, Rodrigo Apolinário Perregil, gerente de produtos da categoria Bolas e Equipamentos da Penalty, respondeu às perguntas sobre a fabricação da bola, diferença entre pisos, a presença de gramados sintéticos e até a fabricação no exterior. Claro, também falamos das mudanças de trajetória e as transformações que a indústria passou nos últimos 30 anos.

Confira a entrevista:

Trivela: Qual é o principal desafio de uma marca quando vai produzir uma bola de futebol?

Penalty: O primeiro passo é entendermos a necessidade de cada consumidor. Quando pensamos em bola, há inúmeras e diferentes necessidades de acordo com a modalidade (futebol de campo, futsal, vôlei etc), local da prática esportiva (quadra fechada, campo de várzea, escola etc) e perfil do atleta (profissional, amador, recreação etc). Conhecendo bem essas características, passamos para fase de materializar um produto que corresponda adequadamente a cada uma das necessidades. 

Trivela: Nas últimas décadas, vimos uma mudança muito grande no ramo de materiais esportivos. As pesquisas sobre materiais e componentes fizeram com que tudo que era usado até o início dos anos 1990 se tornasse obsoleto atualmente, inclusive nas bolas de futebol. O que mudou no processo de produção de bolas de futebol nos últimos 20 anos? 

Penalty: No final da década de 80, materiais sintéticos, como o poliuretano, passaram a ser utilizados na produção das bolas iniciando a substituição dos materiais naturais como o couro, tornando-as mais leves e duráveis do que as bolas anteriores a essa data. Entretanto, as bolas continuavam a ser costuradas a mão e as costuras permitiam a absorção de água, deixando a bola mais pesada em dias de chuva e podiam contundir os atletas, principalmente nas jogadas de cabeçada. Nos anos 2000, esse problema foi resolvido. Foram lançadas as bolas sem costura, em que os gomos são unidos pelo processo de termofusão. Essas bolas não absorvem água, são mais esféricas, leves e macias, reduzindo significativamente o impacto nos atletas. 

Trivela: Uma das reclamações que se tornaram frequentes nos últimos anos – especialmente após 2010 – foi que as bolas mais modernas são muito leves e mudam muito de trajetória. Vimos isso acontecer com muitas marcas ao longo do tempo e esse tipo de reclamação se tornou frequente. Como chegar a um resultado satisfatório em relação a isso? 

Penalty: Em relação ao peso, a Penalty respeita rigorosamente as especificações da Federação internacional da modalidade. No caso do Futebol de Campo e Futsal, a Fifa. Quanto ao desvio de trajetória, a Penalty se preocupa muito com a estrutura interna da bola, utilizando materiais nobres na confecção do produto. Antes de oficializar um lançamento, o produto é exaustivamente testado com atletas profissionais da modalidade, a fim de chegarmos no melhor produto possível. Ninguém melhor do que o atleta/consumidor para avaliar se o nosso produto atende ou não a necessidade existente. 

Trivela: A Penalty consulta jogadores para fazer os testes com as bolas de futebol que produz?

Penalty: Sim. Todos nossos produtos passam por testes, tanto com atletas como por máquinas desenvolvidas para essa finalidade. Esses testes são o primeiro termômetro que temos ao desenvolver um produto. Caso a bola não atinja a performance desejada no teste, ela volta para o desenvolvimento. Nesses testes, avaliamos diversos pontos que vão desde o conforto do produto, precisão da bola durante um chute, desempenho da bola em toques curtos e lançamentos de longa distância, entre outros.

Trivela: Vemos atualmente uma tendência maior a termos campos de grama sintética no futebol profissional. O Atlético Paranaense, por exemplo, já tem um estádio inteiramente com grama artificial e outros, como a Arena Corinthians, trazem um tipo de grama muito rápida. Isso muda alguma coisa quando se trata de fabricas as bolas de futebol?

Penalty: Hoje trabalhamos com matérias primas especiais para bolas destinadas a grama sintética. Esse tipo de piso, além de tonar a bola mais rápida, também tem uma abrasão maior ao laminado. Para o caso dos campos oficiais como o da Arena Corinthians, em que é utilizado um piso de grama hibrida, com aproximadamente 94% de grama natural, estamos estudando e testando novas estruturas de bolas para manter a performance adequada da bola a esse novo piso. 

Penalty S11
Penalty S11

Trivela: A maioria das marcas de material esportivo usa fábricas ao redor do mundo para produzir e baixar o custo. Como é o processo da Penalty? Usa alguma fábrica no exterior?

Penalty: Somos uma marca 100% brasileira e 98% de nossa produção de bolas é feita internamente. Apenas alguns modelos específicos são produzidos em fabricas da Ásia. Toda fábrica fora do Brasil, para produzir qualquer produto Penalty, precisa passar por uma série de homologações onde são averiguados todos os detalhes de qualidade de produção e também asseguradas as condições de trabalho. Essa produção externa é acompanhada e todo lote antes de ser embarcado é vistoriado para evitar qualquer problema de qualidade.

Trivela: Entre os nossos leitores, muitos perguntam sobre as versões da bola de futsal e futebol society. Quais as principais diferenças em relação a produzir uma bola como essa e as bolas de campo?

Penalty: O processo de fabricação de bolas society, futsal e campo são bem distintos. Toda a estrutura e as matérias-primas da bola mudam de acordo com a modalidade destino. Tudo isso para garantir as necessidades básicas de cada modalidade. Exemplo: bolas de futsal possuem um tamanho menor que das outras duas modalidades e devido ao piso ser mais rígido, precisa ter um quique menor para maior controle do atleta. No futsal, por ser uma modalidade praticada em uma quadra menor que o campo, o impacto da bola com o atleta também costuma ser maior, por isso a bola precisa ter um maior conforto, evitando assim contusões ao praticante por causa desse contato. No society, também encontramos diferenças semelhantes e nesse caso ainda temos o agravante da grama sintética que gera uma abrasão muito grande à bola, exigindo assim materiais específicos para resistir a essa característica de piso.

Trivela: Por fim, qual será a principal diferença que os jogadores profissionais e aqueles que usarem a bola, mesmo de forma amadora, irão sentir neste novo modelo (S11)?

A S11 Campo Pró conta com a tecnologia Precision, exclusiva da Penalty. Essa técnica é inspirada na bola de golfe e traz para a superfície da bola cavidades que reduzem a resistência ao ar. Assim, apesar de leve, a S11 é precisa, ela flutua menos e não desvia a trajetória.

E aí, o que acharam? Diga aí nos comentários

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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