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Paulinho respondeu as críticas com sua maior virtude: a presença de quem sabe ser decisivo

Em meio ao mar de rosas que vivia a Seleção desde a chegada de Tite, Paulinho era um dos poucos alvos de críticas. O apego do treinador aos antigos comandados sempre abriram a indagação se existiam opções melhores. Além disso, diferentemente de Renato Augusto, o meio-campista do Guangzhou Evergrande não fazia atuações tão exuberantes, ou mesmo relevantes, exceção feita aos 3 a 0 sobre a Argentina no Mineirão. Nesta quinta, contudo, Paulinho peitou os céticos ao arrebentar no Estádio Centenário. Com Neymar voando, talvez não tenha sido o melhor em campo. Mas foi mais decisivo do que qualquer outro na goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai. Tornou-se o primeiro jogador da história a marcar uma tripleta contra a Celeste em Montevidéu.

Predileção ou não, é necessário entender que Paulinho tem características importantes para o esquema de Tite. Possui capacidade física para o jogo intenso proposto pelo treinador, se empenha na marcação, é eficiente para o jogo aéreo nas duas áreas, agrega demais com suas aparições como elemento surpresa no ataque. E, diante dos uruguaios, apareceu mais do que nunca na carreira, anotando três gols pela primeira vez. Essencial para a reação do Brasil e para aquilo que a equipe vem apresentando. Como em outros momentos da trajetória do jogador, cresceu na maior exigência.

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O primeiro gol, sobretudo, enfatiza o talento de Paulinho. Um chutaço no meio da rua, que trouxe alívio à Seleção em um jogo que poderia ser bem mais complicado, depois que o Uruguai abriu o placar. Já no segundo tempo, deixou evidente o seu oportunismo. Preencheu os espaços e aproveitou o rebote para concretizar a virada. Até aparecer de maneira constante na área para definir a goleada, nos acréscimos. Depois de ficar no quase, fechou a conta com estilo, completando com o peito o cruzamento milimétrico de Daniel Alves.

Em sua função no meio de campo, Paulinho fez o básico. Com Casemiro em excelente forma na cabeça de área, o camisa 15 guardou posição sem ser tão exigido na marcação e manteve a segurança na saída de jogo. Mas, no final das contas, pesam muito mais os lances nos quais decidiu. Se em outros momentos Renato Augusto teve mais liberdade para avançar ao ataque, desta vez os companheiros inverteram os papéis. E a potência de Paulinho, de diferentes maneiras, preponderou – seja em seu chute, na aceleração para chegar à área ou na presença física.

Os três gols em Montevidéu não significam que Paulinho é intocável. Pelo contrário, o questionamento contínuo se faz natural, diante do nível de exigência menor do Campeonato Chinês, até por outras opções disponíveis a Tite. O meio-campista precisa se provar de maneira constante e fez isso contundentemente. Mas não dá para negar suas virtudes. E os três gols são importantes para relembrar ele não é o jogador dispensável que muitos apontam. De fato, o camisa 15 ficou devendo na Copa do Mundo de 2014 e em algumas outras ocasiões. A um atleta de sua posição, cobra-se participatividade. E, para o seu futebol aparecer, ele também depende da própria intensidade. No Estádio Centenário, todos viram como Paulinho estava ligado no jogo. Principalmente os uruguaios, de um jeito que não gostariam.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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