Pato, São Paulo e suas constantes batalhas contra a irregularidade
O domingo era de volta de Kaká ao Morumbi, depois de 11 anos. O São Paulo tinha o Vitória pela frente, que vinha de duas vitórias, mas também sofre com a irregularidade. A festa era de Kaká, mas quem chegou para participar foi Alexandre Pato. O atacante vive de altos e baixos – e mais baixos – desde que voltou ao futebol brasileiro no Corinthians. Na noite deste domingo, ele fez uma excelente partida, marcou dois gols e chamou a atenção pela boa atuação, mais do que técnica, mas de disposição. Isso não tem faltado ao atacante, que com os gols, ganhou confiança e fez uma partida digna do que se espera de um atacante como ele. Foram dois gols nos 3 a 1 contra o Vitória, com boa atuação de seus companheiros Ganso, Kaká e Alan Kardec.
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O São Paulo veio com uma formação com Kaká atuando mais pelo lado esquerdo, Ganso mais pelo lado direito e Pato e Kardec na frente. Vale destacar que Paulo Henrique Ganso foi, mais uma vez, um destaque do time. Aproveitou um erro bizarro de Alemão no primeiro tempo para tomar a bola e passar com açúcar e com afeto para Pato só empurrar para as redes. Ganso ajudava a fechar o lado direito, caía pelo meio quando o espaço aparecia e dá sempre qualidade nos seus passes.
Kaká foi bastante participativo, embora não tenha feito uma partida brilhante. É um jogador inteligente, dá movimentação ao time e ajuda a dar velocidade quando necessário, mas também a manter a posse de bola quando é preciso. Alan Kardec sentiu lesão no primeiro tempo, e fazia boa partida – tinha inclusive marcado um gol. A entrada de Osvaldo mudou um pouco o posicionamento do time, deixando Pato mais centralizado. Mesmo assim, o atacante se movimentou, buscou jogo e quase marcou um golaço no segundo tempo em um chute colocado.
Pato vive um problema que é também o problema do São Paulo: a batalha contra a irregularidade. Está claro que os elogios feitos depois da volta da Copa do Mundo, por causa da vitória tranquila do time sobre o Bahia, fora de casa, foram exageros. O São Paulo tem qualidade ofensiva, mas ainda está tentando encontrar um jeito de jogar. Varia de um 4-4-2, com Ganso e Kaká fechando os lados no meio-campo e Kardec e Pato na frente, para um 4-2-3-1, com Kardec ou Pato abrindo por um dos lados e Kaká ou Ganso centralizando. O time tem variações, mas falha demais ainda, especialmente na defesa. O gol sofrido do Vitória foi uma falha bizarra. A defesa saiu para deixar os jogadores do Vitória em impedimento, mas saiu errado, deixou o zagueiro Cadu em posição legal e ele aproveitou.
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O São Paulo é um time cheio de potencial, mas ainda é instável e sofre defensivamente. A movimentação dos jogadores de frente tem melhorado e a presença de jogadores inteligentes como Kaká, Ganso e Alan Kardec ajudam a melhorar isso. Alexandre Pato mostrou futebol, mas precisa mostrar sempre. Ser um grande jogador de vez em quando não é suficiente. Ganso, que vivia do mesmo problema, passou a ser um jogador muito mais regular, tanto que já é o jogador com mais passes para gol no Campeonato Brasileiro, com seis, à frente de Éverton Ribeiro, do Cruzeiro, Natanael, do Atlético Paranaense, e Osvaldo, do próprio São Paulo.
O São Paulo é um time que parece estar vestindo uma roupa larga. Ainda faltam ajustes, mas dá para ser um time melhor. Não tomar tantos gols de bolas paradas é um começo. Melhorar o ajuste ofensivo para não perder gols como foi contra o Criciúma é outro. Contra o Vitória, tudo funcionou. É preciso fazer funcionar mais vezes, em mais jogos. Aí sim o time pode pensar em brigar por algo mais do que o atual quinto lugar.



