Pan-Americano 2023: entre glórias e fracassos históricos, Seleção Brasileira busca retomar protagonismo no Chile
Sob o comando de Ramon Menezes, Seleção Brasileira masculina lutará por medalha de ouro que não vem desde 1987
Depois de ficar de fora em 2019, a Seleção Brasileira masculina de futebol volta a disputar uma edição do Pan-Americano. Neste ano, a competição acontecerá em Santiago, no Chile, entre 20 de outubro e 5 de novembro, e a Canarinho, comandada pelo técnico Ramon Menezes, acerta os últimos detalhes antes de estrear diante dos Estados Unidos.
Referência quando o assunto é futebol, o Brasil faz jus a essa tradição no Pan-Americano, no entanto, não é a seleção com mais medalhas na história do torneio. Este posto pertence a Argentina, que acumula sete ouros, dois pratas e três bronzes. A Amarelinha, por sua vez, já conquistou quatro ouros (1963, 1975*, 1979 e 1987), três pratas (1959, 1983 e 2003) e um bronze (2015). Após frustrações nas últimas edições do Pan, o país do futebol espera retomar o protagonismo e voltar ao pódio, de preferência, no ponto mais alto dele.
Com o Pan-Americano batendo na porta, resolvemos relembrar algumas campanhas marcantes da Seleção Brasileira na competição. Dito isso, trouxemos à tona as quatro medalhas de ouro da Canarinho, além da frustrante participação em 2007, no Rio de Janeiro, e a não classificação para edição de 2019, sediada em Lima, no Peru.
São Paulo, 1963: o primeiro ouro do futebol foi conquistado em casa
Na quarta edição dos Jogos Pan-Americanos, em 1963, o Brasil aproveitou o fato de atuar em casa (São Paulo) e conquistou sua primeira medalha de ouro no futebol masculino. A Amarelinha disputou todas as partidas da campanha no Parque São Jorge, então estádio do Corinthians. Tudo começou no dia 24 de abril daquele ano, com vitória de 3 a 1 sobre o Uruguai. Aírton (2x) e Othon Valentim marcaram para os canarinhos, enquanto Varelas descontou do lado celeste.
Quatro dias depois, goleada histórica brasileira. 10 a 0 nos Estados Unidos, com sete gols de Aírton, marca que é recorde até hoje com a camisa amarela. Othon Valentim, Nené e Jairizinho completaram o placar elástico. O terceiro adversário foi o Chile, e o roteiro se repetiu: vitória dos brazucas. Dessa vez, por um protocolar 3 a 0. Jairzinho, Othon e Aírton anotaram os tentos.
A decisão foi contra a arquirrival Argentina e teve contornos dramáticos. O Brasil jogava pelo empate, e foi isso que aconteceu. Com o 2 a 2 no placar, a Canarinho ficou com a medalha de outro, no dia 4 de maio de 1963. Aírton e Othon abriram 2 a 0, mas os hermanos empataram com Oleniak e Manfredi.
O esquadrão brasileiro, que faturou a primeira medalha de ouro para o país nos Jogos Pan-Americanos, contava com a seguinte formação: Hélio (Botafogo), Carlos Alberto Torres (Fluminense), Zé Carlos (Botafogo), Adevaldo (Botafogo) e Riva (Fluminense); Íris (Fluminense) e Nenê (Santos), depois Evaldo (Fluminense); Jairzinho (Botafogo), Arlindo (Botafogo), Aírton (Flamengo) e Othon Valentim (Botafogo).

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Cidade do México, 1975: falta de luz ‘obrigou’ Brasil e México a dividirem medalha de ouro
Em 1975, Brasil e México protagonizaram um dos momentos mais inusitados da história do futebol nos Jogos Pan-Americanos. Naquela edição, as duas seleções fizeram a final do torneio, e a partida não teve um fim.
As duas equipes chegaram à decisão invictas e com vitórias para lá de convincentes. O México havia feito 6 a 1 em Trinidad e Tobago, 7 a 0 na Costa Rica e 8 a 0 no Canadá. Já o Brasil, de Edinho e Cláudio Adão, aplicou 7 a 0 em Trinidad e Tobago, 6 a 0 na Bolívia e 14 a 0 na Nicarágua. Apesar do festival de gols de ambos os lados, na grande final, brazucas e mexicanos foram derrotadas por um problema técnico.
O México inaugurou o marcador aos 22 minutos do segundo tempo, com Tápia. Tudo parecia caminhar para a vitória dos donos da casa, mas Cláudio Adão resolveu entrar em ação no apagar das luzes. Com 41′ no relógio, o atacante cobrou pênalti, deixou tudo igual e levou o duelo para a prorrogação. No tempo extra, o Brasil começou melhor e parecia mais perto do segundo gol. Até que boa parte dos refletores do estádio Azteca, que contava com mais de cem mil pessoas presentes, se apagaram. A partida ainda continuou, porém, minutos depois, uma nova queda de luz piorou as condições.
O jogo não pôde prosseguir e ficou definido que tanto Brasil quanto México receberiam a medalha de ouro. O problema era a quantidade, assim cada equipe saiu com metade de seus atletas com uma medalha de ouro e outra metade com a de prata no peito.

San Juan, 1979: Brasil derrota Cuba na final e fatura terceiro ouro
A oitava edição do torneio de futebol dos Jogos Pan-americanos foi disputada em San Juan, capital de Porto Rico, de 2 a 14 de Julho de 1979. Nove seleções divididas em três grupos de três disputaram a primeira fase em pontos corridos, com o Brasil defendendo o título (México não se classificou para os jogos).
Após a fase preliminar, houve uma segunda fase com seis equipes divididas em dois grupos de três. O primeiro de cada chave garantia vaga na final. Para chegar na decisão, a Seleção Brasileira superou Cuba (1 a 0), Guatemala (2 a 0), Costa Rica (3 a 1) e Porto Rico (5 a 0).
Na finalíssima, a Canarinho enfrentou Cuba e não tomou conhecimento. Com gols de Wagner Basílio, Silva e Gilcimar, o time brasileiro triunfou por 3 a 0 e faturou sua terceira medalha de ouro em Jogos Pan-Americanos.
Escalação brasileira contra Cuba na final: Luís Henrique (Ponte Preta), Valdoir (Grêmio), Luis Cláudio (Botafogo), Wagner Basílio (Corinthians) e Edson Boaro (Ponte Preta); Vítor (Flamengo), Cléo (Internacional), Jérson (Botafogo) e Gilcimar (Fluminense); Silva (Botafogo) e Silvinho (América-SP).
Indianápolis, 1987: a última vez que o futebol masculino brasileiro esteve no topo do pódio
Em 1987, a Seleção Brasileira era dirigida por Carlos Alberto Silva. De olho no Pan-Americano daquele ano, o treinador convocou o elenco com base na equipe que havia conquistado o Pré-Olímpico no mês de abril. Entretanto, clubes como Flamengo e Vasco não liberaram seus atletas, e o plantel brazuca acabou ficando desfalcado. Romário e Bebeto, por exemplo, não foram ao torneio em Indianápolis.
Mesmo com ausências importantes, a Canarinho contava com jogadores de peso, como: Taffarel, Ricardo Rocha, Valdo, André Cruz, Pita, Evair, entre outros. Na estreia, vitória tranquila por 4 a 1 sobre o Canadá, com gols de Evair, Nelsinho, Tony (contra) e João Paulo. Neil fez o único tento dos canadenses. Na segunda partida, o Brasil também triunfou sem sustos. Careca, André Cruz e Washington balançaram as redes cubanas e a Amarelinha venceu por 3 a 1.
O terceiro jogo era o mais difícil da primeira fase. Os brazucas enfrentariam o Chile, que um mês antes do Pan-Americano tinha sido o algoz da seleção na Copa América, com uma sonora goleada de 4 a 0. Na ocasião, Carlos Alberto Silva optou por poupar alguns titulares, já que a Amarelinha já havia assegurada vaga para as semifinais. Em partida amarrada, chilenos e brasileiros empataram sem gols.
Na semifinal, o Brasil teria o forte time do México pela frente. O duelo foi truncado e marcado por lances violentos de ambos os lados. O árbitro da partida distribuiu, ao todo, sete cartões amarelos e expulsou o brasileiro Ademir e o mexicano España. Com o 0 a 0 no tempo normal, o embate se estendeu para a prorrogação. Foi então que a estrela de Evair brilhou. Oportunista, o atacante marcou o gol que deu a vitória e a classificação à grande decisão.
No dia 21 de agosto, a Seleção Brasileira entrava em campo em busca da medalha de ouro. Quis o destino que o adversário na final fosse o Chile. Em novo confronto violento dentro das quatro linhas, as equipes não saíram do 0 a 0. Na prorrogação, Washington e Evair decidiram, e a Canarinho faturou o ouro em terras norte-americanas.

O fracasso no Pan de 2007, no Rio de Janeiro
Em 2007, o Rio de Janeiro se preparava para receber os Jogos Pan-Americanos. O torneio era o primeiro de um ciclo de grandes eventos a serem disputados na Cidade Maravilhosa. A capital fluminense receberia ainda a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa América de 2019.
O Brasil tinha a oportunidade de conquistar a medalha de ouro em casa, mas fracassou. A Canarinho caiu no Grupo A, juntamente com Costa Rica, Equador e Honduras. Na estreia, vitória por 3 a 0 sobre os hondurenhos com três gols de Lulinha, na época promessa da base do Corinthians.
Brasil 3×0 Honduras, Pan-Americano 2007 no Rio de Janeiro.
HAT-TRICK de Lulinha.
Nostálgico!
pic.twitter.com/AWVHm31CFZ— Futebol Nostálgico! (@futnostalgico) November 1, 2022
Na segunda rodada, a Seleção Brasileira superou a Costa Rica por 2 a 0. Desta vez, Maicon ‘Bolt’ e Alex Teixeira marcaram. Com os dois triunfos, os donos da casa precisavam de apenas um empate diante do Equador para se classificarem para a próxima fase do Pan. No entanto, os equatorianos surpreenderam, aplicaram 4 a 2 e eliminaram a Amarelinha.
Confira os 18 convocados pelo técnico Lucho Nizzo e os respectivos clubes que defendiam em 2007:
Goleiros: Marcelo Carné (Flamengo) e Renan Ribeiro (Atlético-MG);
Laterais: Rafael (Fluminense), Fabio (Fluminense) e Bruno Collaço (Grêmio);
Zagueiros: Átila (Corinthians); Michel Schmoller (Figueirense); Rafael Forster (Internacional) e Lucão (Flamengo);
Meio-campistas: Felipe Bastos (Botafogo); Bernardo (Cruzeiro); Tales (Internacional); Lulinha (Corinthians) e Tiago Dutra (Grêmio);
Atacantes: Carlos (Vasco da Gama); Júnior (Botafogo); Maicon ‘Bolt’ (Fluminense) e Alex Teixeira (Vasco da Gama).
A não classificação para o Pan de 2019, em Lima
A última edição dos Jogos Pan-Americanos ocorreu em 2019, na cidade de Lima, no Peru. E para surpresa de muitos na época, o Brasil sequer se classificou. Antes do torneio, a equipe canarinha disputou o Sul-Americano sub-20 no Chile, e precisava ficar pelo menos entre os três melhores colocados no hexagonal final para poder ir ao Pan.
A Seleção Brasileira, entretanto, amargou apenas a quinta colocação e viu Equador, Argentina e Uruguai se classificarem para os Jogos Pan-Americanos. A decepção foi grande, já que o time do técnico Carlos Amadeu contava com bons nomes no plantel, como o meia Igor Gomes e o volante Luan, ambos do São Paulo na época, além dos atacantes Lincoln, do Flamengo, e Rodrygo, cria do Santos, que hoje defende o Real Madrid.
Calendário de jogos da Seleção Brasileira no Pan-Americano 2023
- Brasil x Estados Unidos – 23 de outubro – às 14h (horário de Brasília);
- Brasil x Colômbia – 26 de outubro – às 16h (horário de Brasília);
- Brasil x Honduras – 29 de outubro – às 19h (horário de Brasília)



