Brasil

Palmeiras: Vitor Roque não é o Pelé, mas Abel precisa ajudá-lo a render mais

Centroavante do Palmeiras chegou ao seu quarto gol pelo Alviverde

Quem acompanha o Palmeiras sabe que a melhor versão do técnico do Palmeiras é o “Abel do Velho Testamento”. As respostas atravessadas, indiretas cobrando jornalistas e defendendo seus pupilos, bem como as batidas no peito, para defender seu trabalho, indicam que ele está com fome de conquista.

Aqueles que costumam assistir às suas falas também sabem que é nas vitórias que ele se mostra mais nervoso e dá as respostas mais grosseiras e irônicas. Não foi diferente após a virada por 2 a 1 sobre o Fluminense na quarta-feira (23).

Um dos tópicos da entrevista foi Vitor Roque. Aliás, e não por acaso, dado o valor do investimento para contratá-lo, ele foi citado pelo técnico nos três jogos do time após a Copa do Mundo de Clubes — Mirassol (1 a 1), Atlético-MG (3 a 2), além do Flu.

Não é o Pelé

No Maracanã, Abel o mencionou no mesmo contexto em que já citou Endrick e Estêvão — o que é um ótimo sinal, diga-se:

— Agora, como é 8 ou 80, vão dizer que é o Pelé, mas é o mesmo Roque, tem defeitos e virtudes como todo mundo. Claro que é bom, porque aumenta a confiança e agora é continuar com os pés no chão. Há muitas coisas que temos de melhorar, ele, individualmente, e nós, coletivamente. É continuar nesse caminho de melhora e ir em busca da melhor forma para ganhar.

De fato, Roque não é o maior jogador de futebol de todos os tempos. Mas pode render muito mais com uma mão do treinador.

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Longe da ponta, perto do gol

Contra o Galo e o Tricolor das Laranjeiras, o camisa 9 teve posicionamento bem diferente do que seu mapa de calor neste ano vinha mostrando.

Mapa de calor de Vitor Roque pelo Palmeiras (Foto: Reprodução)
Mapa de calor de Vitor Roque pelo Palmeiras (Foto: Reprodução)

Vitor estava jogando mais pela ponta esquerda do que pelo meio do ataque, que é onde o centroavante deve estar, mais próximo do gol. Nos dois jogos mais recentes, sua atuação pela faixa central foi muito mais intensa.

Mapa de calor de Vitor Roque contra o Fluminense (Foto: Reprodução)
Mapa de calor de Vitor Roque contra o Fluminense (Foto: Reprodução)

E isso é reflexo direto do modo como o Palmeiras jogou no segundo tempo, subindo sua marcação, ocupando o campo adversário, com mais volume de jogo no ataque e poucas bolas esticadas. Porque, na primeira etapa, Roque apareceu muitas vezes sozinho e pela esquerda, tentando dominar chutões.

Vem sendo comum o Palmeiras jogar muito melhor nas etapas complementares que nos primeiros tempos. A impressão é que o técnico tenta sempre algo mais conservador no começo dos jogos e só libera o time depois de entender, no segundo tempo, o que precisa para vencer.

Não por acaso, todos os gols de Vitor Roque pelo Palmeiras aconteceram em segundos tempos — incluindo o que foi dado como contra de Junior Alonso contra o Atlético (3 a 2):

04/5 — Vasco 0 x 1 Palmeiras — Brasileirão
07/5 — Palmeiras 2 x 0 Cerro Porteño — Libertadores
11/5 — Palmeiras 1 x 0 São Paulo — Brasileirão
23/7 — Fluminense 1 x 2 Palmeiras — Brasileirão

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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