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‘Um passe vale mais que um gol’: Campeão sobre a Ponte Preta pelo Palmeiras relembra lance da conquista

Palmeiras e Ponte Preta fizeram a decisão do Campeonato Paulista de 2008, vencido por um Alviverde estrelado

Na única vez em que Palmeiras e Ponte Preta jogaram uma final, a decisão do Campeonato Paulista, na realidade, já tinha acontecido na semi.

Nada contra a Ponte Preta de Aranha, Elias, que dali foi para o Corinthians, e Renato Cajá. Mas eliminar o arquirrival que mais atrapalhou a vida do Palmeiras em eliminatórias traz um extra.

As vitórias verdes na ida (1 a 0) e na volta (5 a 0), nas decisões de 2008, não deixaram de ser marcantes. Mas o êxtase da semifinal, contra o São Paulo, foi tão grande, que chega a tirar parte do brilho da final.

Com o gol de mão de Adriano na ida (1 a 2) entalado na garganta, o Verdão entrou mordido e foi bem superior ao São Paulo na volta, no velho Estádio Palestra Itália.

— A gente sabia que, se passasse do São Paulo, a gente ia ganhar de quem fosse na final — relembra o lateral e volante Wendel, personagem-chave da classificação sobre o Tricolor.

— Com todo respeito à Ponte Preta, eu joguei lá, tenho muito carinho pelo clube e sou muito respeitado no Moisés Lucarelli. Mas, naquele ano, dá para dizer que o jogo com o São Paulo foi uma final antecipada — afirma.

Se o Palmeiras fosse enfrentar a Ponte Preta no Allianz Parque, hoje, Wendel possivelmente, veria o jogo do camarote no estádio do qual é um dos embaixadores. Mas a partida deste sábado (16) será na Arena Barueri, às 18h.

Fazia parte do treinamento

O Palmeiras fez 1 a 0 com um chute de longe de Léo Lima. Mas o lance que marca aquele jogo no campo é o gol de Valdivia, que decreta o 2 a 0 e a classificação, aos 38 do 2º tempo.

A ressalva “no campo” se deve ao ocorrido no intervalo. Os jogadores do São Paulo não puderam descer para o vestiário por conta de alguém ter liberado gás de pimenta no local, causando náuseas e olhos lacrimejantes nos visitantes, que voltaram para o campo sob xingamentos dos palmeirenses.

Mesmo assim, o jogo foi para o segundo tempo. E, em um contra-ataque que os mais antigos definiriam como “de almanaque”, coube a Wendel decidir entre bater a gol ou rolar para Valdivia fazer 2 a 0, cara a cara com Rogério Ceni.

— Tem passe que vale mais que gol — diz Wendel, repetindo uma das frases normalmente evocadas toda vez que o famoso lance é lembrado. A ponto de virar figurinha de WhatsApp, que Wendel compartilhou orgulhosamente com a reportagem.

— Falam muito ‘Aê, Wendel! Aquele gol foi seu’ — conta o lateral que, com seu altruísmo, possibilitou ao palmeirense uma das comemorações mais catárticas da história do Choque-Rei. Com a ridícula dancinha provocativa e o gesto de silêncio para Rogério Ceni.

Para completar, um transformador da então Rua Turiaçu (hoje Palestra Italia) ainda explodiu antes de o jogo reiniciar, apagando as luzes, mas não a torcida, que cantou durante todo o apagão.

— Muita gente pergunta porque eu passei em vez de bater. Aquilo faz parte do treinamento do Vanderlei — diz Wendel.

–Dei o passe para ele porque foi a jogada certa. O que ocorreu depois foi da característica dele, irreverente! — diz o jogador.

— O (jornalista) Alex Muller sempre fala que aquele foi o contra-ataque mais mortal da história do velho Estádio Palestra Italia.

Print de conversa de WhatsApp com Wendel (Foto: reprodução)

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O grupo era humilde

Léo Lima, Diego Souza, Valdivia, Kleber Gladiador, Denilson “Show” e Alex Mineiro. Todos sob comando de Vanderlei Luxemburgo.

Dá para imaginar muita coisa sobre um time com esse naipe de personagens. Mas se fosse para escolher uma palavra para defini-lo, ela certamente não seria “humildade”.

Wendel, porém, jura que esse era o caso do melhor time de que faz parte na carreira:

— Aquele grupo não tinha vaidade. A gente entendeu e seguiu o que o Vanderlei pediu. Não havia o pronome eu, só havia o pronome nós. Ele disse isso para a gente. E o gol do Valdivia é uma mostra disso” — diz o jogador.

Sobre o Palmeiras atual, Wendel fala com entusiasmo da estrutura do clube, das administrações — considera Mauricio Galiotte o maior da História — e do Allianz Parque, onde é embaixador do principal camarote para torcedores.

Já sobre o time atual, tem uma ressalva:

— Não concordo quando dizem que é a Terceira Academia. Na minha opinião, é a Quarta. A terceira foi na época da Parmalat — afirma.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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