Brasil

Próximo Cria na fila do Palmeiras, Luis Guilherme terá futebol para manter legado?

Meia formado no Palmeiras encara um caminho mais complicado que os de Endrick e Estêvão para se estabelecer

Endrick se despede do Palmeiras, rumo ao Real Madrid, na quinta-feira (30), após Palmeiras x San Lorenzo, pela Copa Libertadores. Estêvão está por detalhes de selar sua negociação para o Chelsea. O que coloca Luis Guilherme como próximo grande nome da base palmeirense.

Mas ao contrário dos dois colegas de formação no Alviverde, Luis vem encontrando dificuldade para mostrar no profissional, o potencial que desfilou nas categorias de base.

Em 2021, quando ele ainda era jogador do sub-17, propostas na casa de 20 milhões de euros chegavam ao Palmeiras pela sua contratação. Mas, já em seu segundo ano no profissional, o meia vê o hype em torno de seu nome diminuir.

O processo de sucessão, que fez de Estêvão um substituto natural para Endrick como Cria de destaque entre os profissionais, não é uma trilha garantida para Luis Guilherme. Que, aliás, foi ultrapassado por Estêvão.

Luis e Endrick foram de uma categoria acima do hoje ponta direita titular do Verdão. Os dois são companheiros desde o sub-11, quando chegaram ao clube.

A expectativa do Palmeiras, no entanto, continua sendo negociar o atleta por algo em torno de 60 milhões de euros, como estipulado em seu contrato.

Bloqueio nos dois caminhos

Alguns dos problemas que Luis enfrenta para ganhar espaço não foram encarados por seus colegas mais badalados. Endrick e Estêvão, ainda que com um ajuste ou outro, subiram ao profissional para jogar nas suas posições de origem. Não é o caso de Luis.

Meia de talento no Palmeiras sub-17 e sub-20, e nas seleções brasileiras de base, Luis Guilherme poucas vezes pôde jogar na função que o consagrou.

Com Abel Ferreira, ele normalmente é ponta-direita. O que até poderia ser uma estratégia para garantir mais liberdade em campo e chance de escalação, virou um problema. Porque hoje, quem ocupa a ponta-direita do time é Estêvão.

Com Veiga sempre recebendo chances, mesmo em fase ruim, e Rômulo conquistando espaço como meia, as portas para Luis, hoje estão fechadas nos dois setores.

Na do Veiga

Na única partida em que teve mais tempo como armador centralizado, Luis virou o jogo contra o Independiente del Valle, pela Copa Libertadores, no Equador (3 a 2). Entrou no lugar de Raphael Veiga e decidiu a partida com um chute de fora da área, nos momentos finais do jogo.

Na entrevista coletiva após a partida, sentado ao lado do jogador, Abel confessou que Luis já pedira a ele no passado para ser meia, em vez de atacante.

— Ele já me disse: professor, gosto de jogar na posição do Veiga (risos) — resumiu o técnico, naquela noite.

Abel ouviu, achou graça, mas segue sem dar chances para o garoto no setor.

Preparado, mas tímido e ‘desligado’

Além da questão da posição, Luis também contra si o próprio temperamento. Mais retraído e menos comunicativo que Estêvão e Endrick, o jogador tem a dificuldade de aparecer e se impôr como um empecilho.

Endrick já chegou ao profissional estrela. Estêvão já foi até elogiado por Abel por não ter medo de tentar, errar, e tentar de novo, até certar. Mas Luis, em campo, ainda é um pouco mais comedido.

A dificuldade de fazer a recomposição na fase defensiva também é outro problema de Luis. Que Abel chegou a citar em entrevistas como uma das falhas que o jogador precisa corrigir.

Contra o San Lorenzo, a chance de Luis começar jogando existe, embora pequena. Mas se isso não acontecer, é possível afirmar que ele vai entrar no segundo tempo.

— Nós nos preparamos muito bem para chegarmos prontos para o jogo contra o San Lorenzo. A gente viu a dificuldade que é jogar contra eles lá. A gente teve o primeiro jogo e a gente conseguiu um empate. A gente sabe da nossa força dentro de casa e esperamos o apoio da torcida do começo até o fim para nos apoiar para a gente conseguir sair com os três pontos e a liderança geral na classificação, que é o mais importante — disse Luis Guilherme.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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