O Palmeiras pós-vice: Renovar com Abel, menos ‘irreverência’ e o que esperar para 2026
Permanência ou não de português para o ano que vem aumenta dúvidas sobre a próxima temporada alviverde
Depois da derrota do Palmeiras para o Flamengo na final da Libertadores no último sábado (29), o técnico Abel Ferreira falou sobre como a “experiência” rubro-negra venceu a “irreverência” alviverde. E, mesmo com a chance do título do Brasileirão ainda este ano, levantou questionamentos sobre o planejamento para 2026.
A irreverência palmeirense, no entanto, pouco se fez presente. O próprio treinador reforçou que “apesar de termos um time jovem, nos faltou mais coragem e ousadia”. E para onde o clube deve ir na próxima temporada?
O futuro do Palmeiras: manter ou não Abel Ferreira?
A decisão final sobre ficar ou não, evidentemente, é do português. Abel passou por diferentes momentos de pressão em sua passagem de cinco anos pelo Palmeiras, mas essa pode ser a gota d’água.
É injusto falar que o Palmeiras “perdeu” seus dois principais títulos. Uma virada homérica na semifinal da Libertadores e um jogo aguerrido na final não são motivo de críticas tão exacerbadas. No Brasileirão, no entanto, a situação é diferente.
São apenas duas vitórias nos últimos 10 jogos da competição, incluindo quatro das oito derrotas que o time teve em toda a campanha. Viu a liderança escapar e o Flamengo abrir cinco pontos de vantagem antes da penúltima rodada — que pode decidir o campeonato. E isso deve deixar um gosto amargo na boca do palmeirense.

Leila Pereira, presidente do clube, também teve posicionamentos distintos sobre o lusitano. Já o defendeu, já rebateu suas opiniões e manteve a ideia de querer renovar com o treinador, que tem contrato somente até o fim do ano.
Abel já flertou com o adeus algumas vezes. É difícil pensar que o Palmeiras afundaria sem o português, mas é igualmente complicado imaginar que seu sucessor teria tanto sucesso quanto ele teve.
Se sair ao fim do ano, com título ou não, Abel ainda assim deixa o Allianz Parque como possivelmente o maior treinador da história do Palmeiras. E decretar o fim de uma passagem tão vitoriosa exige doses parecidas de racionalidade e coragem.
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O plano para 2026: manter irreverência ou aumentar a experiência?
A fala de Abel sobre “irreverência” é complexa. Seis dos 11 jogadores do time que foi à final da Libertadores tinham mais de 27 anos. Nove tinham mais do que 24 — apenas o artilheiro Vitor Roque e Allan, com 20 e 21, respectivamente, eram os mais novos.
Outros jogadores que foram relevantes ao longo da campanha também são experientes, como é o caso de Weverton (37), Felipe Anderson (32) e Lucas Evangelista (30) são exemplos dos mais velhos. Ainda assim, o Palmeiras de Abel foi se tornando cada vez mais jovem ao longo dos anos.

São só seis jogadores acima dos 30 anos no elenco. Quatro deles estão entre os 11 que mais jogaram na temporada — Weverton, Gustavo Gómez, Raphael Veiga e Felipe Anderson, todos com mais de 50 jogos.
Ainda assim, Flaco López (61 jogos), Vitor Roque (54), Maurício (52), Allan (52) e Agustín Giay (48) também foram jovens com 24 anos ou menos muito utilizados na temporada. Antes de deixar o clube no meio do ano, Estêvão também jogou 37 partidas. Luighi, de apenas 19 anos, jogou outras 22.
No ano passado, a mescla era maior, mas os jovens já haviam tomado espaço. Estêvão, com ainda 17 anos, atuou em 44 partidas em 2024, só uma a menos do que Gómez. Endrick e Vitor Reis em outras 22 antes de deixarem o clube. Ainda assim, Rony (62 jogos) e Marcos Rocha (50) estavam entre os que mais jogaram.
O Palmeiras de Abel Ferreira quase sempre escolheu a juventude
O rumo de 2026 para o Palmeiras pode ser ainda mais voltado à experiência. Depois da saída da “geração de ouro” vinda da base nos últimos dois anos do clube, ainda existem jovens que podem ganhar espaço, mas o trauma da final pode mudar os rumos.
Luighi, Luis Benedetti e Jefté são alguns dos jovens com menos de 21 anos que receberam oportunidades em 2025 — e podem se tornar mais relevantes no ano que vem, a depender do mercado. Isso sem contar Allan e Giay.
A história do Palmeiras de Abel é uma grande mescla, mas sempre mais voltada à juventude. Em sua primeira temporada completa, no título da Libertadores de 2021, a maioria dos jogadores mais utilizados tinha menos de 27 anos ou eram jovens completos. Gustavo Scarpa, Veiga e Rony eram menos experientes, e Patrick de Paula, Danilo, Gabriel Menino e Wesley sequer tinham 22.
Fim de jogo. pic.twitter.com/jqIIGo1RiZ
— SE Palmeiras (@Palmeiras) November 29, 2025
No entanto, apesar de qualquer trauma pela “falta de experiência”, a mudança exigiria uma troca abrupta no mercado. A política de contratações tem sido clara: reforços principais são nomes grandes, independente de idade. Vitor Roque custou caro, apesar dos 20 anos, assim como Andreas Pereira, que já tem 29. Mas o cerne sempre foi voltado aos jogadores em desenvolvimento.
Flaco foi contratado ainda com 22 anos e viveu momentos de críticas. Paulinho chegou com 24, assim como Aníbal Moreno e Khellven. Maurício e Piqueréz com 23 e Facundo Torres com 25, por exemplo, são outros nomes que chegaram para crescer no clube.
Desde que Abel chegou, foram apenas três contratações acima dos 30 anos: Marcelo Lomba, Lucas Evangelista e Felipe Anderson. Não é impossível que isso mude, mas o plano do mercado palmeirense também visa lucro Richard Ríos, Artur, Matías Viña e Rafael Navarro são exemplos de jogadores que foram contratados jovens, mas saíram e geraram lucro para o clube.
O Palmeiras tem muitas dúvidas para 2026: se Abel Ferreira fica ou não; se os principais jogadores serão vendidos; e, se houver grande mudança no elenco, como será a política de contratações. Ainda assim, tudo pode depender da primeira e crucial pergunta.



