Como Leila enfraqueceu os argumentos da oposição antes de eleição no Palmeiras
Presidente do clube vive uma sequência de acertos administrativos
A grande virada na história recente do Palmeiras não veio com os aportes financeiros de Paulo Nobre e da Crefisa, como muitos, em especial os torcedores de outros clubes, insistem em dizer.
O principal ator do processo que reconduziu o clube ao papel de protagonista no futebol brasileiro é o Allianz Parque, inaugurado em novembro de 2014.
Por essa razão, o acordo celebrado entre o Palmeiras e a WTorre na última quarta-feira (9) talvez tenha sido o movimento mais importante de toda gestão Leila Pereira.
Só em bilheteria, Allianz gerou R$ 558 milhões para o Palmeiras
Com média anual de R$ 62 milhões de arrecadação com bilheteria — lembrando-se que o estádio ficou quase inteiramente fechado em 2020 e 2021, por conta da pandemia –, o Allianz é a fonte de receita mais sólida do clube. Desde 2015, R$ 558 milhões foram para o caixa apenas com os jogos.
A importância se torna ainda maior quando se leva em conta que o Avanti é em muito puxado pela possibilidade de compra de ingressos em condições privilegiadas. O programa de sócio-torcedor arrecadou R$ 357,5 milhões – R$ 39,7 milhões anuais por temporada a partir de 2015.
Ao encerrar a contenda com uma empresa que ainda tem mais 20 anos de parceria, a diretoria do Palmeiras assegurou que o estádio seguirá bem conservado, resgatou quase R$ 120 milhões em receitas atrasadas e garantiu aproximadamente mais de R$ 2 milhões mensais em novos recursos.
As duas partes tiveram de ceder. Como era também devedor da WTorre, o Palmeiras aceitou algumas reduções nos valores que tinha a receber. Em troca, o clube receberá R$ 50,1 milhões à vista num total de R$ 117,1 milhões de saldo financeiro https://t.co/OTq8sM5dY7
— Diego Iwata Lima (@DiegoMarada) October 9, 2024
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Patrocínio-máster deve ser anunciado na próxima semana
No próximo dia 14, o conselho deliberativo vai votar o “filtro” eleitoral. Na prática, é uma pré-eleição. Para de fato concorrerem ao voto dos sócios, as chapas tem que ter aprovação dos conselheiros do clube.
Em um cenário com apenas dois candidatos, não faz muito sentido. Mas, quando criado, em 2015, o filtro era um modo de manter nos conselheiros uma parcela do poder perdido.
Até como forma de gerar publicidade para sua campanha, será mais ou menos por essa data que Leila Pereira vai anunciar o novo patrocinador-máster do Palmeiras. Uma publicidade que parece cada vez menos necessária.
Deixando, ao menos em parte, a condição de patrocinadora do clube, para ser administradora, Leila vai tirar um alvo enorme das costas. O conflito de interesse que sempre existiu, por mais que ela o negue, se evapora nesse aspecto — o fato de um avião de uma empresa sua ainda ser usado pelo departamento de futebol é, contudo, um ponto de atenção.
Em seu lugar, vem uma injeção anual de cerca de R$ 150 milhões — valor pretendido pelo Palmeiras. E, segundo apuração da Trivela, apenas parte de tal montante virá de uma bet.

Só vai faltar renovar com Abel Ferreira
No clube social, os sócios também não têm muito a reclamar. Conjunto aquático renovado, shows e atrações open bar a granel, conservação do mobiliário em dia, etc.
E, no campo, quando a eleição for acontecer, em novembro, o Palmeiras ainda estará sólido na disputa pelo tricampeonato brasileiro consecutivo.
Para Leila fechar o cerco e eliminar todo foco de crítica ao seu redor, só falta mesmo ela conseguir a extensão do contrato de Abel Ferreira para até o fim de 2027. O atual contrato do técnico vai até o fim do ano que vem.
A dirigente sonha em manter o treinador mais vencedor da história do clube pelo tempo total de seus possíveis dois mandatos. E a informação que circula é de que ele foi simpático à ideia quando indagado.
A alternância de poder no clube é indubitavelmente saudável e necessária. Mas a tarefa da oposição e do candidato Savério Orlandi vai se tornando cada vez mais inviável.



