Brasil

Os 20 anos do “gol do Juninho”, (no) “Monumental”

“Vasco, a tua glória é tua história/É relembrar o Expresso da Vitória/Contra o River Plate, sensacional (gol de quem?)/Gol do Juninho, Monumental”. Quando um lance é retratado num coro popular entre os torcedores, é porque ele realmente foi, é e sempre será muito marcante na história daquele clube. É exatamente o que acontece com o que se viu no Monumental de Núñez, em 22 de julho de 1998. Muito provavelmente, nem os quatro gols – dois na ida, dois na volta – feitos pelo Vasco nas duas partidas da decisão daquela Copa Libertadores da América, contra o Barcelona equatoriano, simbolizam tanto aquele título para o clube da Colina quanto a falta que Juninho Pernambucano mandou no ângulo direito do goleiro Germán Burgos, aos 36 minutos do segundo tempo.

O Vasco tivera uma campanha relativamente acidentada naquele torneio. Superara a primeira fase com dureza, passando às oitavas de final como segundo colocado no grupo. Nas oitavas, já coube o duro desafio: pegar o Cruzeiro, campeão de 1997, na penúltima vez em que o vencedor da Libertadores entrava somente na segunda fase. Aí, venceu-se em São Januário (2 a 1), empatou-se em Belo Horizonte (0 a 0), e o avanço estava garantido. Nas quartas de final, disputadas dias antes do início da Copa do Mundo naquele ano, a mesma coisa contra o Grêmio, já enfrentado na primeira fase: empate no Olímpico em Porto Alegre (1 a 1), triunfo em casa (2 a 0), Vasco nas semifinais.

Veio o Mundial, com Carlos Germano sendo o representante vascaíno na Seleção Brasileira, como reserva de Taffarel no gol. Acabou o torneio na França, voltou a Libertadores – e nela, o Vasco teria desafio duro nas semifinais: o River Plate, campeão em 1996, contando com vários experientes no time. Para o gol dos Millonarios, o citado Burgos, reserva da Argentina naquela Copa; na zaga, Eduardo Berizzo e Celso Ayala – este, membro da zaga paraguaia que tão respeitada foi na Copa; no meio-campo, Marcelo Gallardo, outro membro da Argentina no Mundial; e no ataque, Juan Antonio Pizzi e Marcelo Salas, outros dois que haviam figurado na França (Salas até as quartas de final: veio a Copa, e ele se foi para a Lazio depois dela).

Só que o Vasco tinha capacidades técnicas, também. Carlos Germano vivia a melhor fase da carreira. Na zaga, enquanto Odvan já personificava o “zagueiro-zagueiro” e Mauro Galvão foi ausência reclamada na Seleção Brasileira que fora à Copa, Felipe surgia fulgurante na lateral esquerda, já ofensivo a ponto de levar a crer que tomaria o mesmo caminho que Vagner já tomava naquele time: ir para o meio-campo. Lá também estavam Luisinho, cuidando da marcação (bem como Nasa, na lateral direita); Válber, no último bom momento de sua carreira; Pedrinho, revelação querida e promissora até a primeira de suas lesões tão graves; Juninho Pernambucano, que logo voltará à história, em meio a problemas físicos que o deixavam no banco; e Ramon, de experiência recomendável numa Libertadores. Finalmente, Luizão e Donizete formavam dupla de ataque das mais entrosadas que o futebol brasileiro tinha na época.

O jogo de ida, em São Januário, já foi equilibrado: para sorte vascaína, Donizete aproveitou uma chance já aos 10 minutos do primeiro tempo para fazer 1 a 0 e garantir alguma vantagem, mesmo com a pressão do River. Valeu, diante do que se viu no Monumental de Núñez, naquele 22 de julho, há 20 anos. Porque o River Plate se valeu de seu poderio ofensivo para buscar o gol desde o começo. Também o conseguiu rapidamente: já aos 22 minutos de primeiro tempo, Juan Pablo Sorín desviou de cabeça a bola vinda de falta de Gallardo na esquerda para fazer 1 a 0, que levaria a decisão aos chutes da marca do pênalti.

A partir de então, a pressão do clube argentino aumentou, em busca do segundo gol que o levaria à final. As chances se avolumavam. O Vasco ia fazendo substituições para tentar achar poucas chances – como uma entrada no lugar de Luizão, no decorrer do segundo tempo. A entrada de… Juninho Pernambucano (então ainda Juninho, apenas), voltando aos poucos de uma cirurgia no púbis.

O time brasileiro tentava. Até os 36 minutos do segundo tempo, quando numa dividida, Roberto Montserrat fez falta em Vagner. Juninho cobrou alto. E fez contra o River Plate, sensacional. Levando o Vasco à final que seria vencida, coroando a campanha (e o centenário do clube) que para sempre terá como lembrança principal aquele “gol do Juninho, (no) Monumental”.

Mostrar mais

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo