Brasil

Galoucura e Máfia Azul são (de novo) banidas de estádios após morte de torcedor em confronto

Galoucura e Máfia Azul receberam nova punição após novo caso de violência entre eles, que dessa vez teve vítima fatal

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) anunciou nesta segunda-feira (4) que a Galoucura e a Máfia Azul, principais organizadas de Atlético-MG e Cruzeiro, respectivamente, estão banidas de todos os estádios do Brasil por dois anos. A punição acontece após as duas torcidas entrarem em confronto no último sábado (2), que culminou em dois baleados e um morto.

Com Atlético e Cruzeiro jogando no mesmo dia e horário em Belo Horizonte, o confronto entre Galoucura e Máfia Azul já estava sendo premeditado durante a semana. E não deu outra. Eles se confrontaram na Avenida Tereza Cristina, próximo ao Barreira, antes dos jogos dos times pela última rodada do Campeonato Mineiro.

A PM relatou que três pessoas foram baleadas, sendo que uma delas, o motoboy Lucas Elias Vieira Silva, não resistiu e morreu. Ele estava no local com a Máfia Azul. Outro envolvido também saiu ferido após uma paulada na cabeça. Apenas dois suspeitos foram presos.

Diante desse cenário, o MPMG aplicou uma punição de dois anos para as organizadas. A Galoucura, que voltou recentemente de uma punição de um ano, seguida de outra de três meses, ficará banida até março de 2026. Já a Máfia Azul, que já cumpre punição até a data citada, terá ainda mais dois anos, ficando fora dos estádios assim até março de 2028.

Elas estão proibidas de frequentar estádios no território nacional e seus respectivos entornos nos dias de jogos, respeitando um raio de cinco mil metros, por analogia ao artigo 201, parágrafo 1º, inciso I, da Lei Geral do Esporte – Lei nº:14.597/23 – cita o MPMG.

Por conta do banimento, não poderá haver uso, porte e exibição de qualquer vestimenta, faixa, bandeira, instrumento musical ou qualquer objeto que caracterize a presença da torcida nos estádios ou seus respectivos entornos nos dias de jogos. As organizadas também não poderão utilizar suas sedes em dias de jogos dos clubes, ficando sob pena de R$ 50 mil.

MP pede grupo especializado para confrontos no futebol

Diante de mais um caso de briga entre as torcidas — com mais uma morte —, o MPMG entende que os confrontos causam “severos transtornos à ordem pública e insegurança à sociedade”. Diante disso, o promotor de Justiça Fernando Ferreira Abreu afirmou que esse caso ultrapassa os limite da violência desportiva e é necessário a criação de um cadastro nacional de torcedores para identificar os suspensos e banidos, contando também com a atuação dos respectivos clubes nesse combate à violência.

O promotor Fernando Abreu sugeriu ainda a criação de um grupo especializado, no interior do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPMG, para combate à criminalidade associada a eventos de futebol.

Organizadas se “posicionam”

O perfil oficial das torcidas organizadas nas redes sociais soltaram notas após o ocorrido. A Máfia Azul, até se antecipou ao fato e soltou uma nota antes do ocorrido, afirmando que pediram à FMF para que alterassem o horário dos jogos para que não houvesse o confronto, como se fosse obrigação deles, quando veem atleticanos (e vice-versa) partirem para a agressão. Após a briga, a organizada cruzeirense foi as redes lamentar o falecimento de um de seus integrantes e citou “covardia” do lado da Galoucura.

A Galoucura, assim como a Máfia Azul, também preferiu atacar outras pessoas na nota ao invés de assumirem o erro que cometeram. A organizada atleticana citou ser alvo de ataques de “formadores de opinião que não fazem ideia do corre que é ser torcida”. Eles também citaram a FMF como culpada por marcar os jogos no mesmo horário, e acusaram a mídia de manipular informações, além de criticar a punição coletiva e não individual.

Pela nota oficial dos dois clubes, que até o presente momento ainda não se manifestaram sobre o novo banimento que sofreram, fica claro que eles entendem não estarem errados ao bater (e matar) outra pessoa só por ele torcer por um clube diferente. Os culpados são sempre os organizadores, o estado, a imprensa, ou qualquer outro, menos eles mesmo, que saem de casa já com a intenção de brigar.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa nasceu em Ipatinga, mas se radicou na Região dos Inconfidentes mineiros. Formado em Jornalismo na UFOP, em 2019, passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas. Atualmente, é setorista do Cruzeiro na Trivela.
Botão Voltar ao topo