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O que o Flamengo pode esperar da contratação de Ederson?

A novela se estendeu por um bom tempo, e o desfecho acabou anunciado com alarde. No último dia da janela internacional no Campeonato Brasileiro, o Flamengo confirmou a contratação de Ederson. Mais do que isso, alçou o ex-jogador da Lazio à condição de “novo camisa 10 da Gávea” – uma carência reclamada pela torcida há tempos, especialmente diante da falta de ligação da equipe neste início de campanha na Série A. O meia de 29 anos, sem dúvidas, tem experiência e talento para cumprir as expectativas. Ainda que a falta de sequência recente e as próprias características do veterano exijam ressalvas.

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Ederson jogou pouco no futebol brasileiro. A promessa, que estourou no RS Futebol e vestiu a 10 no título da Seleção no Mundial Sub-17 de 2003, fez sucesso mesmo na base. Não teve espaço no Internacional e jogou pouco pelo Juventude antes de decolar ao Nice, aos 18 anos. Por lá, vingou. Ascendeu no clube do sul da França e, após duas temporadas muito consistentes, chegou ao Lyon. Não viveu o ápice dos Gones, embora tenha sido importante na reformulação do clube na sequência de seu período mais vitorioso. Em Gerland, atravessou dois anos como estrela do time, época em que chegou à Seleção. Até as lesões o atrapalharem nas duas frentes. Sem o mesmo espaço no clube, acabou saindo à Lazio, onde serviu mais como uma peça útil para compor elenco.

Pelo que fez em 2014/15, Ederson mal pode ser avaliado. Sem chances com o técnico Stefano Pioli, viu do banco a ascensão do time protagonizado por Felipe Anderson. Somando todas as competições, disputou apenas cinco partidas, só uma como titular. Mas, em escassos 113 minutos em campo, conseguiu anotar um gol: completando uma jogada na pequena área, na vitória por 4 a 2 sobre o Cagliari. Ainda assim, pouco para qualquer afirmação contundente.

Fato é que, independente de ter a confiança ou não dos técnicos da Lazio nos últimos três anos, Ederson também não teve sequência por culpa das condições físicas. Em 2012/13, as lesões minaram sua sequência, incluindo uma no joelho. Já na temporada seguinte, quando era nome constante no time (mais como substituto do que como titular), o meio-campista sofreu um sério problema nos tendões da coxa. Acabou submetido a uma cirurgia em janeiro de 2014 e, após seis meses de recuperação, não conseguiu se firmar novamente. Mesmo assim, teve outros dois problemas musculares em 2014/15.

O histórico médico merece cuidado, ainda que o Flamengo certamente tenha tomado as devidas precauções nos exames durante a contratação. Já a falta de ritmo em alto nível também merece um pouco mais de calma, já que Ederson entrará no meio do Brasileirão, com o campeonato em forte rotação. Diferentemente de Guerrero, por exemplo, que já veio de uma sequência de partidas com a seleção peruana na Copa América.

Dentro de campo, Ederson deverá ajudar principalmente a chegada do Flamengo ao ataque. O meia aparece bastante nos arredores da área, partindo para cima da marcação e arrematando bastante. Entretanto, não costuma criar tantas oportunidades aos companheiros. Seu grande período como “garçom” aconteceu no ápice com o Lyon, o que se perdeu depois disso, independente das lesões. Ainda assim, a qualidade nos passes o permite contribuir bastante na construção e na organização de jogo, algo que falta ao atual time rubro-negro (sobrecarregada no inconstante Canteros) e para o qual o novo camisa 10 deverá chamar a responsabilidade. Além disso, Ederson também é versátil: meia central, pode atuar também pelos lados. E, sem a bola, tende ajudar no combate.

É bom que a torcida flamenguista não crie grandes expectativas sobre Ederson, ainda que possa manter as esperanças. O meio-campista provavelmente precisará de tempo nesse retorno – não só ao Brasil, mas às condições de titular. Só que, diante das fragilidades do Flamengo, o camisa 10 se faz útil independente de sua forma. Traz características em falta e necessárias para a variação da equipe. E ainda pode se beneficiar da reorganização desde a chegada de Guerrero e Emerson. Para um clube que já viu Petkovic ressurgir das cinzas recentemente, não custa dar um voto de confiança. O talento de Ederson está abaixo do sérvio, é claro. Mas ele tem capacidade e tempo para fazer jus à aposta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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