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O que aconteceu de melhor (e de pior) no primeiro turno do Campeonato Brasileiro

O Campeonato Brasileiro encerrou seu primeiro turno na última segunda-feira, embora dois dos 190 jogos ainda não tenham sido disputados. Temos bastante material para fazer um pequeno balanço sobre o que rolou de melhor e de pior na primeira metade do nosso torneio nacional. Quem briga pelo título? Quem briga contra o rebaixamento? Quem foi o craque? E a decepção?

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A briga pelo título
Marcelo Oliveira, do Atlético Mineiro (Foto: Divulgação/Atlético Mineiro)
Marcelo Oliveira, do Atlético Mineiro (Foto: Divulgação/Atlético Mineiro)

Na metade do Campeonato Brasileiro, o principal objetivo parece estar restrito a seis clubes. O Atlético Paranaense, sétimo colocado, fica à espreita, esperando deslizes, com a missão de provar que tem elenco e regularidade para compor o grupo de elite. A diferença entre o primeiro e o sexto colocado é de apenas quatro pontos. Um tropeço muda tudo. Não dá para reclamar de emoção nesta temporada.

O Palmeiras está na liderança e conquistou o meramente simbólico título do primeiro turno. A palavra de ordem no Allianz Parque, porém, é recuperar o desempenho apresentado nas primeiras 13 rodadas. Será difícil sem a segurança de Fernando Prass, fora da temporada, e os gols de Gabriel Jesus, que só volta no final da Olimpíada. Um quebra-cabeça para Cuca desvendar. A vantagem é de apenas um ponto para a equipe do ex-técnico palestrino, Marcelo Oliveira, que conseguiu fazer o Atlético Mineiro embalar de vez, depois de um começo claudicante.

São nove vitórias nas últimas 11 rodadas, quase todas que o Galo tem no Campeonato Brasileiro – com exceção do 1 a 0 sobre o Santos, na estreia. A sequência atual é de cinco triunfos, um deles sobre o próprio Palmeiras, fora de casa. O Verdão estava invicto em casa até aquela partida. A combinação entre Fred, Pratto, Maicosuel e Robinho, está funcionando como mágica. O segredo, para Marcelo Oliveira, será equilibrar essa qualidade ofensiva com a solidez defensiva, sem desagradar nenhum dos medalhões, que eventualmente terão que ficar no banco de reservas para que esquemas alternativos sejam utilizados.

O maior potencial de crescimento entre os candidatos ao título é o do Flamengo. A melhora de desempenho já havia sido notável alguns jogos depois de Zé Ricardo substituir Muricy Ramalho. Agora, os resultados também estão aparecendo. Perdeu apenas dois jogos nas últimas 12 rodadas e está há seis partidas invicto. Com uma novidade: em um time que funciona melhor coletivamente, um Guerrero que não tem tanta responsabilidade para decidir começou a fazer seus gols. Deixou sua marca três vezes seguidas, contra Botafogo, América Mineiro e Coritiba. Ainda tem Diego para entrar nesse time que, se não der samba imediatamente, promete bastante para 2017.

O Santos vinha lidando surpreendentemente bem com seus três desfalques olímpicos, mas a conta finalmente chegou. Empatou com o Flamengo em Cuiabá, uma fortaleza para o Peixe, mas, mesmo assim, assumiu a liderança. No entanto, perdeu do lanterninha América Mineiro na rodada seguinte e expôs suas fraquezas. Precisa manter-se próximo até os retornos de Zeca, Thiago Maia e Gabriel. Precisa, também, que Lucas Lima volte a jogar com regularidade. Ele não faz um grande Brasileirão.

Com todos os problemas que enfrentou, o Corinthians segue na briga, em terceiro lugar, a apenas dois pontos da liderança. Entre os problemas, está o desmanche do time que venceu o último Brasileirão, a saída de Tite e a ausência de peças de reposição à altura. O torcedor maldoso dirá que isso também se aplica ao cargo de treinador. As alterações de Cristóvão Borges têm sido criticadas pela torcida, e o time empatou os últimos três jogos dentro de casa. Ganhou apenas um em cinco rodadas, e o momento não é dos melhores. O desafio do Timão no segundo turno é provar que seus recursos não são tão limitados quanto parecem e que dá para se manter na briga pelo título na base da boa defesa, a melhor do campeonato.

O Grêmio também tem uma boa defesa, mas deixa a desejar no ataque. Com 26 gols, é o segundo pior entre os seis primeiros – lembrando que o time gaúcho fechará seu primeiro turno contra o Botafogo no começo de setembro. Antes disso, tem que correr atrás dos pontos perdidos contra América Mineiro e Santa Cruz, dois times que lutam contra o rebaixamento e que arrancaram empates por 0 a 0 contra o time de Roger. Luan e Walace estão com a seleção olímpica, é verdade, mas ainda deveria ser possível vencê-los sem eles. Seria o elenco gremista tão limitado assim?

A briga contra o rebaixamento
Ricardo Gomes, assumindo o Botafogo, depois de se recuperar de um AVC: “Não precisa ser só elogios de vocês só porque tive um AVC. Estou liberado para críticas, sem contraindicações”
Ricardo Gomes, técnico do Botafogo

A desesperada luta para evitar a segunda divisão é um pouco mais difícil de definir. Temos certeza que o América Mineiro, lanterna com 13 pontos, é um protagonista dela, mas quais equipes correm riscos reais de deixarem a elite? A diferença da zona de rebaixamento para o 12º colocado, o Sport, é de apenas três pontos. Como na corrida pelo título, uma rodada pode mudar tudo. Em duas ou três, Chapecoense, Fluminense e São Paulo podem se aproximar do calabouço, caso não fiquem espertos. E tem o Cruzeiro, 18º lugar, para ser pinçado desse grupo e alçado à metade de cima da tabela.

Quem arranca?
Rafael Sóbis, do Cruzeiro (Foto: AP)
Rafael Sóbis, do Cruzeiro (Foto: AP)

Não foi muito fácil achar um caminho, mas o Cruzeiro parece ter conseguido. E, para isso, teve que voltar para o ano passado. O time foi bem na reta final do último Brasileirão, até os dólares da China aparecerem. Levaram Mano Menezes e atrapalharam tudo. A reação da diretoria foi horrível, com dois treinadores, um novato e um estrangeiro, que obviamente precisariam de mais tempo do que lhes foi dado. O cronograma de contratações foi ainda pior, com um jogador novo chegando a cada semana. Mas, passadas todas as turbulências, Mano foi recontratado e começa a dar cara ao seu time. A vitória contra o Internacional foi categórica, e a Raposa fez uma grande partida contra o Corinthians, no Pacaembu. Sempre há um time que arranca no segundo turno. O Cruzeiro mostrou potencial para ser a bola da vez.

O craque
Gabriel Jesus, do Palmeiras (Foto: Divulgação/Palmeiras)
Gabriel Jesus, do Palmeiras (Foto: Divulgação/Palmeiras)

Para entender a importância de Gabriel Jesus para o Palmeiras, basta comparar os resultados com e sem ele. Antes de se apresentar à seleção olímpica, o novo jogador do Manchester City disputou 14 partidas do Campeonato Brasileiro, das quais seu time ganhou 10. Nas cinco em que esteve fora – uma por suspensão -, o Palmeiras conseguiu apenas uma vitória, dois empates e duas derrotas. Sua ausência não é a única explicação para a queda de rendimento do clube alviverde, mas não dá para dizer que ele não faz falta. Foi o melhor jogador da primeira metade do campeonato, marcando dez vezes e dando duas assistências, o que representa 34% dos gols que o líder anotou. Sem falar que suas atuações chamaram a atenção de vários gigantes da Europa,  a ponto de receber uma ligação direta de Guardiola convidando-o a atuar sob seu comando.

O veterano
Robinho, do Atlético Mineiro (Foto: Divulgação)
Robinho, do Atlético Mineiro (Foto: Divulgação)

Quem também vem comendo a bola é Robinho. Está participativo, tocando bastante na bola e contribuindo com a jogada desde sua criação. Sua mobilidade complementa Lucas Pratto e Fred, e ele também consegue dar o toque decisivo. Fez 14 partidas no primeiro turno do Brasileirão, com oito gols e três assistências. O Atlético Mineiro cresceu de rendimento junto com ele. Aos 32 anos, faz um grande Campeonato Brasileiro e justifica o salário que o Galo paga para ele, o que sempre foi o grande problema quando se discutia se sua contratação valia a pena.

A surpresa
Paulo Autuori fracassa em seus trabalhos desde 2005, mas ganhou chance no Cerezo Osaka
Paulo Autuori

A surpresa não é o Atlético Paranaense fazer uma campanha tão boa, porque o time curitibano tem ficado constantemente na parte de cima da tabela desde que voltou da segunda divisão, em 2013. É ela estar sendo tão boa assim: o Furacão chegou a estar a três pontos da liderança na penúltima rodada do primeiro turno. Mas perdeu do Flamengo e ficou para trás. Tem a melhor campanha dentro de casa, com sete vitórias e dois empates. Acima de tudo, fez isso com Paulo Autuori como treinador, que vinha devendo um bom trabalho há bastante tempo. Se o Atlético Paranaense continuar nessa toada, não deverá mais.

A decepção
Falcão, ex-novo técnico do Internacional
Falcão, ex-novo técnico do Internacional

O Internacional não entrou no Brasileirão com aquele habitual favoritismo. Até começou bem, com uma única derrota nas primeiras oito rodadas. O problema é que nunca mais ganhou um bendito jogo e vai se aproximando perigosamente da zona de rebaixamento. No momento, dista apenas dois pontos. Celso Roth será o terceiro treinador a comandar o time em 19 rodadas, depois da passagem relâmpago de Falcão, substituindo Argel. E o Colorado não tem jogadores para ser rebaixado.

A dança das cadeiras

Foram 13 trocas de técnicos em 19 rodadas, média aproximada de duas a cada três partidas. Apenas nove equipes entram no segundo turno com o técnico com o qual começaram o primeiro. Por outro lado, apenas duas trocaram mais de uma vez: Internacional e América Mineiro – isso considerando Pachequinho como um interino, como foi oficialmente, embora tenha comandado o Coritiba entre a sexta e a 19ª rodada.

Atlético Mineiro: Diego Aguirre (1ª rodada); Marcelo Oliveira
Corinthians: Tite (até 7ª rodada); Cristóvão Borges
Flamengo: Muricy Ramalho (até 2ª rodada); Zé Ricardo
São Paulo: Edgardo Bauza (até 18ª rodada); Jardine (interino)
Chapecoense: Guto Ferreira (até a 10ª rodada); Caio Júnior
Internacional: Argel (até 14ª rodada); Falcão (até 19ª rodada); Celso Roth
Coritiba: Gilson Kleina (até 5ª rodada); Paulo César Carpegiani
Figueirense: Vinicius Eutrópio (até a 14ª rodada); Argel
Cruzeiro: Paulo Bento (até a 16ª rodada); Mano Menezes
Santa Cruz: Milton Mendes (até a 19ª rodada); cargo vago
América Mineiro: Givanildo de Oliveira (até a 5ª rodada); Sérgio Vieira (até 15ª rodada); Enderson Moreira

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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