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O Botafogo fez a maior homenagem possível a Beth Carvalho: um minuto de samba, não de silêncio

Raros artistas na música brasileira demonstraram tamanha paixão por seu clube quanto Beth Carvalho. A Madrinha do Samba era Botafogo desde criancinha, quando ouvia os jogos pelo rádio e venerava os grandes ídolos alvinegros. Aos 15 anos, ganhou sua primeira camisa do clube e passou a frequentar o Maracanã. E, mais do que isso, a Estrela Solitária representava parte significativa de sua vida. Era amiga de jogadores, participava de eventos em prol da torcida, apoiava a agremiação em momentos bons ou ruins. Gravou até músicas relacionadas ao time do coração – seja a sua versão do hino, seja a canção feita especialmente ao fim do jejum de 21 anos no Campeonato Carioca.

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O Botafogo, por outro lado, sempre fez questão de ressaltar seu orgulho pelo amor de Beth Carvalho. Foram diversas homenagens à cantora, muitas em vida. E após o falecimento da Madrinha, os alvinegros foram capazes de grandes gestos. Primeiro, ao emprestarem o salão nobre de General Severiano para o seu velório, local que ela frequentou desde a juventude. Depois, pela belíssima ideia nesta quinta-feira de futebol, no primeiro jogo da equipe desde a perda. Foi impossível não se arrepiar com o tributo, realizado antes que a bola rolasse contra o Bahia.

O Botafogo não respeitou um minuto de silêncio à torcedora ilustre no Estádio Nílton Santos. Fez muito mais do que isso: respeitou um minuto de samba, com a voz de Beth Carvalho ecoando nos alto-falantes. A canção escolhida não poderia ser outra além de ‘Vou Festejar’, tantas vezes entoada pelos botafoguenses – e por outros torcedores ao redor do Brasil. Ofereceu a deixa para que as arquibancadas continuassem cantando a música eternizada pela intérprete. E os jogadores ainda honraram a memória de Beth. Derrotaram os baianos por 3 a 2, de virada, conquistando seu primeiro triunfo no Brasileirão. Para encerrar a noite, o sistema de som do estádio tocou ‘Esse é o Botafogo que eu gosto’, o samba-canção feito ao título carioca de 1989. A Madrinha esteve presente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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