Brasil

Nos 15 anos sem Barbosa, relembre o seu último jogo pela Seleção (e não foi o Maracanazo)

Justo ou não, a derrota para o Uruguai, no Maracanã, pela Copa do Mundo de 1950, caiu nas costas de Barbosa. Durante as décadas que viveu até morrer em 7 de abril de 2000, há exatamente 15 anos, recebeu cobranças nas ruas e críticas nas mesas redondas. Uma ou outra defesa, apenas. Seria espero que o estigma fosse tão grande que ele nunca mais recebesse uma chance na seleção brasileira, mas, em 1953, pode se despedir do time que marcou a sua carreira.

LEIA MAIS: No ano em que a Copa volta ao Brasil, nenhum dia deve ser mais lamentado do que este 7 de abril

O trauma do Maracanazo fez a Seleção tirar dois anos sabáticos. Ficou longe dos gramados até 1952, quando se reuniu, sob o comando de Zezé Moreira, para disputar o Campeonato Pan-Americano. Castilho, do Fluminense, foi o titular durante toda a campanha que terminou com o título do torneio. Mas, apesar de ter sido campeão, o time era considerado “chato” pelo povo, e a CBD decidiu fazer uma mudança. Trocou Zezé por Aimoré, irmão dele.

Aimoré trouxe alguns jogadores de volta, como Zizinho, Ademir e o próprio Barbosa. Ele foi convocado para o Sul-Americano de 1953 ao lado de Castilho, titular absoluto, e Gilmar dos Santos Neves, ainda um garoto que defendia as metas do Corinthians. A renovada seleção brasileira fez 8 a 1 na Bolívia, na estreia, mas Aimoré decidiu mudar o time inteiro para a segunda rodada contra o Equador. Foi quando Barbosa ganhou a sua chance.

Era a vigésima e última aparição do goleiro pela seleção brasileira. O Equador não ameaçou muito, e os principais problemas da partida foram o arqueiro adversário chamado Bonnard e o árbitro que anulou um gol legal de Didi. Cláudio e Ademir de Menezes montaram a vitória por 2 a 0.

Não deu, porém, para Barbosa se despedir da Seleção com um título. O Brasil, já com Castilho de volta às traves, venceu o Uruguai, na rodada seguinte, mas perdeu do Peru. Bateu o Chile na sequência e chegou à última partida podendo apenas empatar com o Paraguai para conquistar o Sul-Americano. Foi derrotado por 2 a 1. A taça foi decidida em um jogo desempate, e o time de Aimoré Moreira caiu novamente, desta vez por 3 a 2.

Pelo menos, o torneio permitiu a Barbosa que a sua última impressão com a camisa da seleção brasileira não fosse aquele gol de Ghiggia.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 2 X 0 EQUADOR

Local: Estádio Nacional de Lima, no Peru
Data: 12/03/1953
Público: 35 mil pagantes
Campeonato: Segunda rodada do Sul-Americano
Árbitro: Maddison
Gols: Cláudio (18’/1T) e Ademir (10’/2T)

Brasil: Barbosa; Pinheiro, Alfredo, Djalma Santos, Brandãozinho e Eli; Cláudio, Didi, Baltazar, Ademir e Rodrigues. Técnico: Aimoré Moreira

Equador: Bonnard; Sánchez, Henríquez, Lovato, Marín e Solís; Balseca, Pinto, Marañon (Chuchuca), Vargas e Guzmán. Técnico: Gregorio Esperón

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo