No dia em que Sócrates faria 64 anos, dez minutos da elegância do Doutor em campo

Em um futebol tantas vezes ditado pelas orientações das assessorias, a lembrança de um jogador como Sócrates serve de alento. Você não precisa necessariamente concordar com os posicionamentos do Doutor. A presença do craque, independentemente disso, contribuiu aos debates ao redor do esporte. O meio-campista tinha a mente que, em um momento de transição importante no país, trouxe à tona discussões pertinentes dentro do processo de redemocratização, incluindo sua participação no movimento das Diretas Já. Mesmo depois de pendurar as chuteiras, continuou sendo uma figura notável por aquilo que suscitava. Especialmente no exterior, percebe-se certo culto à figura do camisa 8 pensante.
Não dá para esquecer, no entanto, que o trampolim para a proeminência múltipla de Sócrates se dava dentro de campo. E que talvez ele fosse muito bem sucedido apenas como médico, o futebol proporcionou uma visibilidade além às suas ideias, um contato permanente com as massas. Uma voz que angariava atenção também por aquilo que conseguiu nos gramados, de uma genialidade ímpar. No dia em que o Doutor completaria 64 anos, se ainda estivesse vivo, vale lembrar um pouco deste seu talento. A visão de jogo, o controle dos espaços, a movimentação e os estonteantes toques de calcanhar. A qualidade de quem jogava principalmente com a cabeça, quando não se era exatamente o atleta ideal. Craque com todas as letras, que ofereceu demais ao futebol, e não quis se limitar ao seu mero papel como protagonista do espetáculo.
Extra: Um pouco mais de Sócrates, em seus tempos de Fiorentina.



