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Neste Dia da Mulher, o Cruzeiro deu importância ao que realmente merece atenção

O Cruzeiro divulgou em seu site e redes sociais a iniciativa “Vamos mudar esses números”, uma homenagem  ao Dia Internacional da Mulher em forma de conscientização. Fugindo dos clichês da data, os mineiros publicaram uma nota informando que os uniformes usados pelo time darão espaço para expor a realidade na qual está inserida a mulher brasileira, evidenciando problemas cotidianos que ela enfrenta e têm suas raízes no machismo. Depois, publicaram outra intitulada “As mulheres não querem parabéns. Elas querem respeito”, também como parte da excelente campanha.

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“A cada 2h uma mulher é morta”. “Trabalham quase 3x mais nas tarefas de casa”. “5º país em taxa de feminicídio”. “De cada dez desempregados, 7 são mulheres”. “A cada dez jovens, 8 sofreram assédio”. O Cruzeiro, em parceria com a Umbro e a Agência New360, irá estampar estas e outras frases em suas camisas especiais do Dia da Mulher. Todas ilustram estatísticas de violência contra mulher, assédio verbal ou sexual, discrepância social e desigualdade laboral entre os sexos e outros problemas. Os dados foram coletados pela ONG AzMina, e foram utilizados pelo clube nessa grande ação para “propor uma importante reflexão” nesse sentido, conforme explicado em nota no site da agremiação. Os uniformes serão usados na partida desta quarta-feira ante ao Murici (AL), pela Copa do Brasil.

“Parabéns! Parabéns? Será que o dia 8 de Março serve só para isso? Não só. O dia é também de ‘Parabéns’, mas é especialmente um dia de dizer ‘estamos juntos’. A simbólica data do Dia Internacional da Mulher está aí não para dizermos, a todo momento, que elas são lindas e que deixam qualquer ambiente mais perfumado ou leve”, escreveu a comunicação do Cruzeiro na segunda nota para promover a ação. “É dia também disso, mas isso é algo muito pequeno diante do tamanho da causa. O 8 de Março é, na verdade, um evento simbólico. É um dia para reflexão e conscientização. É dia de saber, por exemplo, que a cada duas horas, uma mulher é morta e que o Brasil é o quinto país no mundo em taxa de feminicídio”.

É isto que um clube que se autodenomina ‘do povo’ tem que fazer: expor as deficiências da sociedade, os problemas de seu povo. E as mulheres, como maioria da população no Brasil, precisam ter seus problemas sendo debatidos e atendidos. Embora eles transcendam o futebol, neste meio, particularmente, as dificuldades são dobradas. Ainda é um meio muito machista, infelizmente. Foi com a consciência do que cruzeirenses, atleticanas, torcedoras de outros times, jornalistas, árbitras, jogadoras, funcionárias responsáveis pela limpeza dos estádios e centros de treinamentos, nutricionistas, profissionais que trabalham dentro dos clubes e mulheres que não estão envolvidas no futebol escutam, vivenciam, temem, sofrem e protegem todos os dias, em função do patriarcalismo, que o Cruzeiro promoveu essa ação.

Escapar do padrão de presentear com flores, de ceder entradas francas para jogos, de felicitar por meio de artes bem boladas e vídeos promocionais foi uma bela jogada do clube mineiro. Foi um daqueles lances para empatar um jogo de ida de fases avançadas de mata-mata nos acréscimos, que deixam a esperança de vitória ainda que ela seja difícil de conquistar. E ela realmente é, denotativamente.

É preciso ir além das homenagens. É preciso falar sobre o dia a dia, sobre o que incomoda. É preciso conscientizar, expor dados preocupantes, provocar reflexão. É preciso não se limitar a uma data comemorativa. É preciso encorajar mulheres e dar a elas também mais oportunidades. Formando uma equipe feminina, quem sabe, que é o que falta no Cruzeiro, um clube repleto de figuras femininas em seus bastidores. Mais do que tudo, é preciso não compactuar com o silêncio. É preciso dar importância ao que necessita de atenção.

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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