Brasil

Não foi final

Jogos importantes que insistem em ficar empatados sempre têm um clima de tensão. E, por isso, até podem ser angustiantes – e parecerem bons – para quem o acompanha. São Paulo 0x0 Palmeiras do último domingo foi assim. Mas, apreensão à parte, o clássico paulista foi bem ruim. Duas equipes que atacaram pouco, preocupando-se mais em anular o adversário e… em deixar claro que o campeonato não se decidiria no Morumbi no último domingo de agosto.

Ao contrário do que costuma ocorrer quando joga na casa tricolor, o Palmeiras começou o duelo de modo ousado e seguro. Adiantou a marcação e não deu espaço para os são-paulinos tentarem se impor. Algo que seria natural, pois os tricolores precisavam muito mais da vitória.

Apenas na metade do primeiro tempo é que o São Paulo começou a achar espaços. Criou um par de boas chances – parou em Marcos – e deu a impressão de que poderia tomar a conta da partida. Ainda mais depois que não tão seguro Maurício Ramos se contundiu e foi substituído pelo mais inseguro ainda Marcão. Mas isso não ocorreu.

Os dois times perceberam que o jogo seria decidido em detalhes. Os palmeirenses estavam desfalcados na defesa e no meio-campo (depois da contusão de Cleiton Xavier) e não tinham Diego Souza em dia inspirado. Mas as mudanças de Muricy durante a partida deixaram evidente aos são-paulinos de que o técnico oponente os conhecia demais, e sabia como anulá-los. Sem Hernanes, outro que saiu contundido, os tricolores tinham menos ferramentas para tentar a vitória.

Com um equilíbrio tão delicado, os dois times “desencanaram”. Era muito arriscado tentar a vitória quando o risco de perder é muito grande. Sendo que ainda há 16 rodadas a serem disputadas. Basicamente, eles perceberam que o “clima de decisão” não era absoluto. Claro, é um jogo muito importante para o andamento do campeonato, uma “mini-decisão”. Mas, fragilizados, os times preferiram não se arriscar. Haveria tempo para futura recuperação.

Muricy deixou isso bem claro após a partida. Com quatro pontos de vantagem sobre o rival, não era má ideia dividir os pontos. “Não ganhamos, mas eles continuam quatro pontos atrás. Isso foi muito importante numa competição tão equilibrada como o Brasileiro”, comentou na coletiva pós-jogo. Mesmo que isso pudesse resultar – e resultou – na aproximação do vencedor de Internacional x Goiás, que jogariam mais tarde no mesmo dia.

O São Paulo se complicou um pouco, ainda mais porque os alviverdes devem ter uma melhora significativa no ataque com a chegada de Vagner Love. De qualquer modo, se repetir a arrancada da segunda metade do turno, os tricolores entram rapidamente na briga pela ponta.

No final das contas, o clássico paulista não decidiu nada (o que, modéstia à parte, era o prognóstico dessa coluna na semana passada). Foi apenas um jogo em que dois times se equilibraram em virtudes e defeitos e acabaram no 0 a 0 pelo receio de se complicar.

A Série B é logo ali

Até o Fluminense parece aceitar seu destino. O clube já se prepara para disputar a Série B. O curioso é que, ao fazer isso, ele apenas aumenta a chance de esse rebaixamento ocorrer.

O time das Laranjeiras se arrasta no Brasileirão. Não é apenas pelo fato de ser o último colocado, mas por não dar sinais de que pode se recuperar. O que o Sport – apenas um ponto a mais – tem feito, com todas as suas limitações técnicas e orçamentárias. O Tricolor carioca já se dominou pelo desânimo e a lembrança das duas campanhas de queda (não considerando 1998, porque a descida da Série B para a C foi diferente, em um campeonato curto).

No papel, é até possível ver uma saída para o Fluminense. O elenco é fraco, mas tem alguns jogadores que poderiam comandar uma recuperação. Até porque a briga na parte de baixo da tabela não prima pela excelência técnica. O difícil é encontrar alguma motivação por parte de todos no clube, incluindo aí jogadores, dirigentes e comissão técnica.

A contratação de Cuca parece uma tentativa desastrada de mostrar conscientização dos próprios erros. É difícil entender como um técnico que até tem algum nome no mercado, mas construiu uma fama de depressivo e falho nos momentos decisivos, pode pegar o time nessa situação. Mas o plano do Flu é, desde já, a Segundona.

O Tricolor assinou com o treinador até o final de 2010. Com isso, tenta antecipar a montagem da equipe que disputaria a Série B. E, nesse caso, até dá para entender a decisão de Cuca. Afinal, ele teria a chance de remontar um time que fatalmente será favorito à promoção no ano que vem.

O problema é que, por mais que pareça bonito já planejar o próximo ano, o Flu está aceitando rapidamente demais o rebaixamento. O time é favorito à queda, mas ainda tem tempo de procurar a reação. Ao antecipar o projeto de 2010, a diretoria passa ao elenco o recado de que a Segundona é inevitável. Aí, fica muito mais difícil encontrar a motivação para reagir.

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Equipe Trivela

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