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Na última vez que SC teve quatro times na Série A, Brasileirão tinha 94 clubes

A Série B teve uma última rodada sensacional neste sábado. O Joinville comemorou o título mesmo perdendo e ficou com o título. A Ponte Preta brigou pela vitória, mas não conseguiu e sobe como vice-campeã. O Avaí conseguiu vencer o Vasco, os resultados ajudaram e o time está de volta à Série A. Assim, Santa Catarina terá quatro representantes na Série A pela primeira vez em 35 anos. Na última vez que isso aconteceu, o Brasileirão era um monstrengo com 94 clubes, em plena ditadura militar. Desde então, Santa Catarina esteve representado na maioria dos anos, mas ganhou força e, em 2014, passou a ter três representantes na primeira divisão. Em 2015, não só manterá como deve ampliar o número de representantes do estado.

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A última vez que isso aconteceu foi em 1979, quando Joinville, Figueirense, Criciúma, Avaí e Chapecoense jogaram a primeira divisão. Só que naquele ano, 94 clubes disputarão o Brasileirão. Era a época do Campeonato Brasileiro gigantesco, uma realidade totalmente diferente da atual. Com Figueirense já garantido na Série A e com a Chapecoense em boa condição para escapar – explicamos a situação dos times do Brasileirão nas duas últimas rodadas aqui -, Santa Catarina terá, muito provavelmente, quatro times na Série A. É a mesma quantidade que São Paulo, que hoje tem São Paulo, Corinthians, Santos e Palmeiras. Como a Ponte Preta está garantida na Série A, haverá ao menos quatro paulistas na Série A, já que o Palmeiras ainda corre risco de rebaixamento. Se o Palmeiras continuar na primeira divisão, serão cinco times paulistas e quatro catarinenses. Considerando o dinheiro que os paulistas têm em comparação aos catarinenses, é um feito notável. Basta lembrar também que haverá mais catarinenses que fluminenses, já que Flamengo e Fluminense estarão na Série A, mas só um milagre salva o Botafogo.

Em dezembro de 2013, mostramos o que levava os times catarinenses a terem tanta força. O Figueirense e a Chapecoense tinham garantido o acesso à primeira divisão e se juntaram ao Criciúma, que se manteve. Em 2014, o Criciúma acabou rebaixado, mas Santa Catarina segue como um dos estados mais fortes nas duas primeiras divisões brasileiras. E a julgar pelo que fizeram os catarinenses neste ano, não dá para duvidar da capacidade dos times do estado de se manterem na principal divisão de futebol do país.

Quantidade de times de Santa Catarina na Série A no Brasileirão:

  • 2013 – 1 (Criciúma)
  • 2012 – 1 (Figueirense)
  • 2011 – 2 (Avaí, Figueirense)
  • 2010 – 1 (Avaí)
  • 2009 – 1 (Avaí)
  • 2008 – 1 (Figueirense)
  • 2007 – 1 (Figueirense)
  • 2006 – 1 (Figueirense)
  • 2005 – 1 (Figueirense)
  • 2004 – 2 (Criciúma, Figueirense)
  • 2003 – 2 (Criciúma, Figueirense)
  • 2002 – 1 (Figueirense)
  • 2001 – 0
  • 2000 – 0
  • 1999 – 0
  • 1998 – 0
  • 1997 – 1 (Criciúma)
  • 1996 – 1 (Criciúma)
  • 1995 – 1 (Criciúma)
  • 1994 – 1 (Criciúma)
  • 1993 – 1 (Criciúma)
  • 1992 – 0
  • 1991 – 0
  • 1990 – 0
  • 1989 – 0
  • 1988 – 1 (Criciúma)
  • 1987 – 0
  • 1986 – 1 (Joinville)
  • 1985 – Joinville
  • 1984 – 1 (Joinville)
  • 1983 – 1 (Joinville)
  • 1982 – 1 (Joinville)
  • 1981 – 1 (Joinville)
  • 1980 – 1 (Joinville)
  • 1979 –5 (Joinville, Figueirense, Criciúma, Avaí, Chapecoense)
Emoção e troca de posições na disputa por vaga na Série A

A última rodada da Série B tinha três disputas:

A briga pelo título. O Joinville precisava de uma vitória sobre o Oeste, em Itápolis, para conquistar o título. A Ponte Preta precisava de uma vitória contra o Náutico na Arena Pernambuco e torcer para o Joinville não vencer.

A briga pelo quarto lugar e vaga na Série A. Atlético Goianiense, Boa Esporte, América Mineiro, Avaí e Ceará brigavam pela última vaga na primeira divisão.

Última vaga contra o rebaixamento. América de Natal, Bragantino e Oeste estavam na disputa contra o rebaixamento.

O primeiro tempo foi bastante morno em todas as partidas, mas o segundo tempo reservava fortes emoções. Na disputa pelo título, o Oeste marcou 1 a 0 no Joinville, aos oito minutos. Com isso, a Ponte Preta precisava vencer para ficar com o título. Só que o time perdia por 1 a 0 para o Náutico em Recife. Só que aos 15, Renato Cajá marcou o gol de empate da Ponte. A Macaca ficava a um gol do título, tão esperado em sua história.

Na disputa pela quarta posição e a vaga na Série A, mais loucura. O Boa Esporte dependia só de si para subir. Era só vencer o Icasa no Ceará para conseguir. O América Mineiro aproveitava que os adversários tropeçavam e vencia com facilidade, subindo para o quarto lugar. Terminou o primeiro tempo vencendo por 3 a 0. O segundo tempo reservou as emoções mais fortes. Primeiro, Junior Viçosa marcou para o Atlético Goianiense, resultado que dava a vaga aos goianos. O Boa, então, marcou o seu gol contra o Icasa e tomou a frete. Só que logo depois, Gamalho empatou para o Santa Cruz em Goiânia, e, depois, virou para o time pernambucano, jogando água no chopp do Atlético Goianiense.

Enquanto isso, o Avaí marcava 1 a 0 no Vasco e saltava para o quarto lugar. O Icasa virou para cima do Boa e derrubou o time mineiro da disputa, o Santa Cruz marcou o terceiro gol nos acréscimos e também enterrou as esperanças do Atlético Goianiense e o Avaí segurou o resultado. Levou vaga, com direito a muito choro de Marquinhos, capitão, ídolo e autor do gol que levou o time de volta à Série A, e Eduardo Costa, volante, ex-Grêmio, que é torcedor do Avaí , assim como Marquinhos.

Na briga contra o rebaixamento, o América de Natal quase não teve chances. Esteve o tempo todo na 17ª posição. Saiu perdendo do Paraná logo a um minuto e esteve atrás no placar todo o tempo. O jogo acabou 4 a 1, sem chances para o time potiguar. Um rebaixamento triste para o time, que foi tão bem na Copa o Brasil e só caiu para o Flamengo,nas quartas de final.

A Série B deu mais uma demonstração que é um torneio sensacional, cheio de emoções, times tradicionais e muita disputa. Imagine só se fosse um torneio bem organizado e bem promovido?

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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