Brasil

Mais do que chefe de Pelé, Zito era um ótimo jogador de futebol

A Taça Libertadores não era tão valorizada pelos nossos clubes quando o primeiro brasileiro tomou-a nos braços e a levantou. José Ely Miranda, o Zito, que morreu no último domingo, ganhou mais essa responsabilidade por ser o capitão do Santos campeão sul-americano de 1962. E aceitou esse fardo como todos os outros. O maior deles foi ser o cara chato de um dos times mais encantadores da história. Pelo perfil de liderança, pelas broncas que dava em Pelé, ganhou o apelido de Gerente, mas foi muito mais do que um volante que gritava com outros. Zito era muito bom jogador.

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Tinha a importância tática de ser o equilíbrio de um time muito ofensivo. Ficava na entre as duas intermediárias, dependendo de onde estivesse a bola, desarmando ou começando as jogadas. Entrava na área de vez em quando, como na final da Copa do Mundo de 1962, quando fez o gol da virada. Tinha o passe apurado para auxiliar os brilhantes companheiros. “Além de ser um grande líder, ele jogava muito. Nós já tínhamos um ataque forte e ainda contávamos com Zito chegando”, afirma Pepe.

Pelé e Garrincha entraram no time durante a campanha do título de 1958, mas não foram os únicos. No mesmo jogo em que Feola mudou o time, contra a União Soviética, ele também colocou Zito no lugar de Dino Sani, e o ex-jogado do Santos ficou até a final, na qual ajudou a construir dois dos cinco gols brasileiros.

E até a Copa do Mundo seguinte, quando já era um jogador estabelecido na seleção brasileira. Coroou o bicampeonato com a jogada e o gol da virada na decisão. Roubou a bola no meio-campo, avançou até a entrada da área, abriu para Garrincha e, com a mesma cabeça de onde saíam ordens e broncas, cabeceou no segundo pau.

Poderia não ter a mesma mágica de muitos dos seus companheiros de equipe, mas não era um mero administrador.

Veja a jogada de Zito, a partir dos 2min20s:

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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