Brasil

A grande transformação de Luciano Juba até a merecida vaga na Seleção

Jogador de 26 anos ganha primeira convocação após retornar à posição que iniciou a carreira

Carlo Ancelotti chamou apenas um estreante na lista de convocados divulgada nesta segunda-feira (3) para a Data Fifa de novembro. Luciano Juba, lateral-esquerdo do Bahia, é recompensado pela grande temporada que vem fazendo, acompanhado de um 2024 promissor, e chega pela primeira vez na carreira na seleção brasileira.

A história do jogador de 26 anos é inusitada e até improvável. Ele se profissionaliza como lateral, vira atacante com direito a uma temporada com mais de 40 participações em gols e retorna à função mais defensiva há cerca de um ano. Tudo isso graças ao técnico Rogério Ceni, quem mudou os rumos de sua carreira.

— Jogador com perfil técnico muito importante. Ontem deu uma assistência muito boa para o gol do Bahia. Um jogador que pode jogar por dentro. Está indo muito bem com o Bahia. Na avaliação de laterais esquerdos que temos feito, com Douglas Santos, Caio Henrique, ele merece uma avaliação — justificou Ancelotti.

Luciano Juba comemora o gol da vitória do Bahia sobre o Fluminense (Foto: Fillipe Alves/Agência F8/Gazeta Press)
Luciano Juba comemora o gol do triunfo do Bahia sobre o Fluminense (Foto: Fillipe Alves/Agência F8/Gazeta Press)

Luciano Juba chega ‘artilheiro’ no Bahia e vira um dos melhores laterais do país

Por sua capacidade ofensiva e nem tantas valências defensivas, Juba saiu de lateral e virou ponta esquerda e por vezes meia no Sport, clube onde se profissionalizou há cinco anos. Após empréstimo ao Confiança, em 2021, ele vira um ponta de muitos gols e assistências no Leão. Em 2022, foram 19 participações em gols. No ano seguinte, quando sai de graça rumo ao Bahia em setembro, termina a temporada com 21 gols e 20 assistências.

— Eu sou um pouco mais ofensivo mesmo. Desde o tempo que eu jogava de fato na lateral, eu tinha essa dificuldade na marcação, na parte defensiva — assumiu o jogador em entrevista coletiva em fevereiro do ano passado.

Luciano chegou em Salvador praticamente junto a Ceni, que assumiu o time com a missão de salvar do rebaixamento no Brasileirão e conseguiu. Para 2024, o técnico enfrentou uma crise na lateral esquerda e, na escassez de opções, fez Juba voltar à posição que se formou, transformando o jogador.

O agora lateral se torna um pilar no estilo de jogo do treinador enquanto o Bahia caminhava para melhor campanha de sua história no Campeonato Brasileiro de pontos corridos.

No estilo de jogo característico de Ceni, no momento com bola fixando os jogadores em suas posições em 3-2-5, Juba não sobe para dar amplitude como um ponta pela esquerda, o que até parecia ser algo natural.

O treinador opta, na verdade, por deixar o jogador ser mais um meio-campista por dentro ao lado de Caio Alexandre ou, em momentos mais raros, preso na saída de bola junto dos zagueiros.

— Ele fica um pouco mais precavido para construir jogo e chegar de trás do que para dar profundidade e fazer ultrapassagens — analisou o comandante tricolor em maio de 2024.

Nessa função, mesmo que ainda faça ultrapassagens por fora, o lateral-esquerdo chama atenção por sua capacidade no passe, em especial os cruzamentos, e a qualidade em chutes de fora da área, aproveitando sobras na entrada da área, como fez em gols contra Santos, Fluminense e Atlético Mineiro no Brasileirão deste ano.

Luciano Juba também aparece na área atacando por dentro e pode ser um elemento surpresa atacando o espaço, o cenário que o fez dar a vitória contra o Flu na ida das quartas de final da Copa do Brasil.

— Apesar de ser lateral esquerdo, ele está sempre à frente da área ou fazendo outra passagem como lateral. Acho que é um momento bacana que ele vive aqui dentro, nessa posição que transformou a vida dele, porque ele era um bom ponta jogando no Sport, mas ele se tornou talvez um dos melhores na posição que ele ocupa hoje jogando pelo Bahia — elogiou Ceni em agosto passado.

Mesmo que mais longe da meta adversária agora como defensor (ou, melhor, meio-campista no momento ofensivo), o jogador ainda é o vice-artilheiro e assistente do time, com cinco gols e quatro assistências.

Rogério Ceni dá instruções a Luciano Juba e Jean Lucas em jogo do Bahia
Rogério Ceni dá instruções a Luciano Juba e Jean Lucas em jogo do Bahia (Foto: Letícia Martins/EC Bahia)

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E na Seleção, há espaço para o destaque do Bahia jogar?

A lateral esquerda, como acontece há anos, segue sendo uma grande dúvida para o Brasil. Douglas Santos, aparentemente o único confirmado na posição e titular nos últimos jogos mais importantes da Seleção, está lesionado e abriu espaço para mais testes.

Junto de Juba, foram chamados Alex Sandro, do Flamengo, velho conhecido do selecionado brasileiro e capaz de atuar como zagueiro, e Caio Henrique, do Monaco, com características próximas a do jogador do Bahia e também chamado em outras oportunidades.

Por ser uma posição muito aberta, com poucos destaques, Luciano tem condições de ganhar uma vaga entre os convocados em definitivo. Ancelotti espera do lateral-esquerdo justamente esse jogo por dentro, como ele faz no Tricolor Baiano. A ver se ele terá minutos nos dois amistosos, pois os outros dois nomes da função estão mais consolidados.

— Hoje posso dizer que realizo meu sonho de criança de ter a honra de vestir a camisa da seleção brasileira, e vou dar o meu máximo para representar meu país — celebrou Juba nas redes sociais.

Os próximos jogos da Seleção

  • Brasil x Senegal — quinta-feira, 15 de novembro, às 13h (horário de Brasília);
  • Brasil x Tunísia — terça-feira, 18 de novembro, às 16h30 (horário de Brasília).
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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