Por que Luciano Juba merece ser lembrado por Ancelotti na convocação da Seleção
Lateral tem sido fundamental na temporada do Bahia, com números importantes na campanha do clube em 2025
O Bahia conta hoje com uma peça fundamental em seu elenco: o lateral-esquerdo Luciano Juba. O pernambucano vive uma ótima fase no Tricolor, com atuações regulares e de importância na campanha deste ano. Tanto que seu nome merecia ser lembrado na lista de convocados de Carlo Ancelotti, treinador da seleção brasileira.
Além da função de origem, Juba tem um mais um trunfo que tem sido crucial para o time comandado por Rogerio Ceni: a versatilidade em campo. O atleta pode ser utilizado como meia, ponta ou, em alguns momentos, centroavante.
A importância de Luciano Juba no Bahia
O poderio ofensivo se reflete em números. Juba esteve em campo em todos os jogos do Bahia na Série A, onde foi titular em 18 das 19 partidas, somando cinco gols e três assistências — ele foi autor de gols contra o Fluminense, Atlético Mineiro, Red Bull Bragantino e Santos. No tento mais recente, abriu o placar contra o Peixe no triunfo baiano por 2 a 0.

Ele é o artilheiro do clube no Campeonato Brasileiro, sendo o segundo jogador com mais minutos em campo pelo Esquadrão de Aço: 3.414 minutos, atrás apenas do zagueiro Ramos Mingo.
Números de Luciano Juba pelo Bahia:
- 2023: 14 jogos, 1 gol e 2 assistências
- 2024: 63 jogos, 3 gols e 5 assistências
- 2025: 45 jogos, 5 gols e 7 assistências
Na época de Sport, time que formou e revelou o jogador, Luciano Juba também acumulava bons números. Em 2023, ainda antes de ser transferido para o Bahia, o atleta atuava como atacante no clube pernambucano. Na temporada inteira, somando os jogos dos times nordestinos, o jogador chegou a 38 participações em gols, acumulando 20 gols e 18 assistências, em 53 jogos.

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Seleção precisa ajustar laterais em sua reconstrução
Antes mesmo de atingir a sequência de bons números ainda este ano, Luciano Juba já havia comentado sobre o sonho de vestir a camisa da seleção brasileira e vem confirmando o que buscava ainda em maio, quando completou o 100º jogo pelo Bahia.
— Eu sempre vou dar o meu máximo aqui dentro do clube. Sempre vou trabalhar firme e forte para ajudar o Bahia dentro de campo. Se for da vontade de Deus e chegar a uma seleção brasileira eu vou ficar muito feliz, mas de momento estou focado em ajudar o Bahia –, afirmou.
Já que os números falam por si, a campanha para uma oportunidade do pernambucano na seleção brasileira fez parte do coro realizado pelo próprio companheiro de equipe.
Durante os vídeos dos bastidores da vitória do Bahia sobre o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro por 2 a 1, o meio-campista Jean Lucas — que está presente na pré-lista de convocação de Carlo Ancelotti — chegou a pedir para que a canarinha olhasse para Juba.
— Juba é Seleção car****! Olha para esse garoto aqui, está com a seta lá no alto –, brincou o jogador.
Mas os pedidos não são à toa. Até onde foi revelado, Juba não figurou entre os jogadores listados na lista larga dos atletas para as duas últimas rodadas das eliminatórias, contra Chile e Bolívia.

Para atuar como lateral-esquerdo, foram mencionados Alex Telles (Botafogo), Kaiki Bruno (Cruzeiro) e Alex Sandro (Flamengo). Em termos de números, Juba supera os convocados, com mais jogos (45), mais gols (5) e mais assistências (7).
- Alex Telles: 40 jogos, 4 gols, 5 assistências e 2.821 minutos jogados
- Kaiki Bruno: 32 jogos, 0 gols, 3 assistências e 2.693 minutos jogados
- Alex Sandro: 27 jogos, 0 gols, 0 assistências e 2.005 minutos jogados
Em média, Luciano Juba participa de um gol a cada 284 minutos em campo — cerca de um a cada três jogos. É um número melhor que Telles (um a cada 313 minutos), Kaiki (um a cada 897) e Alex Sandro, que não marcou e nem assistiu em 2025.
Os testes de Ancelotti
Ainda em fase de testes no elenco, Ancelotti fará a sua segunda convocação com a seleção brasileira. Alex Sandro e Vanderson foram os únicos laterais que atuaram em dois jogos sob o comando do italiano. O lateral do Monaco, inclusive, não chegou a ser mencionado na pré-lista após uma atuação abaixo do esperado pela equipe nacional.
Depois de mudanças frequentes e que não surtiram efeito — já que não houve um perfil claro de estilo de jogo — durante as passagens a passagem de três treinadores em um intervalo de um ano (Fernando Diniz, Ramon Menezes e Dorival Júnior), a falta de títulos e a queda de desempenho em comparação com outras seleções acenderam um alerta máximo para a reformulação.
Entre os acertos que precisam ser feitos está justamente nas laterais. Durante a partida contra o Equador, por exemplo, parte dos lances de maior perigo contra o Brasil surgiram no setor.
Não à toa, desde o fim da era formada pela dupla Daniel Alves e Marcelo em 2018, a seleção testou 30 novas formações nas laterais. A maior incidência foi a parceria entre Danilo e Alex Sandro, titulares em 14 partidas; seguida por Danilo e Renan Lodi, em 11 oportunidades; e Danilo e Guilherme Arana, em outros sete jogos, como apontou o levantamento da “ESPN”.
Os números se referem desde a era Tite até o comando de Dorival. Neste período, algumas formações foram pensadas organicamente e outras improvisadas devido às lesões de jogadores do setor, especialmente no período da Copa do Mundo de 2022.

Em 2023, durante a Data Fifa de outubro, Fernando Diniz precisou se reinventar devido às lesões. Na ocasião, o treinador precisou convocar oito jogadores diferentes. Já na era Ancelotti, a escolha dos jogadores segue trazendo repercussões.
Isso porque Renan Lodi, lateral do Al-Hilal, criticou as escolhas do treinador italiano em sua primeira convocação à frente da seleção brasileira, que o deixou de fora. O jogador havia discordado do técnico ter optado por Alex Sandro, do Flamengo, e Carlos Augusto, da Inter de Milão, para a lateral-esquerda.
Independente das mudanças e discordâncias, fica evidente a necessidade de ajustes na seção e a probabilidade de novos testes de elenco podem ser fatores fundamentais para dar oportunidade às novas caras na equipe nacional, incluindo Luciano Juba, que tem respondido em campo, e se destacado no Campeonato Brasileiro.
E, apesar da classificação quase sufocante para o Mundial, com altos e baixos da seleção brasileira, é preciso que as mudanças se encaixem para que se inicie uma era de titularidades antes da Copa do Mundo, com oportunidades a quem também tem figurado nacionalmente.



