Entenda por que ídolo argentino Juan Sebastián Verón visitou o Santos
Ex-meia é o atual presidente do Estudiantes, clube que tenta virar SAF e já tem pré-acordo para investimento de US$ 150 milhões
Ídolo e atual presidente do Estudiantes de La Plata, Juan Sebastián Verón visitou as dependências do Santos nesta terça-feira (13) e se reuniu com o presidente do clube, Marcelo Teixeira.
A visita ao Peixe é a primeira de uma série de encontros que La Brujita terá no Brasil ao longo dos próximos dias. Verón está no Brasil acompanhado do agente Vinícius Prates, com uma agenda de reuniões com alguns clubes e também fundos de investimento brasileiros.
Verón é um dos grandes defensores da criação de clubes-empresa na Argentina. O Estudiantes, inclusive, tem um pré-acordo assinado com o empresário norte-americano Foster Gillett, ex-dono do Liverpool, para investimentos na ordem de US$ 150 milhões (R$ 808,5 milhões) no Pincha.
Por intermédio do empresário, o dirigente busca novos cenários para captação de recursos, além de entender também como funcionam alguns modelos de gestão de clubes no Brasil.
Estudiantes tenta abrir caminho para SAFs na Argentina
Se no Brasil, as SAF’s são uma tendência já consolidada pra clubes de diversos portes e realidades, o mesmo não pode ser dito sobre a Argentina. O modelo de clubes-empresa sofre com rejeição de clubes, federações e torcedores.
A legalidade das Sociedades Anônimas Desportivas (SADs, o equivalente às SAFs na Argentina) é tema de grande grande debate no futebol argentino. O presidente do país, Javier Milei tenta aprovar uma lei que permite que os clubes se tornem empresa — algo não permitido até agora na legislação argentina.
A Associação de Futebol Argentina (AFA), por sua vez, é contra a criação das SADs. E em meio a este jogo político e de poder, está o Estudiantes de La Plata.
O clube presidido por Juan Sebastión Verón é um dos primeiros da Argentina a se posicionar a favor do modelo de SAD. Ele inclusive tenta pleitear junto à AFA a possibilidade e implementar este modelo no “Pincha”, em uma batalha até então infrutífera.

A equipe de La Plata, claro, tem interesses particulares na liberação, por conta do pré-contrato assinado com Gillett, para um investimento total de US$ 150 milhões no clube. Mas o negócio está travado justamente pela legislação argentina.
O Talleres, de Córdoba, por sua vez, adotou uma modalidade semelhante a uma SAF, mas sem utilizar desta nomenclatura. Ligado ao Grupo Pachuca até 2021, o atual presidente do clube, Andrés Fassi, adotou um novo modelo de gestão em que entregou algumas atividades a terceiros, mas sem uma venda efetiva.
Esta foi a forma encontrada para driblar a legislação argentina e viabilizar a entrada de capital privado, sem estar passível a punições da AFA.



