Brasil

Indispensável à Seleção

Ronaldinho amarela. Ronaldinho não tem comprometimento com a Seleção. Ronaldinho só joga bem no Barcelona. Ronaldinho não tem lugar junto com Kaká. Qualquer que fosse o argumento para deixar o meia-atacante do Barcelona fora do 11 titular do Brasil, esse acabou neste domingo em Chicago. Na vitória por 4 a 2 sobre os Estados Unidos, Ronaldinho mostrou porque é essencial se Dunga pretende ter brilho à Seleção.

O gaúcho correu, driblou e, principalmente, lançou e tabelou com rapidez como ninguém fizera desde que Dunga assumiu. Isso não é culpa necessariamente do técnico, é apenas a constatação de que o Brasil não dispõe de jogadores com o talento do barcelonista. Por isso, ele é indispensável hoje. De verdade, não como uma dispensável revista semanal brasileira.

Contra os Estados Unidos, o Brasil teve o que tanto careceu na Copa América (com exceção da final contra a Argentina): imprevisibilidade. O lance que melhor retrata isso foi logo no início da partida, quando Ronaldinho encontrou Afonso livre na frente em uma jogada completamente inusitada e genial. Pena que o atacante do Heerenveen não teve a mesma capacidade técnica para fazer o gol que lhe foi dado.

Outra novidade interessante do amistoso do Soldier Field foi o papel de Robinho. Dunga, desde que assumiu, só imagina usar o trio Ronaldinho-Kaká-Robinho ao mesmo tempo se for como trio de meias avançados (Kaká pelo meio, os outros dois pelas pontas) atrás de um atacante único e à frente e uma dupla de volante. Faz sentido no papel e esse colunista já defendeu bastante essa formação. Neste domingo, Robinho ficou nessa função durante boa parte do jogo, mas deu suas “escapulidas”.

Robinho parece se sentir mais solto na seleção como segundo atacante. Como já ocorrera durante o “mandato” de Parreira. No papel de segundo atacante, Robinho se movimenta com mais facilidade pelos dois lados do campo e pode trabalhar melhor com os meias e com o outro atacante. Outra vantagem desse sistema é que tira um pouco a necessidade de o primeiro atacante ser um pivô para quem vem de trás. Afinal, ele teria um companheiro para lutar por espaço, tabelar e concluir jogadas.

No mais, a seleção de Dunga continua com uma defesa segura na maior parte do tempo, mas dada a lapsos estranhos. O papel ofensivo dos laterais não está muito bem definido e não se sabe quem é realmente o goleiro do Brasil. O curioso é que, mesmo com todos esses problemas e diante de um adversário mais dedicado à partida, a Seleção mostrou evolução de verdade. O time já tinha um pouco de personalidade e parecia ter lugar para Ronaldinho e Kaká (insanidade pensar em um time sem essa dupla).

Muito disso é mérito quase que único de Ronaldinho. Menos mal para os torcedores brasileiros que ele estará à disposição durante as Eliminatórias. E como titular, claro.

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Equipe Trivela

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