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Identificado com a massa e, agora, carrasco: Tardelli definitivamente está entre os grandes do Galo

Marcar um gol importante em clássicos já é o suficiente para colocar um jogador no coração de sua torcida. Em uma decisão, então, a façanha é amplificada. Os atleticanos serão gratos eternamente a Luan e Dátolo, autores dos primeiros tentos na final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro. Ainda assim, a bola nas redes pode representar ainda mais. Como aconteceu com Diego Tardelli. O tento solitário no Mineirão azul é o fato irrefutável de que o atacante está entre os grandes da história do Galo. Um ídolo surgido ainda nos momentos de seca, que se manteve como protagonista nas glórias e criou uma identificação imensa com a massa.  Importância assinalada com o gol do título em uma decisão tão representativa.

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Tardelli se encontrou no Galo. Por mais que o atacante tenha vivido bons momentos no São Paulo e no Flamengo, nunca estourou como o craque que sempre prometeu. Em Belo Horizonte, porém, encontrou tranquilidade suficiente para ascender. Quando não vivia sob tantas expectativas, se tornou um artilheiro implacável e até fez os atleticanos sonharem novamente com títulos importantes. Saiu para buscar fortunas na Rússia e no Catar, mas voltou no momento certo. Para se consagrar e retribuir a oportunidade que teve no clube, ajudando também o Atlético a se reencontrar.

No futuro, o jogador mais lembrado desse período vitorioso do Atlético provavelmente não será Tardelli. A gratidão a Victor é imensa, por todos os milagres que o santo atleticano realizou na Libertadores e na Copa do Brasil. Já considerado por muitos como o melhor goleiro da história do clube. A magia, por sua vez, ficou por conta de Ronaldinho.  Aquele craque que o torcedor poderia dizer que estava entre os melhores do mundo, de fazer milhares de olhos brilharem com uma simples jogada. Entretanto, não há identificação maior do que a demonstrada com Diego Tardelli.

É lógico, a excelente fase vivida pelo atacante ajuda no carinho. Mas Tardelli vai além das bolas nas redes. Ele não para de se movimentar por um instante. Não tira o pé das divididas. Esteve disposto a voltar de um compromisso com a Seleção e, em questão de horas, entrar em campo para ajudar no milagre contra o Corinthians. Além de ter desmontado o Cruzeiro na decisão. Se as arquibancadas têm incentivo para gritar mais, é vendo a entrega de um jogador como Tardelli. Se acreditam no que parecia perdido, é também pelo suor do atacante.

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Não é um craque como Reinaldo ou um goleador nato como Dario. Mas Tardelli possui uma trajetória única com a camisa alvinegra, que o permite ao menos se aproximar de outras lendas do Galo. A história ainda está sendo escrita e pode ter pontos baixos, como na apática atuação contra o Raja Casablanca, quando o atacante prometia muito e fez pouco. Passado que o atleticano prefere esquecer. Afinal, o presente é bem mais prazeroso. E Tardelli tem feito por merecer tanto carinho, o melhor jogador do time desde antes da saída de Ronaldinho.

O próprio jeito de Tardelli se posicionar aumenta a sua proximidade com a torcida. Não tem pudores para clamar a paixão pelo clube e provocar o rival, por mais que às vezes passe do ponto. Para o atleticano, pouco importa. A carência de taças se encerrou com um time que não se dá por vencido. Orgulho resgatado e exaltado também com um ídolo que realmente torna a camisa a sua segunda pele. Uma dedicação que vale muito respeito da massa. E se torna admiração ainda maior somada a gols e vitórias, sobretudo nos clássicos. Desde já, um eterno carrasco.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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