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Henrique, Pato e Vargas. Qual a aposta mais perigosa?

Henrique, formado na base do São Paulo, é um atacante de pouca altura e que sempre demonstrou bom faro de gol. Lutador, chuta muito a gol. Quando tem chance, não fica tentando dar passes. Assume que é centroavante e arrisca. Teve sucesso nos mundias de categorias de base mas não se firmou. Foi emprestado ao Granada e decepcionou. Esteve no Vitória em 2011 e no Sport em 2012. Não foi titular, mas deixou boa imagem. Os dois times caíram.

O Botafogo acerta em contratá-lo. Não há porque não acreditar que ele possa, enfim, mostrar parte do que prometeu. Pode ser um jogador útil, pode, enfim, dar um grande passo na carreira. Está em um time grande e não faltará incentivo. Poucos acreditam que ele possa chegar à seleção principal, mas há muitos bons jogadores que nem passam perto de uma convocação.

O problema dessa equação é que Henrique, para o Botafogo, tem obrigação de dar certo. Se os gols não saírem rapidamente, a cobrança vai começar. Não há paciência em um time grande que ganha poucos títulos. E, então, se a pólvora do artilheiro continuar molhada, o Botafogo terá de gastar dinheiro para conseguir outro atacante. É um grande risco.

Nada disso aconteceria se Henrique estivesse no Corinthians, por exemplo. O time é campeão do mundo, é campeão da Libertadores. Tem Guerrero, tem Romarinho, Sheik e Jorge Henrique. Henrique teria tempo para dar certo, para mostrar serviço nos treinos. Se fosse bem, o time ganharia um atacante. Se fose mal, não faria falta.

O Corinthians pode apostar. O Botafogo, não. Fez isso com Pato. A maior transação da história do clube não precisa jogar bem. Nem precisa entrar em campo.  O Corinthians não precisa dele. Nem para  uma futura venda. Com os contratos milionários de publicidade que tem, o Corinthians pode contratar jogadores sem pensar no orçamento. Apenas para ser a cereja do bolo. Deu certo, deu. Não deu, tudo bem, vamos partir para outra. Foi assim com Adriano.

É parecido com a relação do São Paulo com o chileno Vargas. O clube também tem dinheiro e também pode sofrer com contratações ruins. Talvez em um nível menor que o rival paulista, mas muito melhor que o carioca. Se Vargas – que deve chegar essa semana – não der certo, tem o Osvaldo e o Wallyson. Pode  jogar o Canete no meio e apenas um atacante. Há boas possibilidades técnicas. O  bolo, apesar da saída de Lucas, está feito. Nem precisa de cereja.

Essa margem de possibiliade de erros leva São Paulo e Corinthians a se distanciarem dos outros clubes. Eles podem apostar em Pato e Vargas. O Botafogo não pode errar com Henrique.

Os títulos brasileiros ficarão restritos a times ricos? Não estou dizendo isso. Há muitos jogadores no Brasil e é possível montar um bom time com menos estrelas. É possível brigar, mas, com certeza, os títulos ficarão cada vez mais próximos dos times ricos. Os times que podem errar. E, coinicidência ou não, são os que menos erram.

Desde 2003, quando houve o primeiro campeonato brasileiro de pontos corridos, os campeões foram: São Paulo (três títulos), Fluminense e Corinthians (dois títulos), Santos, Flamengo e Cruzeiro (um título). O último campeão brasileiro fora dos chamados 12 grandes do país foi o Atlético-PR em 2001.

O número de favoritos é cada vez menor. Assim, como na vida, os mais ricos é que podem sonhar com a glória.

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