Publicado originalmente no dia 3 de junho de 2017, revisado e atualizado
Torneio da França, 3 de junho de 1997. A competição preparatória para a Copa do Mundo de 1998 reuniu algumas das camisas mais pesadas do mundo: a anfitriã, França; a tradicional Inglaterra; o campeão do mundo, Brasil; e Itália, uma das maiores seleções mundiais. Foi nesse torneio que Brasil e França fizeram um duelo que teria um episódio marcante: um gol espetacular de Roberto Carlos. Aquela cobrança de falta com uma curva que parece impossível, contornando a barreira. Impressionante. Inacreditável.
O jogo foi no antigo estádio Gerland, em Lyon. França e Brasil abriram o torneio. O time do então técnico Zagallo era muito próximo do que iria à Copa do Mundo no ano seguinte. A escalação brasileira naquele dia era: Taffarel; Cafu, Aldair, Célio Silva e Roberto Carlos; Mauro Silva, Dunga, Giovanni e Leonardo; Ronaldo e Romário.
Aquele era o primeiro ano da Nike como fornecedora de material esportivo do Brasil. O uniforme era um estilo clássico, com um tom de amarelo um pouco diferente do que a Umbro fazia até 1996. Era um pouco mais fosco, com uma fonte do número bem clara. Talvez a camisa, por si só, seja só a representação de um momento de magia com um time que contava com muitos craques (ok, tinha alguns que não jogariam nem hoje em dia, como Célio Silva).
Cafu e Roberto Carlos são dois dos melhores da história nas suas posições; Aldair é um dos melhores zagueiros da sua geração. Romário e Ronaldo é uma das melhores duplas de ataque que a seleção brasileira já viu. Uma pena que não vimos os dois na Copa, no ano seguinte, depois daquele triste corte do baixinho.
No banco daquele time, em 1997, ainda havia Djalminha, um craque que tratava a bola com carinho; e Edmundo, um dos melhores do mundo naquele momento. Aliás, muita gente defende que ele foi o melhor do mundo, o que é perfeitamente defensável por tudo que o Animal jogou naquele ano pelo Vasco. Não por acaso conduziria o Vasco ao título do Brasileirão no final daquele ano.
Só não dá para esquecer que aquele foi um dos melhores anos da carreira do titular daquele time, Ronaldo, que foi quem efetivamente ganhou o prêmio. Além disso, a Europa jamais olhava para o Brasil, seja em prêmios da Fifa, seja na France Football – que sequer considerava jogadores fora da Europa na época. Foi só em 2007 que a France Football abriu que jogadores que atuam em qualquer lugar do mundo concorressem à Bola de Ouro. Isso, porém, é assunto para outro texto.
Em 1997, a Copa das Confederações não era um torneio preparatório para a Copa do Mundo, como passou a ser a partir de 2005. Naquele ano, aliás, foi quando a Fifa assumiu a organização do torneio, que foi disputado em dezembro e ainda na Arábia Saudita, sede das duas primeiras edições, em 1992 e 1995, sob o nome de King Fahd Cup.
O que foi feito em 1997 foi este torneio amistoso com quatro camisas pesadas como uma preparação para a Copa do Mundo de 1998. Curiosamente, o campeão também não fez uma grande Copa do Mundo: a Inglaterra, eliminada nas oitavas de final no ano seguinte pela Argentina de Diego Simeone. Ou seja: torneio preparatório para a Copa, um ano antes? É melhor fugir.
Voltamos ao jogo. Era o dia 3 de junho de 1997. O estádio Gerland recebia o campeão do mundo Brasil e o país-sede França. Em campo, a França trazia vários dos seus jogadores que seriam campeões do mundo no ano seguinte: Fabien Barthez; Vincent Candela, Laurent Blanc, Marcel Desailly e Bixente Lizarazu; Didier Deschamps, Christian Karembeu, Zinedine Zidane e Robert Pires; Ibrahim Ba e Florian Maurice.
O jogo estava 0 a 0 quando Romário sofreu falta na intermediária. Roberto Carlos pegou a bola com carinho. Ajeitou com cuidado, tomou muita distância e partiu para a bola. Conseguiu uma curva impressionante e pouco vista antes. A bola foi por fora da barreira, parecendo que sairia do gol, mas a trajetória mudou com uma curva fantástica, que deixou Barthez sem ação. Não tinha mesmo o que fazer. No máximo, bater palmas. O Brasil ainda sofreu o gol de empate no segundo tempo, com Marc Keller. Foi o único gol dele pela França em seis jogos que disputou. Ele não foi convocado à Copa do Mundo.
O gol de Roberto Carlos se tornou objeto de estudo. Como chutar daquele jeito é possível? Sim, a física explica o que aconteceu ali. Há curiosidades bem interessantes para mostrar como esse chute é difícil de ser realizado. Inclusive é um dos vídeos que você verá abaixo: veja também este gol recriado em versão 8-bit, que é espetacular e você pode ver abaixo.
O gol de Roberto Carlos recriado em versão 8-bit
Se você tem mais de 30 anos, certamente jogou os antigos games de futebol nos videogames antigos. Um dos jogos das antigas era Sensible Soccer, um clássico pela sua jogabilidade. O jogo, lançado em 1992, trazia uma perspectiva vertical do campo e foi um clássico explorado em muitos outros jogos de futebol que se inspiraram nele. O 8bit Football (no Twitter, @8bitfootball), que recria jogadores e cenas do futebol de verdade em 8 bits, tem trabalhado para recriar cenas do futebol estilo Sensible Soccer, com gráficos no estilo 8bit. A recriação do gol de Roberto Carlos pela Seleção Brasileira contra a França ficou sensacional.
Sensible Soccer, o game clássico inspirador do 8-bit soccer, fez parte da nossa série Gamepédia, que conta a história dos games de futebol. O jogo foi tão marcante que já teve até selo comemorativo no Reino Unido.
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O golaço de Roberto Carlos em versão obra de arte
Os desenhos abaixo foram assinados por Victor Bueren e Stanley Chow, respectivamente, como mostramos aqui no site em 2014. As peças fazem parte de uma campanha da Umbro, ‘Golaço’. A empresa de materiais esportivos oferece uma viagem ao Brasil e um encontro com Roberto Carlos a cinco pessoas que enviarem vídeos de golaços pessoais em sua página do Facebook. E eles nem precisam ser de falta. Afinal, vai ser difícil encontrar alguém que consiga se aproximar da beleza da jogada de Roberto Carlos.





