Da 3ª divisão à elite do Brasil: Tudo mudou para vencedor do Puskás em um ano
Em exclusiva à Trivela, Guilherme Madruga, agora no Cuiabá, detalhou a ascensão meteórica na carreira
O processo de chegar na elite do futebol brasileiro pode ser muito árduo. Alguns jogadores já começam na base de gigantes clubes do Brasil e efetuam esse salto naturalmente, às vezes antes da maioridade. Enquanto isso, outros podem demorar muito ou, pior, nem desfrutam disso em carreiras que podem ter mais de duas décadas de duração. Em outras oportunidades, alguém pode ter uma ascensão meteórica, de uma local muito abaixo para o topo. Isso foi o que aconteceu com Guilherme Madruga, prestes a estrear na primeira competição internacional e na Série A do Campeonato Brasileiro, que falou à Trivela com exclusividade na última sexta-feira (29).
Quem poderia imaginar? O jogador, que hoje está no Cuiabá, é o mesmo zagueiro que, há pouco mais de um ano, disputava a 3ª divisão do Campeonato Paulista e a Copa Paulista pelo Desportivo Brasil, clube do interior de São Paulo que pertence ao mesmo grupo do time chinês Shandong Taishan Football Club. Inclusive, Madruga, se destacando no clube entre sub-20 e profissional, recebeu propostas do Palmeiras e um interesse do Bahia em 2019, mas, chamado para fazer testes no país asiático, teve que afastar qualquer rumor de saída porque a prioridade era a negociação para o Shandong. No fim, o negócio nem aconteceu por conta da pandemia.
— Foi uma experiência legal, não aconteceu [o acerto], mas levei como aprendizado isso tudo, essa viagem, essa experiência, e acho que também contribuiu a cabeça que tenho hoje, a experiência, então é isso. Foi uma viagem muito legal, foi uma experiência maneira, e eu levei como aprendizado.
O primeiro salto na carreira do jovem, agora com 23 anos, foi um empréstimo para o Botafogo-SP no ano passado, onde inicialmente lutou pela titularidade até que a partir da terceira rodada da Série B virou o dono do meio-campo. Terminou a segunda divisão de 2023 com 32 jogos, todos iniciando entre os titulares, e liderou várias estatísticas no elenco, como passes no último terço, lançamentos, interceptações e ficou em segundo dentre quem mais desarmou, segundo o SofaScore. Ótimos números de quem alternou entre várias funções e mostrou repertório em diferentes lugares do campo.
— A oportunidade [após os treinos na China] veio três anos depois [no Botafogo-SP]. Demorou um pouco, mas tudo no tempo de Deus e foi na hora certa. Sai da terceira divisão do Campeonato Paulista para a segunda divisão nacional, um ano que eu fiz no Botafogo e eu já consigo chegar na Serie A. As coisas foram bem rápidas e eu trabalhei bastante para desempenhar da melhor forma possível no Botafogo. Fui honrado com esses gols, com esse desempenho e espero que seja um ano maravilhoso aqui no Cuiabá também, que eu possa fazer da melhor forma possível, assim como foi no Botafogo.
Os gols citados pelo jovem foram apenas dois, mas foram os gols que o trouxeram muita mídia e o alçaram ao público brasileiro. O primeiro, contra o Novorizontino na 14ª rodada da Série B, simplesmente uma bicicleta de fora da área que o garantiu, meses depois, o prêmio Puskás de gol mais bonito na última temporada.
– Foi algo surreal, eu não tava esperando essa dimensão toda em um ano, sabe, que eu só tava emprestado para o Botafogo de Ribeirão. E isso tudo aconteceu até chegar no evento da FIFA. Foi algo que eu nunca sonhei jogando mais na parte defensiva, então foi uma surpresa muito legal. Acho que o gol foi merecido, o prêmio foi merecido. Acredito muito em Deus, tenho muita fé e acho que ele me abençoa com isso. Acho que trabalhei muito e esse gol também me trouxe muita visibilidade, além da boa temporada que eu estava fazendo no Botafogo. Então foi algo muito satisfatório. Momento único, momento surreal na minha vida, estar no meio de tantos craques para fazer o discurso. Só faltou eu correr daquele palco [risos], porque foi algo emocionante, algo que eu não esperava em nenhum momento da minha vida, e ainda mais muito rápido, muito cedo. — contou Madruga.
Atenção, @botafogofsa: o Prêmio Puskas já tem dono. E ele atende pelo nome de Guilherme Madruga.
Está lançada a campanha: #MadrugaPuskas! 🔥
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— Brasileirão Superbet – Série B (@BrasileiraoB) June 28, 2023
O outro tento foi de novo contra o Novorizontino, dessa vez em um chutaço de trás do meio-campo. Isso para um cara que começou a carreira como zagueiro, se destacou como primeiro volante, mas que agora está se acostumando mais a pisar na área, é sinal de evolução, como contou Guilherme.
– Eu comecei minha carreira na parte defensiva de zagueiro, ali de primeiro volante, e tenho evoluído ofensivamente. E acho que graças a essa evolução também eu venho conquistando mais espaço por onde eu passo, de jogar em várias posições também. Ano passado no Botafogo eu joguei de zagueiro, de primeiro volante, segundo volante, de 10, de segundo atacante, de ponta, então essa diversidade aí que eu venho conquistando e é muito bom para que eu me torne um jogador mais completo, que eu possa estar atuando sempre, né? Se não precisar de uma posição, eu estou em outra.
– Me cobrei bastante ano passado já de evoluir essa parte ofensiva que eu estava devendo, espero que eu possa melhorar esse ano também, em números [de gols], que ajuda muito o clube e ajuda minha carreira individualmente. Tenho buscado chegar mais na área, de finalizar mais.
Madruga ou… Lucas Paquetá?

Ao entrar na videochamada com Madruga, a reportagem da Trivela brincou com ele: “vamos entrevistar o Lucas Paquetá?”. O jogador riu e assumiu que realmente parece muito com o meia do West Ham e da Seleção Brasileira. Se depender do atleta do Cuiabá, as semelhanças não ficarão apenas na aparência, mas também no futebol praticado, como assumiu o jovem ao citar suas referências na posição, além de Jude Bellingham, do Real Madrid, este pela altura porque o brasileiro de passadas largas tem quase 1,90m.
– Em semelhança de tamanho, estatura, gosto muito do Bellingham que é um pouco diferente, mas ele que eu me inspiro. Tem o Paquetá também, esse meia que consegue fazer a marcação, roubar muita bola e também chegar muito no gol. Eu tento colocar essas duas semelhanças no meu jogo. Sei que o nível é bem alto que eu tô falando, não estou tentando comparar, mas é o que eu tento fazer um pouco, assim, tento evoluir olhando esses caras jogar.
Se será um futuro Paquetá ou Bellingham é impossível saber, mas Madruga, que tem aos poucos ganhado seu espaço no Brasil, sonha em poder atuar na Premier League e quem sabe vestir a camisa da Seleção Brasileira um dia. Distante disso? Definitivamente, mas há menos de dois anos esse mesmo jovem estava na terceira divisão do futebol paulista.
– Espero fazer uma boa temporada aqui no Cuiabá. É a minha primeira Serie A, minha primeira Copa Sul-Americana, então eu sei que o nível é bem alto, e eu quero corresponder, quero surpreender, assim como eu fiz no Botafogo ano passado. Meus principais sonhos são chegar na seleção brasileira e na Premier League, então eu sei que para isso eu tenho que correr bastante, tenho que lutar bastante para chegar lá.
Madruga e o Cuiabá jogam na noite desta quarta-feira (3), pela 1ª rodada da fase de grupos da Sul-Americana (leia o guia completo da competição), contra o Lanús, na Arena Pantanal. As equipes ainda dividem o grupo G com Deportivo Garcilaso e Metropolitanos.



