BrasilEliminatórias da Copa

Gradualmente, Tite promoveu uma renovação e Seleção tem bons nomes jovens para a Copa 2022 – e além

Desde a Copa 2018, o treinador deu chance a vários jogadores e há muitos jovens que ganharam espaço e estão perto da Copa 2022

A seleção brasileira caminha para a Copa 2022 com um time que traz a base de 2018, mas com uma renovação importante no elenco, especialmente nas opções no banco de reservas. Embora Tite seja visto por vezes como um técnico conservador – e não sem razão –, ele tem promovido uma renovação importante do elenco, inclusive em termos de idade, e isso já ficou claro nas últimas datas Fifa. Alguns jogadores aproveitaram a chance e parecem perto da Copa. Outros, que já pareceram nomes certos, parecem mais distantes neste momento.

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O Brasil tem um elenco jovem, como mostrou a última convocação: cinco jogadores tinham mais de 30 anos, enquanto 11 jogadores têm 25 anos ou menos. A renovação tem acontecido de forma gradual e o elenco para 2022 deve ter mudanças significativas no geral, ainda que a espinha dorsal da equipe permaneça. Entre os mais velhos, nem todos estão garantidos e a disputa por vagas continua quente.

Goleiros definidos

Há nomes certos no elenco da Copa. Os três goleiros parecem definidos, por exemplo, com Éderson, 28 anos, Alisson, 29, e Weverton, 34. Todos eles parecem capazes de brigar pela posição de titular e os dois primeiros parecem à frente no momento, se revezando na posição. Entre os goleiros, é improvável que outro nome vá para o Catar, exceto em caso de lesão.

Zagueiros: falta uma vaga

Entre os zagueiros, temos três nomes definidos entre os prováveis quatro convocados: Marquinhos, 27 anos, Thiago Silva, 37, e Éder Militão, 24. O quarto zagueiro da lista ainda está em aberto e Tite não deu muita chance para eles apareceram ainda. O nome que parecia mais à frente na disputa era Lucas Veríssimo, do Benfica, de26 anos, mas ele sofreu uma lesão séria que o coloca em risco. Há nomes ainda como Gabriel Magalhães, 24 anos, do Arsenal, e Felipe, 32 anos, do Atlético de Madrid.

Laterais: muita indefinição

Entre os laterais é onde temos mais problemas, mas esta data Fifa certamente ajudou a deixar alguns mais perto da Copa. Emerson Royal, 23 anos, teve a chance de começar como titular no jogo contra o Equador, mas sua expulsão pouco inteligente, somada à suspensão que veio em seguida, o deixou atrás na disputa por uma vaga.

Daniel Alves, 38 anos, não conseguiu fazer um bom jogo contra o Equador, mas foi bem contra o Paraguai, em partida que foi titular. O jogador tem características diferentes dos concorrentes, capaz de armar mais o time pelo meio e deixar a ponta para Raphinha, ou quem quer que atue por ali. Isso foi muito comum no time de Tite em toda a trajetória rumo a 2018 e também após a Copa, como na Copa América 2019. Ter ido bem reforça a sua candidatura para estar no Catar.

Danilo, 30 anos, é atualmente o lateral direito favorito a ser o titular na Copa, mas tem algumas coisas contra ele. A primeira é que ele ficou fora desta convocação lesionado. Suas atuações mais recentes pela seleção brasileira foram boas. Contudo, em 2018 ele começou a Copa como titular e perdeu a posição para Fagner pelo excesso de nervosismo que demonstrou. Além disso, não é um jogador que que conseguiu convencer, ainda que tenha sido o melhor em anos mais recentes.

No lado esquerdo, a disputa está ainda mais aberta. Alex Sandro, 31 anos, foi o titular no jogo contra o Equador, sem comprometer, como é o habitual. Não tem conseguido ter um jogador constante e nem ter atuações tão convincentes para se manter como titular ali. Nesta convocação, o chamado foi Alex Telles, 29 anos. Ele atuou contra o Paraguai, sem brilho.

Os demais concorrentes são Renan Lodi, 23 anos, do Atlético de Madrid, que não tem conseguido jogar bem no seu clube e nem na Seleção, e Guilherme Arana, 24 anos, do Atlético Mineiro, aquele que tem sido o melhor em atuação por seu clube e já foi chamado por Tite. Ele parece o candidato mais bem colocado para ser o titular da lateral esquerda na Copa. Há ainda Caio Henrique, lateral do Monaco, de 24 anos, que tem jogado bem no seu clube, mas que ainda não ganhou chance na Seleção. Ainda há tempo, embora cada vez mais escasso.

Espinha dorsal no meio-campo

No meio-campo, Casemiro, 29 anos, e Fabinho, 28, são nomes certos no elenco, provavelmente como titular e reserva, respectivamente. Além deles, Fred, 28 anos, do Manchester United, também está bem colocado e deve ir à Copa. Lucas Paquetá, 24 anos, foi uma aposta pessoal de Tite, em um momento que o jogador não estava brilhando por seu clube – tanto que trocou o Milan, onde estava em baixa, pelo Lyon. Na França, o meia se reencontrou e na Seleção, tomou conta da posição no meio-campo como meia ofensivo.

Lucas Paquetá, do Brasil (Lucas Figueiredo/CBF)

Nas demais posições de meio-campo, a disputa está bastante aberta. Philippe Coutinho, 29 anos, foi quem mais ganhou pontos entre as novidades. Foi titular nas duas partidas, sendo sacrificado ainda no começo da primeira por causa da expulsão e marcando um golaço no segundo. A sua convocação foi bastante questionada, mas ele conseguiu corresponder, ao menos a ponto para continuar no grupo e ser mais testado.

Entre as novidades, Bruno Guimarães, 24 anos, entrou em campo, teve uma boa participação e deve ganhar mais chances. Éverton Ribeiro, 32 anos, também entrou em campo, mas sua posição está bastante ameaçada. Embora tenha correspondido nas últimas datas Fifa, mas é um dos questionados do elenco.

Em parte, por nomes como Raphael Veiga, do Palmeiras, que ainda não ganharam chances – e não se sabe se ganhará. Mas também porque é possível que o técnico abra mão dele para levar mais um atacante, que eventualmente possa atuar como meia, já que as opções ofensivas são fartas.

Claudinho, de 25 anos, do Zenit, é outro candidato que ainda pode sxer testado. Foi bem na Olimpíada, chegou a ser convocado ao time principal, mas não pôde jogar por não ter sido liberado pelo seu clube. As boas atuações na Rússia podem render uma convocação para as próximas datas Fifa. Ainda dá tempo.

Já nomes como Gérson, 24 anos, do Olympique de Marseille, parece ter perdido espaço. Mal conseguiu jogar na convocação e não parece ter convencido o treinador. Suas atuações, em datas Fifa anteriores, também não ajudaram, especialmente o jogo contra a Venezuela, quando foi individualmente mal.

Por outro lado, Douglas Luiz, 23 anos, do Aston Villa, ainda é um nome que pode pintar. O volante tem ido bem no clube e também foi bem na seleção quando acionado, ainda que tenha jogado pouco. Ele ainda é um bom candidato a estar no elenco da Copa, embora atualmente não esteja entre os mais cotados.

Concorrência pesada no ataque

No ataque é onde a concorrência é mais pesada. Neymar, 29 anos, é o principal nome do ataque e está garantido na lista. Raphinha, 25 anos, e Antony, 21, são dois nomes que surgiram de modo avassalador e parecem garantidos também. Vinícius Júnior, 21 anos, demorou a ganhar uma chance real na Seleção, mas aproveitou bem e, somado ao ótimo desempenho no Real Madrid, é mais um nome certo para a Copa.

Os nomes garantidos, porém, param por aí. Há alguns que ganharam muito espaço e estão entre os favoritos para chegar até o Catar. O principal deles é Matheus Cunha, 22 anos, do Atlético de Madrid. O atacante ganhou chances, aproveitou bem a trouxe características diferentes para a posição de camisa nove. Força física, boa participação nas jogadas, bola aérea e ataque ao espaço se encaixaram bem na equipe e suas atuações o colocam como o favorito, neste momento, a ser uma opção de centroavante na Copa.

Gabriel Barbosa, o Gabigol, 25 anos, por sua vez, parece ter feito o caminho contrário. Não ganhou minutos e viu um concorrente direto ganhar força. Suas atuações pelo Brasil não convenceram ainda, não conseguiu se encaixar bem no time e ainda é uma dúvida. As informações atuais é que a comissão técnica confia em Gabigol e deve ganhar mais minutos nos próximos jogos. Ele precisará aproveitar as chances e mostrar que é uma opção, o que até agora não aconteceu.

Gabriel Jesus, 24 anos, é um jogador que tem a confiança de Tite e tinha chegado bem à Copa 2018, mas o seu ciclo foi irregular e está ameaçado de não ir ao Catar. Não só porque o seu desempenho é inconstante na Seleção, mas além disso também não tem ido muito bem no clube, o que diminui os argumentos para mantê-lo no elenco. Como centroavante, ele não convence. Como ponta, há outros nomes jogando melhor e em melhor momento.

Rodrygo, 21 anos, entrou em campo, conseguiu até marcar um gol e pode ganhar mais minutos nos próximos testes. Ainda precisará mostrar mais, mas é um jogador que tem potencial de crescer, especialmente se conseguir boas atuações no Real Madrid.

Outros nomes perderam espaço. O principal deles é Everton Cebolinha, 25 anos, do Benfica. Irregular no clube português, esteve pela última vez no elenco na Copa América 2021, quando não convenceu. Parece distante da Copa. Roberto Firmino, de 30 anos, é um jogador que Tite confia e que o técnico sabe como poder render, além de ser uma opção até para atuar mais recuado, mas neste momento parece distante da Copa. Pode ganhar chances, mas precisa corresponder para ganhar seu espaço.

Richarlison, 24 anos, não esteve nas últimas convocações e também perdeu espaço no elenco. Parece mais distante da Copa do Mundo neste momento, especialmente com o crescimento de outros jogadores, como Matheus Cunha. Ainda pode ganhar chances, mas assim como os demais, precisará aproveitar as chances, se elas vieram.

Correndo bastante por fora, Malcom, 24 anos, do Zenit, é um jogador que foi bem na Olimpíada, chegou a ser convocado para o time principal, ainda em setembro, mas parece distante de ganhar outras chances.

Arthur Cabral, 23 anos, que foi convocado em outubro de 2021, trocou de clube, foi para a Fiorentina e terá a chance de brilhar em uma liga maior. Precisará jogar muito bem para tentar ter outra chance até a Copa, mas neste momento parece improvável.

A renovação já aconteceu, mas ainda não acabou

Dificilmente os 23 convocados saem dos citados neste texto, embora seja sempre possível surgir uma novidade meses antes da Copa, ainda mais com o torneio sendo, pela primeira vez no fim do ano. Até a convocação final, em outubro, muito deve acontecer.

Ainda que a seleção brasileira sempre cause uma gritaria exagerada por convocações, o que aconteceu é que Tite deu chances a muitos jogadores e aqueles que aproveitaram, como Paquetá, Raphinha, Antony e Matheus Cunha, por exemplo, ficaram no elenco e parecem bem mais próximos de estarem na Copa do Mundo. É possível que outro nome consiga fazer o mesmo daqui até a última convocação.

O que já está claro que é o Brasil de 2022 terá uma cara mais jovem do que a de 2018 e terá uma base mesmo para depois do Mundial, além de nomes que começam a surgir e que podem ser aproveitados depois da Copa, quando um novo trabalho será iniciado.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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