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Golaço de Robinho foi um átimo de brilhantismo do Palmeiras e um castigo para o São Paulo

Quem assistiu ao jogo entre Palmeiras e São Paulo no Campeonato Paulista teve uma sensação de déjà vu, embora o estádio, o lance e a circunstância fossem diferentes. No começo do ano, no Allianz Parque, Robinho abriu o caminho para a boa vitória alviverde por 3 a 0 com um golaço por cobertura em uma saída de bola errada de Rogério Ceni. Neste domingo, a cena se repetiu, mas no Morumbi e para salvar um ponto para o time de Marcelo Oliveira em uma tarde para se esquecer e castigar a partida superior da equipe de Juan Carlos Osório.

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O São Paulo jogou melhor que o Palmeiras no empate por 1 a 1 porque, para ser franco, essa missão era extremamente fácil. Se a defesa não foi tão frágil quanto em outras partidas, o ataque foi nulo, com apenas uma chance clara de gol antes de Ceni sair jogando errado, nos minutos finais, e Robinho aproveitar com muita inteligência. Erros de passe simples foram comuns. Lançamentos ruins e jogadas individuais infrutíferas, mais ainda. O time da casa mereceu a vitória porque levou muito mais perigo e foi mais organizado em campo. Não conseguiu. Futebol tem dessas.

Gols de fora da área no futebol brasileiro são menos comuns que em outras praças. Pode ser apenas uma impressão, mas os nossos jogadores têm um pouco de medo de arriscar de longe. Exceto os do São Paulo. A estratégia de Juan Carlos Osório para manter o tabu de não perder para o Palmeiras no Morumbi desde 2002 foi aproveitar os pontentes arremates de média e longa distância de Michel Bastos e Carlinhos.

O camisa 7 foi responsável por duas boas chances de gol, ambas em chutes de fora da área. Na segunda, em cobrança de falta cheia de efeito, Fernando Prass precisou fazer uma linda defesa na bola que se dirigia ao lado interno da trave, e posteriormente, ao fundo das redes. No entanto, tudo que Pato, Ganso, Bastos e Rogério conseguiram fazer nos 45 minutos iniciais foi isso: arriscar de longe. Mesmo com muito mais posse de bola (67%), o São Paulo deu só seis chutes a gol na etapa inicial. Além dos dois de Bastos, teve um perigoso de Carlinhos, da intermediária, que também exigiu bastante destreza de Prass. Faltou criatividade e toques de bola mais incisivos para entrar na área.

Para o Palmeiras, faltou tudo. Os atacantes Gabriel Jesus, Rafael Marques e Lucas Barrios não foram bem, e precisavam ter ido porque a ideia era que resolvessem a vida do time sozinhos. A saída de bola era feita na base dos chutões, o time estava espaçado demais em campo e mal houve jogo coletivo. Enquanto o São Paulo trocou 202 passes na etapa inicial, o visitante trocou apenas 80. A única boa chance foi uma cabeçada de Robinho no travessão.

Como é costume dessa equipe do Marcelo Oliveira, o Palmeiras voltou melhor no segundo tempo e esboçou uma pressão nos primeiros minutos. Mas as chances de gol continuaram são-paulinas. Rogério arriscou do semi-círculo, com perigo. Ganso tentou um chute colocado do bico da grande área. Quase. No outro lado do Morumbi, Gabriel Jesus recebeu dentro da área e bateu prensado. A bola sobrou para Rafael Marques, que poderia ter finalizado, mas preferiu arrumar para Robinho, que também acertou a defesa.

No rebote, Jesus esperou a bola sair, mas foi desarmado por Thiago Mendes, e o São Paulo rapidamente construiu o contra-golpe. A bola chegou a Carlinhos, na ponta esquerda, que cortou para a perna direita e bateu colocado no canto de Prass para abrir o placar. O gol saiu mais ou menos do mesmo lugar que Alex marcou pelo Internacional no meio de semana. A marcação de João Pedro foi frágil, para ser gentil. Depois de tantos chutes tricolores de fora da área, a defesa do Palmeiras deveria estar um pouco mais ligada e pressionar mais esse tipo de lance.

O gol de Carlinhos saiu aos 15 minutos do primeiro tempo, e houve tempo de reação para o Palmeiras. O que não houve foi bola. Marcelo Oliveira tentou solucionar os problemas de armação com Lucas no meio-campo, mas não funcionou. Depois, trocou-o por Kelvin. A criação de jogadas, porém, não foi quase escassa pelas atuações individuais dos que deveriam exercer essa função, que não foi boa, mas pela ausência de jogo coletivo e organização. Sem isso, a dependência em dias iluminados dos atletas é grande e perigosa demais.

Quando tudo parecia perdido, Rogério Ceni recebeu um recuo na fogueira e foi pressionado por Alecsandro. A bola caiu nos pés de Robinho, que dominou e chutou para novamente encobrir o capitão são-paulino. Um gol que o Palmeiras não mereceu pelo que mostrou em campo, mas que mantém time no G4 e o São Paulo afastado na tabela. A gangorra que alterna boas e péssimas atuações, porém, continua.

Osório poupou alguns jogadores contra o Avaí para deixar o time descansado para as quartas de final da Copa do Brasil contra o Vasco e para vencer o confronto direto com o Palmeiras. A primeira missão está quase executada, mas a segunda não foi possível por um lance isolado de dez segundos em uma partida com mais de 90 minutos. Não é nada fácil ser treinador de futebol.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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