Brasil

Golaço da CBF na Série D

Demorou, mas finalmente a CBF anunciou que dará o apoio necessário para que a Série D se realize. Fiz uma matéria aqui na Trivela sobre a dificuldade dos times em participar da Série D e alguns dos times já tinham confirmado que tinham desistido de participar por não terem condições de bancar as despesas que a competição gerava. Na sexta-feira, dia 4 de maio, o presidente José Maria Marin anunciou que a CBF iria bancar todo o custo das viagens, que é o principal impeditivo dos times. É um grande primeiro passo para o futebol brasileiro.

A Série C passou por grandes mudanças nesta temporada, ganhando um novo formato e um calendário maior, parecido com aquele usado pelas Séries A e B. A Série D, pelo alto custo, foi alvo dos presidentes de federações, pedindo pela sua extinção. O pagamento integral dos enormes deslocamentos para os clubes é um avanço enorme.

“Muitos clubes não disputavam, pois não tinham condições financeiras. A CBF vai pagar todas as despesas relativas a uma delegação de 25 pessoas, que é o número da delegação brasileira que vai às Olimpíadas de Londres, com passagens aéreas, hotel e alimentação, traslado do aeroporto até os hotéis e ônibus especiais quando a distância entre as cidades for inferior a 700 quilômetros”, disse o presidente da CBF ao site da entidade.  

Marin bateu na tecla de integração nacional, que só a Série D e a Copa do Brasil são capazes de fazer, já que são as únicas competições que possuem, em seu regulamento, a obrigatoriedade da participação de todos os estados. Se um país como a Inglaterra, que cabe mais de 65 vezes dentro do território brasileiro, consegue ter oito divisões profissionais, por aqui a capacidade de fazer isso é muito maior. A quarta divisão, em um país como o Brasil, tem potencial para ser muito forte, tecnicamente e de torcida também. Afinal, há demanda por futebol no Brasil todo.

“O tamanho e a grandeza do futebol brasileiro permitem perfeitamente que as quatro divisões tenham o mesmo nível de qualidade na organização e atração para o torcedor. É nessa direção e com esse intuito que a CBF vai trabalhar”, explicou ainda o dirigente.

A ajuda que a CBF se propõe a dar é importante porque sabemos que muitos clubes, embora profissionais, trabalham como semiprofissionais, com jogadores ganhando salário mínimo em sua maioria, às vezes nem isso. E Marin, em sua declaração no anúncio, deixou claro um aspecto importante: a Série D tem um grande potencial para revelar jogadores. O presidente da CBF falou da mudança de panorama na formação do futebol, que primeira era na várzea, cada vez mais extinta, depois no interior, que também tem diminuído.

O interior, aliás, perdeu muita força com a queda vertiginosa dos estaduais, cada vez menos importantes. Por isso, ter divisões inferiores mais fortes é fundamental para a manutenção dos times e para que essas equipes tenham atividade durante todo o ano. As Copas das federações, normalmente disputadas no segundo semestre, eram a única forma dos times participarem de alguma competição oficial no segundo semestre. Elas ainda serão importantes, já que a Série D tem, no máximo, dois clubes por estado e, em sua maioria, apenas um representante. Mas uma Série D forte, quem sabe com transmissão televisiva em um futuro próximo, pode ganhar e ganhar muito.

O episódio mostra grande habilidade política de José Maria Marin, que agrada, assim, todas as federações. E mostra que seu mandato na CBF não é apenas de um substituto de Ricardo Teixeira. E isso, até aqui, tem se mostrado muito bom.

Curtas

Neymar decidir jogos não é exatamente novidade. O Santos era o grande favorito contra o Guarani e já decidiu o confronto no primeiro jogo. Os 3 a 0 são irreversíveis na prática. Agora, o time precisa se concentrar é em classificar-se para a próxima fase da Libertadores. O Santos é muito mais forte que o Bolívar, mas é preciso jogar bem para garantir a passagem de fase. Até porque a próxima fase será muito mais dura. O Vélez está no caminho…

No Rio, foi uma surpresa a goleada do Fluminense. A vitória seria absolutamente normal, mas a goleada não era esperada. Tecnicamente, o Botafogo é inferior ao Flu, mas é um time bem armado e que pode ser um adversário difícil de ser batido. Tanto que estava invicto. O time não soube lidar com a expulsão do lateral Lucas no início do segundo tempo e ficou completamente aberto. Tomou mais três gols em um jogo que estava 1 a 1 e deu adeus ao título.

Em Caxias, o time da casa manteve as esperanças de título com um empate por 1 a 1 contra o Internacional.  É claro que o Colorado é enorme favorito, mas o confronto está aberto. Uma bobeada e tudo torna-se possível.

Ao Inter, fica a boa notícia da volta de Oscar. O meia é fundamental ao time e, se mantida a decisão, ainda que temporária, que ele pode jogar, será um grande reforço na Libertadores. O Inter precisará dele na partida contra o Fluminense, que deve vir empolgado pela vitória no Carioca.

Em Minas, tudo aberto depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo entre Atlético e América. O Galo ainda abalado pela eliminação na Copa do Brasil e vivendo um choque de realidade. O time não é tão bom quanto se imaginava pela fantasiosa série invicta. O América está empolgado e pode aproveitar. E precisa manter o nível para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, que, este sim, será muito mais duro do que a maior parte do estadual.

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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