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Garrincha, 83 anos de seu nascimento: A vez em que Mané criou o grito de olé

Garrincha foi único. E nos mais diferentes sentidos. O craque que não se cansava de iludir os marcadores com suas pernas tortas, em dribles sempre repetidos e também sempre irresistíveis. O homem que também marcou por sua personalidade singela. Sujeito humilde, de tantas histórias deliciosas, repletas de ingenuidade ou de uma esperteza um tanto quanto instintiva. Uma pena que se tornaram apenas lembranças tão cedo, com a morte precoce do veterano em 1983. Todos os anos, no entanto, 28 de outubro é dia de saudade. Alegria por lembrar aquele que foi e sempre será a Alegria do Povo. E para preservar a memória do camisa 7, resgatamos um dos seus episódios mais célebres. O trecho foi extraído do especial publicado há três anos: “Garrincha, 80 anos: 7 histórias incríveis da Alegria do Povo”. Confira:

Teve aquela vez que Garrincha criou o grito de olé

Por Bruno Bonsanti

Sabe quando a torcida começa a gritar “olé” ao ver um time muito superior ao adversário? A primeira vez que isso aconteceu foi em 1957, no México. Graças a Garrincha. João Saldanha, técnico do Botafogo na época, conta em seu livro Histórias do Futebol que Mané estava impossível em um amistoso contra o River Plate, no Estádio Universitário, parte da excursão do time carioca ao país. Quem mais sofria era Vairo.

“Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: ‘Ô ô ô ô ô ô-lê!’”, escreveu Saldanha. “Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do ‘olé’. As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao ‘olé’. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o ‘olé’”.

O jogo terminou empatado, mas Vairo não terminou o jogo. O técnico José Maria Minella, do River Plate, foi piedoso e substituiu o jogador, que saiu de campo dando risada. “Não tem o que fazer. Impossível”, disse, antes de acrescentar para o seu suplente. “Boa sorte, amigo. Antes, porém, te aconselho a escrever algo para sua mãe”.

Como escreveu Saldanha – tão craque com as palavras quanto Garrincha com a bola – é apropriado que Mané tenha inspirado esse grito. “Garrincha é o próprio ‘olé’ Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar o lado por onde Mané vai sair da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do ‘olé’”.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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