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Minas agora espera o maior Cruzeiro x Atlético de todos

Última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011. A CBF marcou clássicos locais para evitar especulações de que um time poderia entregar o jogo para atrapalhar o rival. O Corinthians pega o Palmeiras precisando de um empate para ser campeão em cima do Vasco, que enfrenta o Flamengo. Enquanto isso, Cruzeiro e Atlético Mineiro fazem o que talvez seja o clássico mineiro mais melancólico da história. Os cruzeirenses venceram por 6 a 1 e fizeram uma festa. Festejaram a fuga do rebaixamento, que havia sido atingida pelo Galo poucos dias antes.

O futebol mineiro sempre foi maior que isso. Sempre foi, mas não vinha sendo. O que era um absurdo. Cruzeiro e Atlético Mineiro sabem ser fortes, e, ao contrário da tradição gaúcha, sabem ser fortes ao mesmo tempo. Em 1977, um lutava contra o Boca Juniors pelo bi da Libertadores e o outro chegava invicto à final do Campeonato Brasileiro. Dez anos depois, ambos alcançaram as semifinais da Copa União. Em 1998 o Cruzeiro foi vice-campeão brasileiro, feito repetido pelo Atlético no ano seguinte.

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Atlético e Cruzeiro já se esbarraram no topo. Em 1970, o dérbi de BH abriu o quadrangular final do Robertão. Em 1989, ambos se enfrentaram na última rodada da fase de classificação do Brasileiro com chances de ir à final. A Raposa venceu e eliminou o Galo, mas também caiu fora porque dependia de um tropeço do Vasco que não veio. Em 1999, o clássico valeu pelas quartas de final do Brasileirão. Três anos antes, eles só não haviam feito a semifinal nacional porque a Portuguesa apareceu no caminho.

Mas jamais os dois gigantes de Belo Horizonte haviam conquistado títulos tão importantes na mesma temporada, como em 2013. O Galo já havia assegurado a Libertadores em julho. Nesta quarta, foi a vez de o Cruzeiro oficializar o título brasileiro. Nunca o futebol mineiro esteve tão em alta, nunca foi dono do continente e do país ao mesmo tempo. Nunca seus dois times puderam olhar para o resto do Brasil e achar que o único adversário à altura provavelmente é seu vizinho.

Cruzeirenses podem ficar cabreiros, pensando na possibilidade de um título mundial do Atlético tirar dos celestes o protagonismo do segundo semestre. Os atleticanos podem sentir que ganhar do Bayern se tornou uma necessidade maior, para não dar margem à Raposa de rir por último em 2013. Mas a verdade é que é muito bom para ambos. Belo Horizonte é a capital do futebol brasileiro neste momento, e o sucesso de um pode empurrar o outro para cima.

E isso deixa uma perspectiva muito interessante para os mineiros. Neste ano, Cruzeiro e Atlético Mineiro viveram uma Guerra Fria, como Estados Unidos e União Soviética. Duas superpotências que dominaram uma área, mas jamais mediram forças realmente (no caso de geopolítica, ainda bem!). No Campeonato Mineiro, a Raposa ainda em formação enfrentou um Galo desinteressado por causa da Libertadores. No Brasileiro, o primeiro turno teve os reservas atleticanos e o segundo teve os cruzeirenses já sabendo que seriam campeões nacionais.

Falta “o” jogo, o duelo que realmente acabe com essa dúvida que certamente está na cabeça de cada belo-horizontino que ame futebol. Por isso, a dominação estilo Guerra Fria de 2013 pode preceder um ano de grandes tira-teimas. E talvez vejamos o maior Cruzeiro x Atlético de todos os tempos. Afinal, ele pode estar valendo uma classificação em fase avançada na Libertadores ou terreno na disputa pela liderança do Brasileiro. Causas muito mais nobres que vem quem não vai ser rebaixado.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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