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Freddy Rincón se tornou símbolo de um futebol que encantou e marcou época no Brasil

Meio-campista colombiano brilhou na Colômbia e no Brasil, onde se tornou uma referência de um futebol técnico, inteligente e forte e virou ídolo do Corinthians

Alemanha e Colômbia entraram em campo no dia 19 de junho de 1990 no estádio Giuseppe Meazza, em Milão. A Colômbia precisa de apenas um ponto para se classificar diante da poderosa seleção alemã. Era, naquele momento, a partida mais importante da história da Colômbia em Copas do Mundo.

O sonho de se classificar parecia desmoronar para os colombianos aos 43 minutos do segundo tempo, quando Rudi Völler passou para o reserva Pierre Littbarski receber, entrar na área e chutar no alto: 1 a 0. Quando a esperança já se esvaía, quatro minutos depois, com o jogo já nos acréscimos, Carlos Valderrama achou um passe para Freddy Rincón invadir a área, livre, e tocar por baixo das pernas do goleiro Bodo Ilgner e sair em uma comemoração alucinada. O jogo terminou 1 a 1. A Colômbia se classificou às oitavas de final.

Foi naquele dia que Freddy Rincón foi apresentado ao mundo. Ele tinha 23 anos e era jogador do América de Cali, clube pelo qual conquistou o Campeonato Colombiano de 1989/90 – e que ainda conquistaria novamente em 1991/92. Naquela Copa, Rincón foi atacante. Atuou ao lado de Carlos Estrada no jogo e conviveu com o craque Valderrama, a grande estrela do país na época. Viveu aquele momento histórico. Mas ele não sabia que seria só o primeiro.

Rincón jogaria outras duas Copas do Mundo com a Colômbia, em 1994 e em 1998. Em ambas, os Cafeteros caíram ainda na primeira fase. Não repetiram aquela campanha de 1990, quando foram eliminados pela surpresa Camarões, de Roger Milla, nas oitavas de final. Rincón defendeu a seleção colombiana até 2001, completando 11 anos a serviço dos Cefeteros. Mas foi no Brasil que ele viveu a melhor fase da carreira.

Aos 55 anos, Rincón morreu na Colômbia, vítima de um grave acidente de carro. Em homenagem ao craque, que tanto nos encantou, lembramos da sua passagem tão marcante pelo futebol brasileiro.

Reforço no Palmeiras e passagem por Napoli e Real Madrid

Depois de brilhar pelo América, Rincón desembarcou no Brasil para defender o Palmeiras em janeiro de 1994. Foram apenas seis meses pelo clube alviverde, e 32 jogos disputados, com 10 gols. Disputou o Campeonato Paulista, a Copa do Brasil e a Libertadores antes de partir para a sua primeira aventura europeia: o Napoli, na Itália. Na Serie A Italiana, Rincón disputou a temporada 1994/95, fez 32 jogos e sete gols.

Chamou a atenção de um gigante do continente europeu: o Real Madrid. O clube espanhol levou o colombiano para a capital do país. Foram 21 jogos com a camisa dos merengues, sendo 14 deles na liga espanhola, a competição que mais disputou, e também quatro jogos na Champions League. Não conseguiu marcar nenhum gol com a camisa do time merengue.

Esteve presente em um jogo curioso, no dia 15 de junho de 1996. O São Paulo recebeu o Real Madrid para um amistoso e Rincón vestiu a camisa 10 do clube merengue, junto a estrelas como Fernando Redondo. O jogo foi no Pacaembu e marcava a reestreia de Muller pelo São Paulo, depois de deixar o Palmeiras. O São Paulo venceu por 3 a 0, com gol de Muller (além de outro de Valdir e um de Serginho). Rincón foi substituído no segundo tempo. O colombiano deixaria a equipe no mês seguinte para voltar ao Palmeiras.

Disputou o Brasileirão pelo alviverde, com 17 jogos e nove gols. Ainda jogou uma partida da Copa Conmebol. O colombiano começou a temporada 1997 no Palmeiras, mas seus direitos ainda estavam vinculados ao Real Madrid. O Santos tinha interesse, mas quem levou foi o Corinthians, que pagou, na época, US$ 1,3 milhão de dólares.

A era de ouro no Corinthians

O Corinthians levou Rincón e com ele, um ídolo. O colombiano construiu uma história que seria brilhante, deixando de ser um meia ofensivo para se tornar um volante técnico, construtor, forte e muito marcador também. Rincón mudou o seu estilo e do atacante na Copa de 1990 se tornou um volante dos mais eficientes e dos melhores do Campeonato Brasileiro por ano.

Rincón fez parte do time campeão brasileiro do Corinthians em 1998, já atuando como um jogador recuado. O técnico Vanderlei Luxemburgo é quem tem mais mérito nisso. Ele já tinha trabalhado com o colombiano no Palmeiras, mas foi no Corinthians que usou o jogador de modo diferente, o tornando inigualável na sua função.

O Corinthians criado por Luxemburgo se tornou um o melhor time do Brasil naquele Brasileirão de 1998 e se aprimoraria ainda mais com os reforços em 1999, já com Oswaldo de Oliveira no comando. O bicampeonato brasileiro se tornou um marco na história do clube. Até nas derrotas.

Em 1999 e principalmente em 2000, o Corinthians tinha um dos melhores times da sua história, se não o melhor, e acabou eliminado pelo Palmeiras na Libertadores em jogos espetaculares.

Aquelas derrotas doídas, porém, foram só parte da história. Além dos títulos brasileiros em 1998 e 1999, o Corinthians conquistaria o mundo em 2000, no primeiro Mundial de Clubes organizado pela Fifa. Aquele formato não vingou e não se repetiria mais, mas o torneio de 2000 deixou como marca uma conquista histórica.

O Corinthians, capitaneado por Rincón, com Vampeta ao seu lado, formando uma dupla do mais alto nível no meio-campo, conquistou o Mundial de Clubes, depois de um jogaço com o Real Madrid na primeira fase e de uma final sofrida diante do Vasco no Maracanã.

Depois daquela conquista, Rincón deixaria o Corinthians. Passaria a defender o Santos em 2000 até 2001, depois passaria pelo Cruzeiro, ainda em 2001. Voltaria ao Corinthians em 2004 para, enfim, encerrar a carreira.

O que Rincón conquistou vai além dos títulos e dos prêmios individuais. O colombiano conquistou a idolatria da torcida do Corinthians, marcou o seu nome na história, se tornou eterno não só entre aqueles que o viram jogar, mas entre aqueles que irão lembrar porque ouviram falar e amam a história do seu clube.

Rincón conquistou o respeito de um jogador que demos a sorte de ver no Brasil em um momento que o futebol brasileiro ainda era forte financeiramente para manter jogadores do nível dele por aqui. Em tempos como hoje, com o câmbio do Real muito desfavorável em relação à moeda internacional, como o dólar e o euro, seria muito mais complicado manter um craque como o colombiano por aqui.

O legado que Rincón deixou ficará para sempre em todos os corações e mentes de quem acompanhou futebol nos anos 1990 e também em todos que admiram a história do futebol. Rincón escreveu com letra maiúscula o seu nome no futebol brasileiro e mundial.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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