Brasil

Flamengo não pode se saciar com Taça Guanabara, mas título serve para retomar confiança

Com vitória fácil por 3 a 0, Flamengo conquista 24ª Taça Guanabara - mas, para realidade do clube, é pouco

Não é título que pesa ao fim da temporada, vem perdendo importância há um bom tempo e não deve saciar o Flamengo, muito menos o torcedor. Mas não podemos minimizar a importância que a Taça Guanabara conquistada neste sábado (1) terá na confiança do Rubro-Negro após um desastroso 2023 e ficar mais de um ano sem levantar um troféu, desde novembro de 2022, quando levou a Copa Libertadores. A primeira conquista do técnico Tite no clube da Gávea, contratado em outubro do ano passado, veio de forma tranquila, um 3 a 0 construído com gols de Giorgian de Arrascaeta, Pedro e Léo Pereira em um Maracanã lotado.

A maior receita e folha salarial da América do Sul e o elenco mais qualificado com pelo menos duas ótimas opções por posição (agora terá a chegada de Léo Ortiz na defesa) não pode, nem deve, se acomodar. Muito pelo contrário, com o time em boa fase, algo que não acontece faz tempo, é o momento de crescer e entrar como favorito a todos os títulos, como é o caso do Rubro-Negro na Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro. Claro, é importante citar que não há muito parâmetro competitivo no Carioca. Dos 12 times, apenas os quatro grandes estão na elite do futebol brasileiro, três na Série C, um na D e o restante nem tem calendário nacional a ser disputado.

A questão competitiva ficou clara hoje. O Flamengo, que agora soma 11 dos 12 jogos sem sofrer gol (quando foi vazado, estava com um time cheio de garotos), dominou completamente o Madureira, que nem incomodou o goleiro Agustín Rossi. Montando no característico 4-1-4-1 de Tite, a equipe pressionava muito o rival e tinha movimentações bem interessantes. Os laterais Matías Viña e Guillermo Varella trabalhavam muito mais por dentro do que fora. A amplitude era missão dos pontas Luiz Araújo e Bruno Henrique. Assim que veio o primeiro gol. Bem aberto pela direita, Araújo partiu para cima da marcação e cruzou com a perna “errada”. A bola veio na medida para BH subir da forma que todo torcedor rubro-negro se acostumou a ver e escorar para Arrascaeta bater de primeira, direto às redes.

A movimentação dos meias uruguaios também é um destaque tático positivo. Arrascaeta ficava sempre na entrelinha, termo utilizado para o espaço entre meio-campo e defesa rival. Por vezes, o compatriota Nicolás De La Cruz também exercia essa função mais à esquerda, mas ele passou boa parte do tempo mais alinhado a Erick Pulgar na saída de bola.

No segundo tempo, Pedro precisou de sete minutos para marcar o oitavo gol em oito jogos na temporada – mostrando, novamente, como as vaias contra ele no último mês foram injustas. O centroavante antecipou um lançamento do adversário, deu um chapéu no goleiro e marcou um golaço. Outro belo gol veio dos pés do zagueiro Léo Pereira, vindo do banco de reservas, que surpreendeu ao cobrar uma falta de forma perfeita. Tamanho o domínio rubro-negro, o árbitro nem deu acréscimo e o clube conquistou uma taça 490 dias depois. É a 24ª Taça Guanabara na história do Flamengo.

Flamengo conquista Taça Guanabara, mas não pode se contentar só com isso (Foto: Icon Sport)

As sete taças perdidas pelo Flamengo em 2023

O ano passado do Rubro-Negro é dolorido, mas jamais pode ser esquecido pelo fracasso da gestão e serve para mostrar a importância da conquista de hoje. Em 2023, nem a Guanabara veio para as mãos do Flamengo. Perdeu para o Fluminense, o mesmo rival que tiraria o Campeonato Carioca do time então treinado por Vítor Pereira, com direito a goleada por 4 a 1. Antes disso, a Supercopa do Brasil, o Mundial de Clubes e a Recopa Sul-Americana já tinham ficado pelo caminho.

Ao chegar em abril, Jorge Sampaoli não mudou a realidade do clube: caiu nas oitavas de final da Libertadores, enquanto perdeu a decisão da Copa do Brasil para o São Paulo. No fim, Tite até flertou com a possibilidade de vencer o Brasileirão pela derrocada do Botafogo, mas, de novo, vacilou na hora H e quem terminou campeão foi o Palmeiras.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
Botão Voltar ao topo