Brasil

Flamengo prova mais uma vez que não merece qualquer tipo de ilusão em 2023

Passivo e sem brilho, Flamengo repete, contra o Grêmio, roteiro que o privou de tantas glórias em 2023

Depois de vencer os dois primeiros jogos sob o comando de Tite, o Flamengo perdeu para o Grêmio por 3 a 2, em Porto Alegre. Se os triunfos diante de Cruzeiro e Vasco tiveram as digitais de Tite, o revés desta quarta-feira (25) também teve. As mudanças não funcionaram, e o Rubro-Negro voltou a repetir um roteiro incômodo de passividade, muitas vezes repetido em 2023.

A derrota é um choque de realidade para o torcedor que ainda queria sonhar com o título do Campeonato Brasileiro. A vantagem do Botafogo poderia cair para seis com a vitória, e a pressão no Alvinegro certamente aumentaria. O problema é que o Flamengo esbarra nas próprias pernas. Em um 2023 marcado por frustrações, o Rubro-Negro não faz por merecer qualquer tipo de ilusão.

Passivo, Flamengo permitiu que o Grêmio sonhasse

O roteiro do Flamengo em 2023, seja com Vítor Pereira, Sampaoli, em especial, e neste jogo com Tite, é o mesmo e, por sinal, bastante previsível. A equipe tem volume de jogo, gosta da bola e fica com ela, mas falta contundência, ser mais incisivo mesmo, para chegar ao gol. O pior é quando consegue abrir o placar, que foi o caso no Grêmio e Flamengo desta quarta.

Quase sempre que tem o placar ao seu favor, o Flamengo ataca o jogo com passividade, um marasmo que só. É aquele famoso “sentar em cima da vantagem”, que já quebrou a cara de tanta gente. Com essa postura, o Rubro-Negro mostrou a um Grêmio sem Suárez e recheado de garotos que era possível acreditar. Em dez minutos, os meninos lançados por Renato vazaram a defesa três vezes, os primeiros gols sofridos na Era Tite.

Um Flamengo pouco incisivo não soube aproveitar a ausência de Suárez no Grêmio (Foto: Icon Sport)

Se o primeiro tempo ainda terminou em vantagem, o Flamengo sequer criou o suficiente para ficar tranquilo na etapa final. O castigo veio e foi merecido para uma equipe que achou que poderia vencer quando desejasse, sem contar com a perspicácia de um grande técnico, Renato Portaluppi, e do gás dos garotos do Grêmio. Roteiro igual, e frustração já não é mais novidade.

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Escolhas erradas de Tite

Falamos aqui que a passividade da equipe foi crucial, mas também é difícil deixar a parcela de Tite diminuir por conta disso. O primeiro fator que salta os olhos é a linha defensiva pouco adaptada à saída de bola, com dois laterais muito ofensivos, que pecam um pouco na técnica, e Pablo, muito mais forte no jogo aéreo que Rodrigo Caio, mas pior no passe. O camisa 3, inclusive, era cotado para ser titular, mas Adenor optou pelo ex-Corinthians.

Acima da linha de defesa, o grande problema do time foi a saída de Pulgar, no intervalo. Tite explicou que o volante já havia recebido cartão amarelo e estava debilitado por uma virose, mas, ao mesmo tempo, confirmou que o meio-campo precisava da sustentação do chileno, ao lado de Thiago Maia. A entrada de Everton Ribeiro abriu demais o time e tirou a solidez defensiva, tão prezada pelo treinador.

Tite ao lado do auxiliar, Cleber Xavier, antes da derrota do Flamengo para o Grêmio (Foto: Maxi Franzoi/AGIF/Sipa USA/IconSport)

A cereja do bolo, curiosamente, foi a entrada de Gabigol e Bruno Henrique. Claro que é bom um técnico olhar para o banco e ver dois atletas de tamanha qualidade, mas, contra o Grêmio, a atuação da dupla foi desastrosa. O atacante, assim Pedro, titular na partida desta quarta, praticamente não apareceu, enquanto o camisa 27 errou de maneira determinante no empate e na virada dos mandantes. Tem dia que é noite.

Choque de realidade no Campeonato Brasileiro

O resultado foi uma ducha de água fria nos torcedores e até no ambiente interno do Flamengo, que ainda buscava acreditar na possibilidade de uma arrancada rumo ao título brasileiro. Uma rodada que poderia ter terminado com o Rubro-Negro na vice-liderança, vê os comandados de Tite perderem uma posição e sofrerem pressão de outras equipes não tão bem posicionadas.

Logo após a derrota na final da Copa do Brasil, Gabigol fez uma declaração que resumia o ano do Flamengo em poucas palavras: “Sempre falo que a gente planta as coisas para colher. Não plantamos muitas coisas, colhemos nada”. É justamente esse o ponto do clube em 2023, uma temporada repleta de frustrações e chances jogadas no lixo.

No fundo, até o mais otimista dos rubro-negros sabe que o clube não fez por merecer nada em 2023. Desde a saída de Dorival, a falta de reforços, as constantes trocas de técnicos até as derrotas e por aí vai, o Rubro-Negro não conseguiu emplacar nada que sustente a tese. Acima de qualquer reformulação, o Flamengo precisa mesmo é de uma autoavaliação.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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