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Flamengo e Fluminense vencem Vasco em licitação do Maracanã: o que muda nos bastidores

Flamengo e Fluminense venceram Vasco em licitação e vão administrar o Maracanã pelos próximos 20 anos. Será? A Trivela te conta

Um assunto que se arrasta há anos está com os dias contados. Flamengo e Fluminense superaram o Vasco e venceram a licitação para administrar o Maracanã pelos próximos 20 anos.

Antes um bem público, o Complexo do Maracanã passou a ser administrado pela Odebrecht para a reforma para a Copa do Mundo de 2014. Dois anos após o Mundial e com muitos problemas em relação ao prometido pelo Estado, a construtora, envolta em crimes deflagrados pela Operação Lava Jato, devolveu o estádio.

Desde 2016, então, a dupla Fla-Flu administra o Maracanã em Consórcio. E a licitação, que estava prevista para 180 dias depois, só saiu do papel agora em 2024. A Trivela, então, mostra o que vai mudar com a definição da concessão que mantém Flamengo e Fluminense como administradores.

Como foi a vitória de Flamengo e Fluminense?

  • A proposta do Consórcio Fla-Flu recebeu 10 pontos a mais do que a do Consórcio Maracanã Para Todos;
  • Os vencedores já foram declarados, e a decisão deve sair no Diário Oficial até quinta-feira (9);
  • A licitação vale pelos próximos 20 anos de administração do Maracanã;
  • Vasco e WTorre não ficaram nem um pouco satisfeitos com o resultado.

Veja os valores das propostas apresentadas

Flamengo + Fluminense (125 pontos na licitação)

  • R$ 20.060.864,12 por ano — documento apresentou 77 jogos dos dois clubes;

Vasco + WTorre (115 pontos na licitação)

  • R$ 20.000.777,28 por ano — documento apresentou 74 jogo com partidas de Santos e Brusque.

Vasco vai recorrer à Justiça para tentar anular licitação

O Vasco não vai desistir da administração do Maracanã. O Consórcio “Maracanã Para Todos”, composto pelo Cruz-Maltino, através da SAF, comandada pela 777 Partners, em parceria com WTorre, vai tentar a anulação do processo de licitação que deu a dupla Fla-Flu o direito de comandar o estádio pelos próximos 20 anos.

Será mais uma batalha judicial do clube em meio a este imbróglio envolvendo o Maracanã. Antes da abertura dos envelopes, o Vasco já havia tentado, sem sucesso, adiar a licitação.

Além de tentar barrar a licitação na Justiça, o Vasco também deve entrar com pedidos de impugnação, previstos no edital do processo licitatório. O Consórcio “Maracanã Para Todos” entende que a escolha por Flamengo e Fluminense já estava direcionada e não vai reconhecer a vitória da dupla Fla-Flu.

No entanto, o Vasco sabe que, mesmo na Justiça, essa é uma batalha difícil, o que não impede o clube de firmar um posicionamento contrário a Flamengo e Fluminense.

Por que o Vasco passou a se interessar pelo Maracanã

Desde que o Maracanã passou a ser tratado como ativo para a iniciativa privada, no contexto da Copa do Mundo de 2014, Flamengo e Fluminense se mostraram como os únicos interessados. O Botafogo já administrava o Nilton Santos, concedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, e o Vasco, que é dono de São Januário, não estiveram nos primeiros debates para administrar o estádio.

Desde 2022, Vasco precisa entrar na Justiça quando deseja mandar os jogos no Maracanã (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)
Desde 2022, Vasco precisa entrar na Justiça quando deseja mandar os jogos no Maracanã (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

O processo de transformação do clube associativo em Sociedade Anônima de Futebol, entretanto, mudou o panorama. Para o Vasco, o Maracanã seria estratégico para os próximos anos. Desde a gestão de Jorge Salgado, entre 2021 e 2023, o Cruz-Maltino voltou a ver o estádio como uma opção para mandar seus jogos. Com a transformação em SAF e a venda do futebol para a 777 Partners, este interesse não só se manteve como aumentou.

A empresa americana, em parceria com a WTorre, desejava ter a administração do estádio também por motivos comerciais. Mas o futebol, é claro, seria o foco. Ainda mais pela reforma de São Januário, que deve começar no segundo semestre deste ano. A expectativa é de que as obras durem até 2027. O Maracanã seria a casa do clube neste período. E, além disso, o novo São Januário terá cerca de 43 mil lugares. Assim, o clube continuaria levando jogos com maior apelo para o Maraca.

Flamengo e Fluminense ajustam detalhes e preveem melhorias

Flamengo e Fluminense ofereceram valores superiores pela concessão. Além disso, a dupla também prometeu mais partidas do que Vasco e WTorre. Na proposta do Cruz-Maltino, inclusive, Santos e Brusque mandariam partidas no Maracanã, além de uma agenda de shows a serem realizados.

Parceiros na administração do estádio há oito anos, a dupla Fla-Flu ajustou alguns detalhes para a licitação. É importante salientar que a operação do Maracanã gera lucro para os dois clubes e que não há — nem nunca houve, na prática — dívidas entre eles. Ainda que não tivesse as certidões negativas de débitos (CNDs) em 2016 e tenha entrado como “interveniente anuente” na parceria com o Flamengo, o Fluminense obtém lucros constantes no estádio.

Agora, os dois clubes fizeram ajustes. Por utilizar o Maracanãzinho e ter maior capacidade financeira, o Rubro-Negro terá 65% da participação em custos e receitas do estádio sem link direto com o jogo, como museu, estacionamento, camarotes (receitas) e manutenção (despesas). O Tricolor terá 35% nos mesmos pontos.

Essa divisão não significa que o Flamengo mandará mais no estádio. O Fluminense tem uma lista de mais de 10 matérias em que pode vetar decisões do rival, como, por exemplo, qualquer operação financeira relevante, a composição da Diretoria e do Conselho de Administração, o plano de negócios, a política de dividendos e o cronograma de jogos, entre outras coisas.

Mas o que parece um ponto final ainda pode virar reticências.

Esse é o ponto final?

Ao que tudo indica, a paz com relação ao Maracanã permanecerá nebulosa nos próximos meses. Vasco da Gama e WTorre, idealizadores do Consórcio Maracanã Para Todos, confirmaram que não reconhecem a vitória de Flamengo e Fluminense e pretendem ir à Justiça tentar reverter a decisão. O argumento é de que o processo de licitação favoreceu o Consórcio Fla-Flu

O recurso deve ser analisado pelo poder público nos próximos dias.

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Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor de Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
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Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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