Brasil

Flamengo é condenado a pagar última família da tragédia do Ninho, mas história ainda está longe do fim

Ainda que todas as famílias dos jovens que perderam a vida no Ninho tenham recebido indenizações, nenhum responsável foi preso

O Flamengo foi condenado pela Justiça comum do Rio de Janeiro a pagar R$ 2,82 milhões de danos morais aos pais de Christian Esmério, um dos jovens que perderam a vida na tragédia do Ninho do Urubu. A família era a única que não tinha firmado acordo de indenização com o Rubro-Negro. A decisão é em primeira instância e ainda cabe recurso.

Finalmente, todas as indenizações às dez famílias que sofreram com a tragédia foram pagas. Apesar disso, a história ainda está muito longe de um fim, já que nenhum dos responsáveis, ou pelo menos acusados, foram condenados pela Justiça Comum.

Acordo em primeira instância

Na decisão, publicada nesta quinta-feira (15), o juiz André Aiex Baptista Martins, da 33ª Vara Cível do Rio de Janeiro, julgou em favor parcial da família de Christian Esmério. O magistrado não viu justiça no pedido de R$ 5,2 milhões dos pais, e confirmou valores em torno de R$ 2,9 milhões. Na divisão, R$ 2,82 milhões ficarão com os pais e R$ 120 mil com o irmão, além de uma pensão mensal de R$ 7 mil, que já vinha sendo paga de forma voluntária pelo clube.

Christian Esmério era promessa do Flamengo e da Seleção Brasileira (Foto: Reprodução/Instagram)

Apesar da distância com relação ao pedido, a família de Christian ainda recebeu mais do que o sugerido pela Câmara da Conciliação. O proposto, à época, era de indenização de R$ 2 milhões para cada família, além de uma pensão mensal de 10 mil por famílias, válido pelos próximos 30 anos. A Trivela, assim como o Jornal O Globo, teve acesso à decisão na íntegra.

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Flamengo vai recorrer?

O clube não fala sobre o assunto em público há algum tempo e, sem dúvida, suas movimentações não aparecem via divulgação. A torcida, que critica e muito a diretoria pelo tratamento que o Flamengo utiliza em relação à tragédia, ficaria ainda mais irritada caso o Rubro-Negro tomasse tal atitude. Tudo vai depender do departamento jurídico, chefiado por Rodrigo Dunshee de Abranches.

É importante frisar, ainda, que a família de Christian Esmério foi a única a utilizar a Justiça Comum contra o Flamengo. As outras nove famílias firmaram acordos de maneira individual, e os valores não foram divulgados pelo Rubro-Negro.

Como está o processo dos réus?

O caso completou cinco anos na última quinta-feira (08) e segue sem qualquer tipo de definição. Os oito réus que ainda respondem ao processo movido na Justiça Comum estão em liberdade. Agosto de 2023, quase quatro anos depois, a primeira audiência foi realizada. Entre os indiciados estão o ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, representantes da Novo Horizonte Jacarepaguá (NHJ), a fornecedora dos contêiners e um funcionário da manutenção do refrigerador.

  • Eduardo Bandeira de Mello – presidente do Flamengo entre 2013 e 2018;
  • Márcio Garotti – diretor financeiro do Flamengo na gestão Bandeira de Mello;
  • Marcelo Maia de Sá – diretor-adjunto de patrimônio na gestão Bandeira de Mello;
  • Danilo Duarte – engenheiro responsável pelos contêineres;
  • Fabio Hilário da Silva – engenheiro responsável pelos contêineres;
  • Weslley Gimenes – engenheiro responsável pelos contêineres;
  • Claudia Pereira Rodrigues – responsável pela assinatura dos contratos da NHJ;
  • Edson Colman – Sócio da Colman Refrigeração, que realizava a manutenção no ar condicionado.

O Flamengo costuma realizar uma missa no Ninho do Urubu em todos os aniversários da tragédia, mas as homenagens estão longe daquilo que a torcida espera. As publicações foram escassas, ainda que o Rubro-Negro tenha declarado luto de uma semana em todos os perfis oficiais. No museu do clube, por exemplo, o memorial dos Garotos do Ninho foi retirado. 

Certo mesmo é que Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique da Silva Matos, Rykelmo Viana e Samuel Thomas Rosa, todos com idades entre 14 e 16 anos, jamais serão esquecidos, pelo menos aos olhos do torcedor.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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