Brasil

Fifa internacionaliza punições e tira saída de condenados por escândalo de apostas no Brasil

Onze jogadores condenados pela Operação Penalidade Máxima foram listados pela Fifa, tiveram suas punições internacionalizadas e não poderão mais se refugiar no exterior

A Operação Penalidade Máxima, que descobriu e segue investigando a participação de jogadores e apostadores em um esquema de apostas esportivas no futebol brasileiro, continua tendo desdobramentos quase seis meses depois de vir à público. Nesta segunda-feira (11), a Fifa informou oficialmente que as punições impostas no Brasil aos atletas envolvidos no caso foram ampliadas para o mundo todo.

Em seu site, a entidade máxima do futebol listou 11 jogadores que foram punidos por tribunais esportivos brasileiros e suas punições, que agora passam a valer em todos os países filiados à Fifa. Alguns dos envolvidos foram para o futebol internacional para driblar as suspensões, como o zagueiro Eduardo Bauermann, que rescindiu com o Santos e foi contratado pelo Alanyaspor, da Turquia. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no entanto, pediu para Fifa estender as sanções internacionalmente, que acatou e deixou alguns dos condenados pelo esquema de apostas sem opção.

Com isso, oito dos 11 jogadores que foram punidos no Brasil ficarão suspensos de 360 a 720 dias. Já Ygor Catatau, Gabriel Tota e Matheus Gomes foram eliminados do futebol.

Relembre a Operação Penalidade Máxima

A Operação Penalidade Máxima partiu do Ministério Público de Goiás e teve início em fevereiro, com suspeitas sobre partidas da Série B de 2022. Jogadores estariam envolvidos na manipulação de três partidas da última rodada da competição, sendo suspeitos de terem recebido R$ 150 mil cada para cometerem pênaltis no primeiro tempo dos jogos. As suspeitas eram sobre Vila Nova x Sport, Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina. Apenas no confronto entre Vila Nova e Sport, que terminou empatado em 0 a 0, não foi cometido um pênalti.

Oito jogadores foram denunciados na primeira fase da Operação Penalidade Máxima, sendo o volante Romário o principal nome envolvido. Então no Vila Nova, o meio-campista recebeu R$ 10 mil de sinal e aceitou operar dentro do esquema, mas não foi relacionado para enfrentar o Sport e não pôde cometer o pênalti. Ao tentar convencer outros companheiros a agirem de acordo com a fraude, foi descoberto pelo clube goiano, que rescindiu seu contrato e o denunciou com provas ao Ministério Público de Goiás.

Com o tempo, as investigações também foram ampliadas para outros estados e chegaram até partidas da Série A do Brasileirão. Mais sete atletas foram denunciados Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Todos os jogadores envolvidos se tornaram réus na Justiça, enquanto 13 foram punidos e dois absolvidos.

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Jogadores envolvidos, punições e tentativas de “fuga” ao exterior

Pivô do esquema de apostas, Romário foi punido em R$ 80 mil e eliminado do futebol. Em seu último julgamento, o presidente do STJD, José Perdiz, determinou que a punição fosse encaminhada da CBF para a Fifa para ser internacionalizada. O nome volante, no entanto, não está entre os 11 listados pela Fifa nesta segunda-feira.

Já Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa), Gabriel Tota (ex-Juventude) e Matheus Gomes foram eliminados do esporte pelo STJD e tiveram suas punições internacionalizadas. Os três, assim como Romário, poderão recorrer pelo retorno às atividades relacionadas ao futebol, mas em novo processo e dois ano depois da penalização.

O volante Romário foi o grande pivô da Operação Penalidade Máxima quando ainda defendia o Vila Nova (Foto: Icon sport)

Fernando Neto (São Bernardo), Eduardo Bauermann (ex-Santos e Alanyaspor) e Kevin Lomónaco (Red Bull Bragantino) receberam 360 dias de suspensão, enquanto Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa e hoje no Cuiabá) e André Luiz (ex-Sampaio Corrêa e hoje no Nam Dinh, do Vietnã) receberam 600 dias e Moraes (ex-Juventude e hoje no Atlétigo-GO) e Paulo Miranda (ex-Juventude) receberam 720 dias. Os oito completam a lista de atletas que tiveram suas punições internacionalizadas pela Fifa.

Destes, três tentaram driblar as punições e foram jogar em outros países. O zagueiro Eduardo Bauermann rescindiu contrato com o Santos e se transferiu para o Alanyaspor, da Turquia. O também zagueiro Kevin Lomónaco foi emprestado pelo Red Bull Bragantino ao Tigre, da Argentina. Já André Luiz está no Nam Dinh, do Vietnã, depois de rescindir com o Ituano. O atacante Ygor Catatau também foi para o exterior para atuar pelo Sepahan, do Irã, mas antes da Operação Penalidade Máxima surgir.

O meio-campista Gabriel Domingos e Romário são os únicos dos 13 condenados pelo STJD a não terem tido suas punições internacionalizadas. Gabriel foi suspenso por 720 dias e multado em R$ 80 mil. Por fim, Igor Cariús (Sport) e Allan Godói (ex-Sampaio Corrêa e hoje no Operário-PR) foram absolvidos.

Os 11 jogadores listados pela Fifa

  • Ygor Catatau (eliminação do futebol)
  • Paulo Sérgio (600 dias a partir de 26 de maio de 2023)
  • Gabriel Tota (eliminação do futebol)
  • Paulo Miranda (720 dias a partir de 16 de maio de 2023)
  • Fernando Neto (360 dias a partir de 16 de maio de 2023)
  • Eduardo Bauermann (360 dias a partir de 16 de maio de 2023)
  • Matheus Gomes (eliminação do futebol)
  • Mateusinho (600 dias a partir de 26 de maio de 2023)
  • André Luiz (600 dias a partir de 26 de maio de 2023)
  • Moraes (720 dias a partir de 16 de maio de 2023)
  • Kevin Lomónaco (360 dias a partir de 16 de maio de 2023)
Foto de Felipe Novis

Felipe NovisRedator

Felipe Novis nasceu em São Paulo (SP) e cursa jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Antes de escrever para a Trivela, passou pela Gazeta Esportiva.

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