Coletiva de Fernando Seabra ajuda a explicar o bom momento da base do Cruzeiro
O treinador do sub-20 do Cruzeiro, Fernando Seabra, concedeu entrevista coletiva nessa quinta-feira (25), após o vice da Copinha
O Cruzeiro ficou com o vice-campeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, após ser derrotado pelo Corinthians, por 1 a 0, nos minutos finais da partida disputada na Neo Química Arena, na tarde dessa quinta-feira (25). O gol do jogo foi marcado por Kayke, num lindo chute de fora da área que entrou no ângulo do goleiro Otávio. Após a partida, o treinador do sub-20 celeste, Fernando Seabra, deu uma entrevista coletiva interessantíssima.
As palavras de Seabra mostraram um profissional inteligente, ponderado, que entende com louvores os processos que permeiam a evolução de jovens talentos do futebol brasileiro. O bom momento das categorias base do Cruzeiro, atual campeão da Copa do Brasil sub-20 e dos Campeonatos Mineiros sub-20 e sub-17, além do vice da Copinha, passam a fazer ainda mais sentido quando se escuta o treinador da equipe ser coeso e explicar alguns dos processos vividos por seus comandados.
Seabra tratou de exaltar seus jogadores, que tiveram boa exibição mesmo jogando numa Neo Química Arena cheia. Segundo ele, o objetivo principal do Cruzeiro, que é aumentar o nível de seus jovens atletas foi cumprido.
— A minha função é preparar esses meninos para extrair o melhor que eles podem dar e podem ser como jogadores, então o resultado foi circunstancial dentro de um jogo onde os jogadores tiveram a qualidade e a coragem para se impor e isso os coloca com uma projeção de prateleiras mais altas do mercado e eu acho que isso é o meu dever como líder, não abrir mão de formar da melhor forma possível por interesse próprio, para conseguir um título. A gente buscou, claro, mas dentro de princípios quem interessam ao jogador e a instituição — avaliou o treinador.
— Copa São Paulo, a gente não pode esvaziá-la e minimizá-la com especulação de mercado. A gente tem que falar de forma mais profunda sobre jogador, sobre jogo. Enquanto a gente não for capaz de fazer isso, acho que a gente minimizará o potencial do futebol brasileiro. Todo mundo que trabalha no futebol, quem trabalha no campo, quem cobre, quem produz a informação, tem essa responsabilidade de aumentar a qualidade do futebol brasileiro. Eu me nego a fazer qualquer tipo de colocação, porque tenho responsabilidade com isso — afirmou Fernando Seabra.
Jovens terão chance no profissional?
Fernando Seabra também falou sobre as possibilidades de promoções de jogadores para o time profissional do Cruzeiro. Segundo ele, alguns terão chance no time de cima, mas ressaltou que é preciso ter cuidado. Ele explicou que é preciso haver uma unidade entre o momento do jogador e as necessidades da equipe principal, para que os jovens não subam e fiquem parados, desperdiçando o desenvolvimento conquistado até o momento.
— A gente sabe que eles estão sendo olhados de uma forma muito cuidadosa, muito criteriosa, por todos do clube. Pelo Nico, pela comissão que chegou, mas também pelo corpo técnico que cuida de acompanhar e avaliar os jogadores. A gente sabe que as oportunidades de promoção para o time principal vão depender muito das necessidades do profissional. Alguns devem subir e os que não subirem não quer dizer que não tenham mérito ou que não estejam preparados, mas o jogador precisa subir em condições de ter oportunidades, se não ele fica parado ali três semanas, quatro semanas, dois meses e ele cai de nível, rendimento, e depois volta para o sub-20 e tem que ser trabalhado de novo. Temos que ter muito cuidado — ponderou Seabra.
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Ele ainda utilizou o caso do meio-campista Japa, profissional do cria da base celeste que foi promovido para o time principal no ano passado e hoje tem papel importante na equipe para destacar a importância dos jogadores que não subirem neste momento continuem trabalhando e abertos para novos aprendizados.
— O João Gabriel esteve lesionado em parte do ano passado e o Japa, que é um jogador versátil nas capacidades que tem, aceitou fazer a lateral-esquerda e isso o capacitou para melhor muito a imposição em duelos, a troca de ritmo para ir por dentro ou chegar ao fundo do campo. E aí quando o profissional precisou de um lateral-esquerdo, num jogo que o Kaiki jogou, ele estava pronto. Se ele não estivesse pronto e tido essa vivência, provavelmente ele não teria dado esse passo, não teria tido crédito com a torcida e, talvez, não tivesse ajudado no final do ano como ajudou. E aí mais pra frente, quando o profissional precisou de um médio ele pôde ir para a posição dele. O grande desafio nessa transição é na necessidade do profissional o jogador ter competência para ir —
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Fernando Seabra vai sair do Cruzeiro?
A tendência é que Fernando Seabra comunique sua saída do Cruzeiro nos últimos dias. O treinador foi procurado pelo Red Bull Bragantino e deve aceitar a proposta do clube do interior paulista, assumindo, assim, a equipe sub-23 do Massa Bruta. Segundo informações do jornalista Samuel Venâncio, o que mais pesou na escolha de Seabra foi a questão familiar, já que ele vive em Belo Horizonte longe da família, que mora no estado de São Paulo.
A questão financeira não seria um problema para o Cruzeiro, que prometeu cobrir qualquer oferta que Seabra recebesse, mas ainda assim isso não foi o suficiente para que ele se convencesse a seguir no projeto da Raposa. Durante a coletiva, o treinador não quis falar sobre sua provável saída, dizendo que não tem pressa para definir seu futuro, mas indicou que os motivos seriam, de fato, familiares.
— Estou há muito tempo sem ver minha família, tive a oportunidade de vê-los na semifinal, são situações que envolvem toda essa questão familiar. Eu preciso assimilar esse momento agora, preciso chegar em casa e conversar com calma e pronunciar mais tarde. Não tenho pressa nenhuma para expor algo publicamente agora e também acho que não é o momento. A Copa São Paulo a gente não pode esvaziar e minimizar ela com especulações de mercado. A gente tem que falar de forma mais profunda sobre jogador, sobre jogo. Enquanto a gente não for capaz de fazer isso, acho que a gente minimizará o potencial do futebol brasileiro — disse Seabra.



