Brasil

Fernandinho é um vencedor em série que emprestará muita experiência (e bola) ao Athletico Paranaense

Em 17 anos no futebol europeu, Fernandinho construiu um dos currículos mais vencedores e importantes do século

Em boa fase dentro de campo, com o terceiro lugar do Campeonato Brasileiro e há 11 jogos invicto, o Athletico Paranaense ganhou mais uma boa notícia. Nesta segunda-feira, o retorno do filho pródigo foi anunciado: após nove anos no Manchester City e 17 na Europa, Fernandinho está de volta ao Furacão. Acertou contrato até 2024 e indicou que deseja encerrar a sua carreira no clube que o projetou.

Fernandinho teve outras opções, ele próprio admitiu propostas do Brasil e de outros países, mas desde que anunciou que não renovaria com o bicampeão inglês estava claro que a prioridade era voltar para casa. E não parece disposto a sair dela novamente. “Sem dúvida estou realizando um sonho, um desejo pessoal de voltar a vestir a camisa do Athletico Paranaense. Encerrarei minha carreira jogando por apenas três clubes: dois na Europa e um no Brasil. A decisão mais sensata foi voltar para casa e tentar entregar o meu melhor aqui no Athletico”, disse.

O melhor de Fernandinho costuma ser muito, muito bom. Desde que deixou o Athletico Paranaense em 2005, depois de jogar a final da Libertadores contra o São Paulo, ele construiu uma das melhores carreiras de um jogador brasileiro no futebol europeu neste século. Para muitos, o maior (brasileiro) que passou pela Inglaterra. Conquistou seis vezes o Campeonato Ucraniano antes de acertar com o Manchester City em 2013.

Na Premier League, subiu o seu patamar. Ele se tornou um dos grandes líderes de um dos melhores times da década. Era titular com Manuel Pellegrini e continuou sendo com Pep Guardiola, geralmente muito particular com seus volantes. Não apenas interpretou o estilo de jogo do catalão, como foi um dos destaques. Apesar de ter tido menos espaço nos últimos dois anos, seguiu com um forte papel de liderança, destacado principalmente no título inglês de 2020/21, um dos cinco que conquistou.

Reencontrará Luiz Felipe Scolari no Athletico Paranaense. Fernandinho estreou na seleção com Mano Menezes, mas foi Felipão quem o bancou na Copa do Mundo de 2014. Ele acabou ganhando a posição com o decorrer do torneio – que não terminou bem para o Brasil. Nem para ele, que ficou marcado como um das piores atuações do 7 a 1. Continuou sendo convocado no ciclo seguinte, embora tenha perdido a posição no Mundial da Rússia. E aí deu bastante azar porque foi titular nas quartas de final contra a Bélgica e acabou ficando marcado mais uma vez por ter feito um gol contra.

Os baixos de uma carreira com muito mais altos não apagam o fato de que o Athletico Paranaense está contratando um vencedor em série. Além do peso da sua história, ele tem uma experiência inestimável para passar aos jogadores jovens do elenco. “Saiu uma estatística de que o Athletico é o time mais jovem do Campeonato Brasileiro, então chega o vovô aqui para tentar ajudá-los a amadurecer no dia a dia”, brincou. “Tentar fazer com que eles entendam e saibam da capacidade que eles têm para jogar no alto nível, para que dentro de campo possam ser melhores do que estão sendo agora”.

E não é que Fernandinho está fora de forma. A idade talvez o tenha deixado para trás em um dos melhores times do mundo, mas ele ainda teve espaço para ajudar, com 69 partidas nas últimas duas temporadas. Inclusive em momentos decisivos. Quebrou o galho de lateral direito contra o Real Madrid e foi titular na semifinal da Copa da Inglaterra contra o Liverpool. Em 2020/21, fez todos os 90 minutos contra o PSG na semifinal que colocou o City em sua primeira grande decisão europeia.

Fernandinho tem tudo para contribuir em várias frentes com a temporada do Athletico Paranaense, nas oitavas de final da Libertadores e da Copa do Brasil, perto dos líderes no Brasileirão. Se a ambição é conquistar títulos, e não tem por que ser diferente, o clube acabou de contratar um dos maiores especialistas no quesito dos últimos 20 anos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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