Brasil

30 pessoas e um segredo: negociação que trouxe Felipe Anderson tem a marca do ‘novo’ Palmeiras

Apresentado nesta segunda-feira (15), maior reforço do Palmeiras se colocou à disposição de Estêvão para tudo o que o jovem precisar

Como todo jogador que chega ao Palmeiras, Felipe Anderson afirmou que o “projeto” e o “profissionalismo” do clube foram fatores de convencimento decisivo para que ele deixasse o futebol europeu e voltasse ao Brasil.

— Estava em um momento de decisão para me organizar. O Palmeiras é um clube que qualquer jogador quer estar. Há alguns anos, me chama a atenção. Não pensava em voltar para o Brasil. Mas vi que era o momento certo e lugar certo.

A resposta-padrão não é culpa do jogador, da assessoria do Palmeiras ou da imprensa. Entender porque um atleta que tinha uma proposta da Juventus preferiu retornar à América do Sul é uma curiosidade das mais válidas.

— Estava no meu último ano de contrato e eu precisava de um projeto para tomar uma decisão. Esperei, analisei com meu empresário e minha família. Graças a Deus apareceu o Palmeiras. Não foi difícil por tudo que o Palmeiras é, por tudo que representa – disse o meia-atacante, sem grandes novidades.

Mas Felipe Anderson, em sua primeira entrevista coletiva, na tarde desta segunda-feira (15), na Academia de Futebol, foi além do óbvio e explicou um pouco mais. Falou da estrutura do clube e da chance de disputar títulos — não há muitos no seu currículo. E citou também um aspecto importante: o segredo.

— Foram dois momentos (de negociação). No primeiro, não chegamos a uma conclusão e mesmo assim, não vazou. Isso foi surpreendente. Não ter vazado nos chamou muita atenção. Desde o primeiro contato foi uma relação de respeito e profissionalismo. Isso contribuiu para dar sequência na negociação — afirmou ele.

De fato, não ter havido vazamentos, foi muito surpreendente. A Trivela conversou com profissionais do departamento de futebol que foram pegos de surpreso com a vinda do jogador. Segundo cálculos internos, 30 pessoas de dentro do Palmeiras sabiam da negociação. E mesmo assim, o nome do Palmeiras nunca foi vinculado ao jogador.

Na Europa, o especialista em mercado Fabrizio Romano, por exemplo, chegou a afirmar que Felipe estava acertado com a Juventus, no mesmo dia em que o Palmeiras anunciou a sua contratação e que o gerente Leonardo Holanda, enviado pelo clube para tratar dos trâmites, já tirava a primeira foto do jogador com a camisa do Verdão.

Isso talvez tenha a ver com outro aspecto pescado por Felipe nos poucos mais de 30 dias em que faz parte do elenco do Alviverde.

— Todos aqui na Academia estão conectados. Da primeira pessoa até a última, todos os departamentos, são todos amigos. Isso facilita e encurta o tempo de adaptação. Foi o que aconteceu comigo. Comentamos que é muito fácil se adaptar aqui. Grupo muito bom, muito unido.

Por conta dessa união, e da adaptação mais rápida, Felipe já se coloca à disposição de Abel para enfrentar o Botafogo na quarta-feira (17) no Estádio Nilton Santos.

— Fizemos um trabalho muito bem feito aqui, os profissionais são incríveis. Essas semanas na Academia foram intensas. Me sinto bem fisicamente. Sim, estarei disponível (para o Abel usar). Vamos ver o que acontece.

O que mais Felipe Anderson falou:

Seleção brasileira

— A Seleção é um sonho que está dentro de mim sempre. Mas, primeiramente, o Palmeiras. O Palmeiras acreditou em mim, investiu. Preciso focar em honrar essa camisa. A Seleção é um sonho, mas é uma consequência das minhas atuações.

Estrutura do Palmeiras

— A Academia é uma das melhores estruturas, não só do Brasil, mas do mundo. Os jogadores sempre conversam e falam como é em cada clube. Com certeza é uma das melhores não só em estrutura, mas em método de trabalho. Fico horas aqui porque quero aproveitar tudo.

Calendário brasileiro

— O desafio maior, todo mundo sabe, é o calendário. Mas eu já sabia e amo jogar futebol. Estou feliz com isso. Não é fácil, mas vou tentar levar pelo lado bom.

Estêvão

–Pela atitude dele em campo, pelo drible e para voltar para marcar, por ser dedicado, pelo caráter… Não precisa dizer muito. É um menino muito centrado. Cada jogo que passa ele faz uma magia. Ele tem um suporte, tudo o que precisar estarei à disposição.

Posição em que vai jogar

— Nas últimas duas temporadas eu joguei muitos jogos de falso 9, é uma posição que eu gosto muito. Liberdade para se movimentar ali no meio. Com certeza é uma posição que eu gosto.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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