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Federação Paulista usa bom senso e anuncia que Copa São Paulo 2021 não será realizada

A Federação Paulista de Futebol (FPF) anunciou nesta quinta-feira que não teremos a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2021. Em comunicado divulgado à imprensa, o presidente da entidade diz que não seria seguro realizar o maior evento de futebol de base do país em meio a uma pandemia. Um gesto de bom senso diante do que significa esta competição e do quanto traz gente de todos os estados brasileiros, o que, por si, já o tornaria temeroso.

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“Desde agosto, a FPF vem conversando com autoridades médicas do Governo de São Paulo, de prefeituras e dos clubes para viabilizar a realização da Copa São Paulo 2021. A partir de todas as informações colhidas e diante do cenário de pandemia, concluímos que mesmo um rigoroso protocolo de saúde não seria o suficiente para garantir a segurança a atletas, árbitros e demais profissionais envolvidos nos jogos, além da população das cidades-sede. E acima de qualquer compromisso está a vida. Assim, a FPF comunica que tomou a dura decisão de suspender a realização da Copa São Paulo 2021”, diz o comunicado divulgado pela entidade.

O tamanho dessa medida é enorme. A Copa São Paulo é o torneio mais importante do futebol de base do Brasil. Mais até do que os organizados pela CBF, como o Campeonato Brasileiro sub-20 ou a Copa do Brasil sub-20. O motivo é simples: tradição. O torneio acontece desde 1969, inicialmente só com clubes paulistas, mas desde 1971 contando com clubes de todo país.

A Copinha é a maior vitrine do futebol de base do Brasil. Nenhum outro torneio tem tamanha exposição e nem recebe tamanha cobertura da imprensa quanto ela. O torneio, hoje sub-20, permite até que clubes amadores atravessem o país, de ônibus, às vezes em condições difíceis, para tentarem a sorte e aparecerem para o Brasil todo. Até pela época do ano que acontece, em janeiro, chama a atenção dos torcedores, porque é, usualmente, época de férias dos times principais.

Em 2021, não será o caso. Aliás, já não tem sido há alguns anos. Os estaduais têm começado em janeiro para dar conta das suas imensas 18 datas, antes do início do Campeonato Brasileiro (da Série A à Série D), que ocupa o resto do calendário anual, de maio a dezembro. Antes, a Copinha era única, desfilava sozinha pelos gramados paulistas até o tradicional dia da final, 25 de janeiro, data de aniversário da cidade.

Mesmo com a concorrência dos carcomidos estaduais, a Copinha mantinha seu brilho como a competição onde se via os craques do futuro. O que, no Brasil, por vezes o futuro é logo ali e naquele mesmo ano esses jogadores estão nos gramados dos times principais. Isso vale para todos os clubes, desde os menores, sem recursos para contratar e que vivem da sua base para manter o time ativo, até os mais ricos do país, que recrutam os melhores jovens desde cedo para formá-los e ter no seu time de cima.

Tudo isso não será visto em 2021, mas é o mais sensato a se fazer. Normalmente não estamos bom senso dos dirigentes. Não exatamente porque não acreditamos neles, embora isso seja verdade em alguns casos, mas porque o histórico nos permite crer que na maioria parte das vezes, os dirigentes não têm o bom senso como aliado. Desta vez, porém, é de se ressaltar que o bom senso prevaleceu.

Realizar a Copinha, com a situação da pandemia e o temor de uma segunda onda (ou a continuação da primeira, que nunca se foi) seria mesmo uma temeridade. A medida de aumentar o limite de idade para a edição seguinte, em 2022, também é importante. Claro que não há como recuperar o ano que ela não se realiza. Mas, ao menos, permite que jogadores que perderiam a competição pelo limite de idade possam viver o sonho.

Confira o comunicado da FPF:

A Copa São Paulo de Futebol Jr., disputada desde 1969, é um dos maiores orgulhos do nosso futebol. Marca em todos os anos o início da temporada do futebol brasileiro e é o nascedouro dos nossos maiores craques. Não há competição de base no mundo que reúna tanta relevância, competitividade, visibilidade, paixão e sonhos. 

A cada ano, todo o time da Federação Paulista de Futebol se mobiliza para organizar 255 jogos em 24 dias, reunindo 128 times de todos os Estados do Brasil. São mais de 3.800 jovens atletas que jogam em busca de um sonho. São longas viagens e 31 municípios paulistas envolvidos numa complexa logística de alojamento, alimentação e organização.

É justamente a grandeza da Copinha que nos fez refletir neste momento difícil de pandemia de Covid-19. Desde agosto, a FPF vem conversando com autoridades médicas, do Governo de São Paulo, de prefeituras e dos clubes para viabilizar a realização da Copa São Paulo 2021. 

A partir de todas as informações colhidas e diante do cenário de pandemia, concluímos que mesmo um rigoroso protocolo de saúde não seria o suficiente para garantir segurança a atletas, árbitros e demais profissionais envolvidos nos jogos, além da população das cidades-sede. E acima de qualquer compromisso está a vida. 

Assim, a FPF comunica que tomou a dura decisão de suspender a realização da Copa São Paulo 2021.

Esta medida nos provoca imensa dor, sobretudo pelos sonhos dos jovens atletas que veem na Copinha a primeira grande oportunidade para se mostrar ao mundo do futebol.

Nos solidarizamos não apenas com os jogadores, mas também os jovens árbitros, jornalistas e torcedores que, assim como nós, cultivam enorme carinho pela Copinha. Agradecemos aos patrocinadores e parceiros de mídia por entenderem essa difícil atitude. Nos resta a certeza da compreensão desta decisão, que coloca em primeiro lugar a saúde e os cuidados de segurança e isolamento. 

Por fim, com intuito de preservar os sonhos de uma geração que não poderá disputar a Copinha em 2021, a FPF permitirá, na próxima edição da competição, que atletas nascidos em 2001 possam disputar o torneio. 

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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