Brasil

Favorito destacado

O Brasil chegou à Olimpíada de Londres como um dos favoritos à medalha de ouro. Um time que leva Neymar, Oscar, Hulk e tem Thiago Silva na zaga não poderia ser visto de outra forma. Só que esse status de favorito aumentou ainda mais após as duas primeiras rodadas do torneio. Não só pelo desempenho em campo, mas porque os rivais Espanha e Uruguai se complicaram – a primeira foi eliminada com duas derrotas em dois jogos, enquanto o Uruguai está muito ameaçado de eliminação. Entre os favoritos, sobra apenas um: o Reino Unido, que está em um nível inferior ao brasileiro.

Nos jogos contra Egito e Belarus, o time mostrou força, ainda que não tenha atuado da maneira segura e consistente que se espera.  Neymar, principal jogador do time, fez um primeiro jogo até discreto e fazia um segundo jogo razoável, mas sua capacidade de decisão é que fez o Brasil vencer. No seu único lance importante no primeiro tempo, fez o cruzamento para o gol de Alexandre Pato. O Brasil tinha dificuldades de entrar na marcação de Belarus, que era organizada. Sem fazer a sua melhor partida, Neymar deu passe para dois gols e marcou outro. Já tem dois gols no tonrneio. E foi o seu gol que virou o jogo e mudou a sua participação na partida. Neymar é tão acima da média que nem precisa apresentar todo o seu futebol para ser um jogador absolutamente letal e decisivo. E irá preocupar qualquer adversário do Brasil. Seja quem for. – e já não será a Espanha.

O coletivo vem funcionando

O Brasil, porém, não é só Neymar. Oscar tem sido destaque do time também. No jogo contra Belarus, mais uma vez, fez uma boa partida. Se apresentou para o jogo, se movimentou, distribui a bola. Fez o que dele se espera, em termos de atitude. O futebol ainda não é aquele dos melhores momentos pelo Inter, mas já é de um bom nível, que ajuda a manter o time com um bom desempenho.

Alexandre Pato foi discreto. Assim como Leandro Damião no primeiro jogo, “só” fez o gol. Participou pouco do jogo. Um pouco disso se deve à intensa movimentação dos três homens imediatamente atrás dele, Hulk, Oscar e Neymar, que trocaram muito de posição no primeiro tempo, mas mesmo assim não conseguiram criar tantas chances de gol para o atacante. Mas há outro fator: ele se apresenta pouco. Pede pouco a bola, se movimenta pouco para se colocar em posição para recebê-la. O exato mesmo motivo pelo qual Leandro Damião deixou o time.

O time tem o melhor ataque do torneio, com seis gols marcados. Não é por acaso: é o setor mais forte do time. Hulk tem sido mais discreto na Olimpíada do que foi nos amistosos, mas ainda assim o ataque brasileiro tem mostrado força. E ainda tem Lucas no banco.

O jogo com posse de bola também tem sido caracterizado nos dois jogos. Contra Belarus, o Brasil teve 69% de posse de bola, chutou 19 vezes (contra apenas cinco do adversário) e mesmo com dificuldades, tomou a iniciativa o tempo todo.

Além de ter um time titular bem definido, o Brasil tem um estilo também já marcado. O jogo não é o da Espanha, mas também usa a posse de bola como arma. A marcação pressão é usada em diversos momentos – ainda que contra Belarus ela tenha sumido -, e o time tem em Neymar e Oscar dois jogadores com alta capacidade de decisão. É um time pronto e que não tem adversários que mostram tanta força nesta Olimpíada.

Já a defesa…

A marcação tem sido o maior problema brasileiro. O espaço que fica atrás dos laterais é notório, especialmente as costas de Marcelo. Uma avenida que todos os adversários parecem ter percebido – Belarus fez o gol por ali. Além disso, há um buraco entre os volante a defesa brasileira, dois setores que estão distantes entre si.

A cobertura dos laterais está falha, em parte por culpa dos volantes, em parte porque Juan, zagueiro que fica do lado esquerdo da defesa, também tem mostrado deficiências tanto na cobertura quanto na marcação um contra um. Lento, o zagueiro chega atrasado em diversos momentos.

O Brasil tem sentido dificuldades de jogar contra times que atuam no 4-2-3-1, como foi contra Belarus, porque esse é o tipo de esquema que aproveita melhor as deficiências do sistema defensivo brasileiro. Os laterais saem muito para o ataque, deixando espaços para os pontas adversários, ao mesmo tempo que os volantes precisam se preocupar com a marcação pelo meio e deixam a cobertura deficiente.

Além do posicionamento, é preciso corrigir também o trabalho de marcação ofensiva. Sim, Neymar e Hulk precisam voltar marcado para ajudar o time. Oscar é quem mais faz isso no meio, mas é preciso colaboração dos demais jogadores. É essa marcação acompanhando desde o ataque que um time que quer jogar pressionando o adversário precisa fazer para ser bem sucedido.

O time a ser batido

O Brasil tem problemas, mas todos os times têm. O Reino Unido sofreu contra os Emirados Árabes. A Espanha já está eliminada precocemente, com duas derrotas. O Uruguai está muito ameaçado e terá que matar um leão na terceira rodada. Entre os times que se apresentam, o Brasil é o favorito destacado. Precisa continuar mostrando força em campo para confirmar isso. Mas é difícil imaginar que o Brasil não esteja no estádio de Wembley, no dia 11 de agosto, para decidir a medalha de ouro olímpica.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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